30 de ago de 2009

Reflexões de um domingo à tarde

Domingo à tarde, nada para fazer...
Depois de umas cervejas e de ouvir Rauzito, Fagner, Chico Buarque, não é de se duvidar que eu iria acabar aqui, né?!

Domingo é o dia que tiro pra ler, com calma, os jornais da semana inteira. Sempre tomo o cuidado de lê-los em ordem cronológica para não confundir as coisas, afinal aquela regrinha "a ordem dos fatores não altera o produto" não diz respeito às notícias (exceto àquelas que tratam de política, afinal não ineressa quem abraça quem, o resultado é sempre o mesmo).

Vamos lá, vamos falar das minhas divagações: primeiro pensei em escrever sobre a pedofilia afinal faz tempo que venho ensaiando um "escrito" sobre este tema. Mas ainda não criei coragem, pois quando eu escrever, e farei isso, vou deixar psicólogos, pedagogos, delegados e políticos da CPI de cabelo em pé. Vou falar umas verdades que vou deixar o Datena sem cor. Vou calar a boca de muita gente e, por via de consequência, fazer muitos pais se sentirem os piores seres do mundo.

Mas deixa pra lá. O assunto é indigesto e eu ainda não elaborei toda a tese (sim sim, terá que ser algo muito bem "amarrado", pois, com certeza, causará um reboliço em nossa sociedade provinciana e obtusa). Vou enveredar para outro asunto um pouco menos indigesto, que combine mais com um domingo ensolarado...

Li a coluna do Leonardo Boff (novidade... sempre leio!). Ele é para como que um espelho, com a diferença que ele tem um "porrilhão" de leitores a mais que eu. Hoje ele falou da Marina Silva! Eu tive que ler em voz alta para compartilhar com os meus! Falou pouco e disse tudo! É por ái! Eu sempre digo! O negócio é a gente pensar com consciência planetária!! BINGO!!!

Daí a Camila, minha filha mais nova resolveu me perguntar das privatizações. Não sou socióloga e nem economista, mas expliquei dando exemplos bem simples do tipo "se você tem uma casa que recebe aluguel, você a venderia para pagar um dívida ou você negociaria a dívida e iria pagando com os aluguéis que iria recebendo?". Falei das nossas estradas de ferro (coitadinhas), falei da telefonia, falei da Vale do Rio Doce... E por pouco meu domingo não ficou azedo!

Creio que ela entendeu. Ela sabe que não sou PT, não sou PV, não sou PSDB, não sou PMDB, nem a PQP. Sabe que costumo pinçar o que vejo de melhor em tudo. Gosto desta liberdade, acho que é a mesma liberdade desfrutada por todos os intelectuais (presunção a minha querer me igualar a eles).

Levantei da mesa assim que o assunto esquentou, pois política tem este condão, consegue fazer com que qualquer reunião descambe em discussão ou desconforto. E acho que a combinação Chico Buarque + Leonardo Boff + A Notícia + Raízes Diário + Fagner + Raul Seixas + Cidadela + Folha da Manhã + macarronada vegetariana + umas geladas, me deixou um tanto confusa.

Devo ligar a TV para "zerar meu QI"?!
Não não... Um sal de fruta e uma hora de sono resolvem!

28 de ago de 2009

As "audiências" públicas

(publicado no Jornal Cidadela em 28/08/2009)

Vim de fora, respeito as diferenças locais. Mas em se tratando de Direito Público, não sobra margem para tolerâncias, por sua natureza deve ser observado “ipsis literis”. Então isso serve também para as audiências públicas que acontecem em Joaçaba, oras!

“A audiência pública é uma das formas de participação e de controle popular da Administração Pública no Estado Social e Democrático de Direito. Ela propicia ao particular a troca de informações com o administrador, bem assim o exercício da cidadania e o respeito ao princípio do devido processo legal em sentido substantivo. Seus principais traços são a oralidade e o debate efetivo sobre matéria relevante, comportando sua realização sempre que estiverem em jogo direitos coletivos.” Evanna Soares in “A audiência pública no processo administrativo”, 2002.

Já fui a algumas delas, tanto convocadas pelo Executivo quanto pelo Legislativo e, salvo exceções, não há abertura para o debate efetivo da matéria. Fico na dúvida sobre o significado da expressão “audiência pública”: quer dizer “ouvir o povo” ou “o povo ouvir”?

Na última que participei fiquei com a amarga sensação de me sentir como aquela figura dos três macaquinhos: um não vê, outro não fala e o outro não ouve. Não gostei da idéia de ser apenas uma figura decorativa. Gostei menos ainda de haver audiência pública somente para cumprir o que manda a lei.

E detesto mais ainda quando ela é marcada num dia repleto de compromissos como foi o dia 04 de agosto: Conferência Municipal da Assistência Social (o dia todo), reunião para tratar da revitalização do Rio do Tigre (16:00h), sessão da Câmara de Vereadores (19:00h). Ou seja: aos vereadores (que são nossos representantes) não restou alternativa, tiveram que optar pelo o que entenderam ser “o menor prejuízo”; nenhum deles pôde participar da primeira audiência pública que tratou do PPA. Nem eu que também tinha interesse nos assuntos que seriam tratados na Câmara...

A lei obriga que elas existam justamente para abrir o debate, mas em momento algum vejo nesta lei a restrição quanto ao número, ou quanto à participação popular nas reuniões que ocorrem, antes, durante ou depois destas audiências. Tivemos notícia que aconteceram reuniões “em diversas Secretarias” para tratar do PPA, mas por que não chamaram membros da comunidade para participar? Lógico, que a coisa não pode virar bagunça, mas trazer pessoas envolvidas diretamente com os assuntos além de muito proveitoso, seria bastante salutar.

Tendo em vista que numa audiência pública deve-se zelar pelos seus princípios regedores, especialmente a oralidade e a efetiva participação dos presentes, eu fiz valer os meus direitos e atentei para os dos animais. Outros também mostraram que queriam ser ouvidos. Se o assunto abordado era pertinente ou não, caberia a todos os presentes decidir, mas fica muito difícil tentar discutir uma coisa que já veio pronta, precisando somente cumprir um “requisitozinho sem importância”: a audiência pública.

Acorda Joaçaba! São nas audiências públicas que devemos ser ouvidos! É lá que conseguiremos, pelo menos, expor nossas idéias (se serão observadas, “são outros quinhentos”...). Não adianta sentar em torno das mesas, tecer maravilhosas teses para a solução dos problemas da cidade se quando somos convocados estamos em casa curando a ressaca do último debate do bar, da igreja, do clube...

26 de ago de 2009

Um desabafo feito no dia 09 de novembro de 2008

Numa madrugada mandei este e-mail para um sem-número de pessoas. Nem tudo o que está ali ainda permanece, mas não posso deixá-lo desaparecer da memória de alguns:

V
V
V
V


São 3:35hs da madrugada de sábado para domingo, e mais uma vez perdi o sono. Há dias venho adiando a decisão de colocar para fora tudo o que estou pensando, mas de hoje não vai passar, minha saúde física e mental devem ser preservadas:

Estou em Joaçaba há dois anos e desde então tenho atuado na causa animal, mas como todos sabem a minha postura frente a esta questão nunca foi de protetora independente, aquela que sai por aí recolhendo um ou outro animal, levando para sua casa e depois se desesperando para encaminhá-los. Minha postura e minha visão é uma pouco mais ousada: eu luto por políticas sérias de proteção animal!

Portanto a partir de hoje, não me procurem para saber se eu tenho um "espacinho" em casa para algum animal, pois a resposta será "não". Este "espacinho" não é só na casa, é também na vida social, no casamento, na atuação como mãe, como filha, como irmã, como tia, como amiga. Este ano vou me dar ao direito de ver o mar, de abraçar os meus entes queridos que há tempos pedem a minha presença. Vou atender a minha filha que está numa maratona louca de vestibulares e eu não estou lá, ao lado dela, em nenhuma das provas.

Cada um deve ser responsável pelos animais que apareceram na sua frente. Ouvi de uma pessoa: "mas eu ajudo a ONG, eu recolho animais"... Pelamordedeus! Desde quando recolher um animal, telefonar para a minha casa, para o meu celular fazendo chantagem emocional é ajudar a ONG???? Cansei de receber ligações do tipo "se você não ficar com o cão/gato eu vou ter que abandonar, euntanisiar". "Olha, meu marido não quer cachorro aqui em casa". "Eu já tenho um/dois em casa e não posso ficar com este". "Eu moro em apartamento".

Engraçado, eu tenho que bater de frente com meu marido, eu tenho que andar num carro de 14 anos de idade porque tiro dinheiro do meu bolso pra pagar estadia de cachorro que adotei ou recolhi da rua, ou pagar ração para cachorro que me enfiam goela abaixo! Eu tenho que ficar acordada de madrugada porque os cães recolhidos resolveram latir e os vizinhos querem dormir (eu também quero dormir!). Eu tenho que deixar de viajar nas festas de fim de ano ou quando a filha distante está doente porque não tenho como deixar os cães (os meus e os das pessoas que têm todo o tipo de desculpa para não assumir a responsabilidade sobre o animal que recolheu).

Sobre a ONG, há tempos venho percebendo que tudo está sobre meus ombros, mas esta responsabilidade eu trouxe para mim e não vou reclamar. Apenas informo que as feiras estão suspensas sem data para acontecerem, pois não sei se terei tempo de ir em busca de todas as licenças para instalá-la em outro lugar, bem como estou cansada de levantar no sábados às 7:00hs e trabalhar até o domingo ao meio dia por conta das feiras. Alguns perdem a tarde de sábado e eu sempre "perco" o meu fim de semana. Sem falar das horas correndo atrás de divulgação.

A partir de hoje o telefone da ONG estará desligado sem data para ser reativado, pois 99,9% das vezes do outro lado da linha está uma pessoa que acha que eu tenho a obrigação de ir buscar um animal ou de pagar um tratamento para o seu cão/gato afinal "vocês recebem dinheiro do governo pra fazer isso, né?". Se ligações caírem na minha casa ou celular particular serão atendidas como "engano", pois algumas pessoas que nem sabem quem sou se dão ao direito de ligar a hora que bem entender e exigir que eu atenda seu chamado!

O povo sempre foi mal-acostumado, antes tinham o Teodorico, agora pensam que têm a "Bete"; esqueçam! Eu não serei a nova edição daquele homem que acabou com a sua vida porque não sabia dizer não aos que apareciam pedindo "ajuda". Estou sendo egoísta? Não, estou sendo prática, pois se eu ficar atendendo a Lulu ou o Totó, um sem número de animais não se beneficiarão de práticas de saúde públicas que não foram criadas pelo simples fato de que a pessoa capacitada para isto estava muito ocupada catando cocô, lavando potinhos, servindo ração.

Algumas vezes me refiro aqui na primeira pessoa e em outro faço referência à ONG, peço perdão, mas sinto que estes entes estão se (con)fundindo, não por minha vontade, mas pelo fato de todos recorrerem a mim como a solução para todos os problemas. Meu Deus, eu não tenho super-poderes! Sou muito capaz, tenho estudado muito; vou usar esta capacidade e esta bagagem para trabalhar em algo mais amplo, mais inteligente, mais ambicioso. Não vou desviar o foco do que me propus: trabalhar num projeto bacana para que no futuro não tenhamos mais que nos desesperar porque "ninguém quer recolher o bicho".

Os animais que precisam ser ajudados não se restringem a cães e gatos, são também os que estão nos circos, nos rodeios, nos abatedouros, etc. É por todos e por cada um deles que me dispus a trabalhar, a assim vai ser. Quem estiver disposto a me ajudar nesta empreitada, obrigada! Afinal, desde o início dos trabalhos, naquela primeira reunião, foi esclarecido que nosso grupo não se restringiria a um "bando de alienados que ficam por aí recolhendo cachorro na rua". Quem tiver interesse, a ata está à disposição.

Esses dias fiquei feliz quando uma pessoa me procurou relatando o problema de um CCZ da região. Prontamente me coloquei à disposição para ajudá-la no que for preciso, por dois motivos: o primeiro que não estou socorrendo um indivíduo e sim agindo sobre uma realidade que afeta um sem-número de animais, segundo porque vou aprender muito e evitar que isto venha a acontecer aqui em nossas cidades.

Quero que todos entendam que não estou fazendo aquele jogo "não está sendo do jeito que quero, vou abandonar a causa animal". Não pretendo abandonar a causa, está no meu sangue, nas minhas entranhas, apenas me darei ao direito de também ser advogada, empresária, esposa, mãe, filha, tia. Além de poder atender outros projetos que acalanto em minha alma.

Quanto a denúncias de maus-tatos, procurem a polícia, é ela quem tem o dever legal de agir nestas situações! Vejo que muita gente me procura porque não quer parecer antipático com o vizinho, com o parente, com o patrão. Eu posso parecer antipática aos olhos de todos, né? Esta será mais uma coisa que não farei mais. Que cada um assuma para si a responsabilidade, que tenha coragem de se posicionar. Se for para pedir orientação, estou às ordens.

Resumido: a partir de hoje trabalharei em coisas que acredito serem sérias e relevantes para mudar o atual panorama, que pode até ser denúncia, ou o socorro de algum animal, mas eu vou analisar qual o reflexo disso no projeto de trabalho que tenho, algumas situações merecem ser analisadas em particular.

Aos que já trabalham junto, estes sabem de quem estou falando, meu eterno agradecimento. Aos demais, estão convidados a arregaçarem as mangas!

Com carinho,

Bete

PS - só para lembrar: não sou rica, não tenho marido rico, não sou assalariada, não sou funcionária fantasma, ou seja, se trabalho eu ganho, senão...

25 de ago de 2009

As filas dos bancos e o comportamento de alguns

Acabo de chegar de uma maratona nos bancos. Não adianta! É sempre a mesma coisa! Um tempo enorme sendo perdido para efetuar um pagamento de pouco mais de um minuto!

Vou muito pouco aos bancos, pois costumo fazer tudo o que posso via internet, mas as poucas vezes que vou à Caixa, ao Banco do Brasil e ao BESC, me incomodo o suficiente para o resto do mês.

Na CAIXA está o "samba do crioulo doido". Você chega e pega uma fila para pegar outra fila, eles conseguiram inovar o problema. Depois de alguns minutos a moça lhe encaminha para os cadeiras e avisa que será chamado por nome.

Agora é que "o bicho pega", enquanto você está na "fila dos sentados", pois essa é a segunda fila que a gente pega, depois vai para uma outra que fica ao lado das cadeiras.

Opa! Voltando ao assunto: enquanto você está sentado, uns espertinhos vêm e se colocam na terceira fila, pulando etapas e fazendo todos de idiotas! Hoje eu presenciei isto acontecer e fui reclamar, mas quantas vezes acontece e ninguém diz nada?

Com eles ou sem eles a gente nunca consegue ser atendido nos moldes da lei municipal. Estamos constantemente sendo desrespeitados (antes a gente ainda recebia aperto de mão de funcionário, agora nem isso).

Saindo da CAIXA fui direto ao Banco Real; lá não costumo me incomodar com as filas, porque são pequenas e o atendimento é célere (banco privado dá nisso rsrs). Mas tenho que compartilhar mais uma. Hoje era o dia!

Todos os bancos disponibilizam senhas comuns e preferenciais para idosos, senhoras com bebês, gestantes, deficientes. Surpresa eu fiquei ao ver um "tiozão" com uma senha deste tipo em mãos! O cara não tinha mais de 50 anos e era forte o suficiente para ficar "estaqueado" ao lado do caixa. Resultado: foi atendido antes de todos os que estavam na fila. Outro espertinho...

Saí de lá indignada, mas preferi não espichar a prosa porque tinha que chegar no BESC antes do final do expediente bancário.

Antigamente a senha desse banco apontava a hora de entrada do cliente, agora retiraram a informação, mas eu anotei: 14:51hs. Peguei uns dois jornais que estavam sobre as cadeiras e me preparei para ler até as notas de rodapé (caso tivessem). Pela quantidade de gente e pelos poucos caixas, metade da minha tarde passaria ali.

Meia hora depois fui atendida, até que não demorou muito! Mas no BESC acontece um fenômeno muito engraçado, as pessoas entram, pegam suas senhas e desistem de esperar. Por isso levei "só" 30 minutos!

Cheguei no escritório cansadíssima e com dor de cabeça, mas com uma dúvida:

Quem é mais semvergonha? O banco ou aquele tipo de cliente, "o espertinho"??

O bancos não cumprem com o que a lei manda, talvez porque tenham a certeza da impunidade. E os espertinhos?? Que "furam" as filas, que pegam senhas prioritárias e dão uma de "joão-sem-braço"??

Sabe aquela coisa de não fazer com os outros que não querem que façam com você???

Fica para a reflexão...

24 de ago de 2009

O porquê desse Blog

Em muitas cidades (geralmente as mais pequenas) alguns botecos são pontos de encontro para trocas de idéias, dicussões, bate-papo. Em suma, fofocas! São os locais onde grupinhos se encontram para discutir os últimos acontecimentos.

Aqui em Joaçaba existem alguns, mas as penelinhas são tão fechadas que, quando a gente entra e pede uma cerveja, todos param de conversar ou enveredam para amenidades. Então resolvi "abrir" meu próprio boteco onde poderei expor as minhas ideias com a vantagem de não me preocupar em ter que dirigir depois, o máximo que poderá acontecer é os leitores terem que adivinhar o que eu queria digitar rsrsrs

Por se tratar de um boteco em forma de Blog, todos poderão expor seus pensamentos, basta mandar os escritos para meu e-mail que eu publico aqui. Se alguém quiser contar alguma novidade pode usar este canal também, pois prometo guardar sigilo da fonte, mas não da informação. Tipo, "conto o milagre, mas não conto o santo!".

Como uma boa conversa de boteco os assuntos serão os mais diversos, incluindo aí algumas piadas (não sei contá-las ao vivo, mas sei escrevê-las). De futebol entendo pouco, mas como todo brasileiro é um técnico, com certeza acabarei dando meus pitacos aí também.

Ah, mas o assunto mais recorrente será, sem dúvida, a política local, esta consegue ser uma fonte inesgotável para quem gosta de escrever e não tem medo de expor suas opiniões.

Os comentários passarão por minha aprovação, mas isto não quer dizer que só os elogiosos aparecerão. Se forem sinceros aceitarei até os que me mandarem para lugares não tão aprazíveis.

No meu boteco pode beber e fumar o que quiser, só não vale pedir fiado, pois


FIADO SÓ AMANHÃ!

O dia em que a avenida parar:

(pulblicado no Jornal Cidadela em 21/08/2009)

Ô semaninha sem graça essa que passou, né?! Já estou dois quilos mais gorda por conta da gripe que deixou todo mundo em casa! Ainda bem que na sexta-feira passada precisei sair e me diverti muito com uma cena inusitada: um homem estava “plantando” duas arvorezinhas no meio da pista de rolagem da Avenida Caetano Branco!

Era um senhor de chapéu que tranquilamente se postou no meio da rodovia, não deu a menor importância nem para mim, nem para os demais veículos. Tranquilamente seguiu com seu trabalho de “jardineiro”.

Liberado o trânsito não agüentei o que vi e caí na gargalhada! Seria uma forma de avisar os motoristas que ali havia buracos? Ou seria uma espécie de protesto? Ou, quem sabe, ele já teria tido filho e escrito um livro?

Seja lá o que tenha passado pela sua cabeça, não dá para ignorar o fato de ele ter aproveitado o “meio caminho andado”, o buraco já estava feito! Nem precisou cavar muito. Aliás, são vários buracos! Dá para criar uma floresta se for plantar em cada um deles!

No final de semana tive a oportunidade de conversar com alguns moradores da região por onde passa aquela avenida, todos estão descontentes, para não dizer enfurecidos com o que (não) vem acontecendo. Alguns apostaram suas fichas de que as tais arvorezinhas se tratavam de um protesto, pois esta é uma idéia recorrente entre outros deles: fechar a Avenida Caetano Branco, “ninguém entra, ninguém sai”.

Lembrei de uma historinha que li há uns anos atrás sobre a importância de cada órgão do corpo humano onde o menos provável conseguiu demonstrar o seu poder, levando quase todos à falência com um simples “parar de deixar fluir”. Acho que tanto no texto quanto na vida real os mais ignorados/esquecidos, são de suma importância...

Nas rodas de discussão dizem que a avenida é do Estado e é ele quem deve mantê-la em condições de trafegabilidade. Tudo bem. Se for assim, eu concordo. Mas alguém me explica: Por que tem lombadas eletrônicas naquela avenida? Elas não são administradas pelo Município?! Por que Luzerna (que “acho” que é município) está fazendo o que pode para diminuir o número de buracos?

E se é responsabilidade do Estado, onde ele está nesse momento? Eu acreditei que Joaçaba teria mais influência lá na capital, afinal temos o Jorginho Mello na ALESC, o Desembargador João Eduardo Souza Varella no TJSC. Ou será que já veio algum “caraminguá” para esta reforma e acabou indo para o alcatrão de outra rodovia?

Seja lá como for, quando os moradores resolverem “partir para a ignorância”, quando montarem barricadas, queimarem alguns veículos (como vemos na TV), pararem o fluxo (como naquela historinha); não faltará radialista, político, comentarista, dizendo “não é por aí o caminho”...

E não é mesmo; é lá pela Rodovia do Ovo!

Há Braços!

Elisabete Margot Vieira
Advogada e ativista de plantão.

Mexe-se em time que está ganhando?

(publicado no Jornal Cidadela em 14/08/2009)


Dia 04 de agosto estive presente a V Conferência da Assistência Social e saboreei tudo, desde o cafezinho até as palavras ditas por todos que se manifestaram. Um deles foi nosso prefeito que, num discurso acalorado, fez questão de afirmar que "não admite o rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre". Pronto! Foi quem melhor sintetizou o espírito daquele evento! Caramba! O evento podia acabar ali! Ou então só tratar de "como" fazer para que isso aconteça. E foi por aí, foi nesse sentido que nos debruçamos nos debates e estudos.

Mas não adianta, aquela voz interior que me fala sempre me fazia questionar: se ele quer justiça social, porque não deixa que o Conselho de Assistência Social decida o que fazer com o dinheiro do repasse dos 15% da Zona Azul? Se são os membros do Conselho que sabem onde estão os "cada vez mais pobres"?

Nem deve ser tanto dinheiro assim. Sei lá! Em maio pedi informações quanto a isso, em julho reiterei meu pedido, mas até agora nada... Vou Fazer uma estimativa pela informação que o prefeito me deu em abril, numa reunião em seu gabinete; deve estar na casa dos R$ 160.000,00. Estimativa de quem nada entende de matemática ou contabilidade. Quem sabe o Ministério Público tenha mais sucesso e possa nos ajudar a saber, afinal deixei lá meus protocolos...

Sei que a Creche Irmã Sheila precisa de tudo e mais um pouco, que está literalmente contando moedas para se manter, que os tacos onde as crianças circulam começaram a se soltar, que todo mês precisa da união de algumas pessoas para pagar funcionários (eu sou uma delas). Há outras instituições tão ou mais necessitadas do que a Creche, mas por ignorância minha não vou descrever as suas necessidades, mas que "las hay, las hay". Não falta quem precise deste dinheiro, um pouquinho que seja.

Parto do princípio que o poder público é o "rico" e as entidades deste tipo, o "pobre". Levando-se em consideração que as entidades sobrevivem de esmolas e da "boa-vontade" do poder público, represar este dinheiro em uma conta vinculada na expectativa que seja aprovado um Projeto de Lei que autorize o Executivo a deliberar sobre o encaminhamento destes recursos é, no mínimo, desumano!

Joaçaba está uma "zona", no sentido da gíria coloquial, nada a ver com o "estabelecimento". A única coisa que vem funcionando bem e recebendo elogios de todos os lados é a área da Assistência Social. Sei disso porque tenho contato com todas as esferas desta secretaria, me sento com "usuários" e com "dirigentes". Todos parecem satisfeitos: estão sendo assistidos, estão conseguindo fazer milagres com os poucos recursos que possuem.

Vou tirar do futebol uma coisa que é verdade: Em time que está ganhando não se mexe! Então?! Deixem as coisas como estão, liberem as verbas para os "mais pobres", deixem o Conselho decidir quem são estes "mais pobres". E que a decisão dele seja soberana, que não esbarre em uma mesa que dá de frente para uma praça ali do centro da cidade, onde (ainda) está o verdadeiro poder de decidir.

Semana que vem este projeto de lei será votado, até lá eu vou continuar a contar moedas, afinal de contas as crianças precisam ter onde ficar para que suas mães possam gerar a riqueza deste município. Na quinta-feira, meus companheiros e eu estaremos lá, firmes em nossa decisão de ajudar o prefeito no sentido de que os ricos não fiquem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres...

Os mais antigos vão lembrar da musiquinha:
"Este é um país que vai pra frente ou ou ou ou ou"

Há Braços!


Bete Vieira
Advogada e ativista de plantão.

Uma questão de prioridade/respeito

(Publicado no Jornal Cidadela em 31/07/2009)

Já está na boca do povo a próxima atrocidade cultural de nossa cidade: Rodeio Country com César Paraná - uma agressão aos animais e ao bolso dos contribuintes. Virá para cá com o apoio e o trabalho da administração pública, isso mesmo, com o apoio e “suor” do nosso prefeito “protetor de animais”.

Rodeio Country em Joaçaba não tem nada a ver com nossa cultura! Nós não temos motivos nem coerência para apoiar um evento deste tipo que é mais uma forma de agredir os moradores desta cidade, apunhalando as costas dos que inocentemente votaram neste prefeito, dos que humildemente pagam os impostos, dos que acreditaram que Joaçaba se tornaria uma cidade melhor...

Que tal se ouvirmos os moradores sobre o uso do dinheiro público? Perguntem se a verba que será usada para o rodeio não seria muito melhor empregada se déssemos um presente para a aniversariante? Joaçaba merece “roupas novas”: ruas sem buracos, pontos de ônibus, calçadas, placas de ruas, faixas de pedestres, etc, etc, etc.

A Prefeitura não atende aos pedidos dos moradores para “patrolar” as estradas do interior, mas já vemos suas, (digo, nossas) máquinas trabalhando com afinco para preparar o terreno (particular) onde se planeja montar o evento. Se falta respeito ao cidadão, fico constrangida em tentar defender os animais, mas esta é minha principal bandeira, e eles não votam...

Eu luto pelos animais, mas não consigo me calar diante desta atitude de desrespeito! Está faltando tudo em Joaçaba e quando questionamos temos como resposta que não há verba! Tudo bem, com certeza virão a público explicar que este dinheiro é para as festividades, mas alguém em sã consciência “dá festa” sabendo que amanhã não terá dinheiro para comprar um Band-aid?

Mais uma vez acabei me desviando do assunto, contudo deixo aqui alguns tópicos que podem contribuir para a formação da opinião de cada um sobre o tema.

1 - O rodeio não é esporte e nem cultura, pois nenhuma prática da qual resulte a violação da integridade física e psicológica dos animais pode ser considerada com tal;

2 - O rodeio é, para os animais, violência psicológica devido à situação de estresse a que são submetidos, e também violência física, causando-lhes ferimentos e fraturas, devido aos instrumentos utilizados e aos tombos que levam;

3 - O rodeio é uma farsa, pois os animais nele utilizados não são bravios. Eles estão sob imensa tortura física e psicológica que os faz pular, saltar descontroladamente;

4 - O rodeio é pratica copiada dos Estados Unidos e nada tem a ver com as nossas raízes culturais;

5 - O rodeio constitui em um péssimo exemplo para nossas crianças e jovens de como devemos tratar os animais;

6 - O rodeio é uma prática criminosa do ponto de vista da Lei, da Religião, da Ética e da Moral.

Nós temos nossos deuses, nós os reverenciamos. Pois é! Para os animais nós somos deuses! E Deus não nos machuca, não nos coloca um sedem...

Bete Vieira – advogada e ativista de plantão

Estou indignada!

(publicado no Jornal Cidadela em julho/2009)

Elegemos um prefeito que desdobrou em promessas, em abraços, em apertos de mão, em beijinhos, para angariar votos e agora dá as costas a tudo que prometera, a tudo o que dizia ser sua filosofia de vida!

Demos um prazo para o moço se adaptar ao novo cargo, mas cada dia que passa parece que está se especialisando em angariar a antipatia dos que até então lhe davam um voto de confiança...

A uns dois meses atrás, me dei ao trabalho de escrever-lhe um e-mail para descrever o quão descepcionada eu estava e me colocando à disposição para ajudar no que fosse do meu alcance. Esta mensagem foi com cópia para nossos vereadores, pois eles também são parte interessada, e recebi algumas manifestações, mais nenhuma do principal destinatário.

Creio que nosso prefeito deva ter atingido o ápice do seu sonho político, ser prefeito de uma cidade pequena deve ser o máximo que ele sonhava. Só isso para me fazer entender suas atitudes atuais!

A gota d'água foi saber que haverá rodeio country em nossa cidade. Não será um rodeio crioulo, este que demonstra nossas lides campeiras, mas um nefasto espetáculo de tortura e subjulgação de animais que, por natureza, nada têm de furiosos...

Tentei argumentar, e ao pedir que o dito rodeio fosse, pelo menos, o "crioulo", recebi como resposta de que neste tipo de rodeio "não vai ninguém". Pedi que fizessem um show, mas a resposta foi de que não havia dinheiro para este tipo de evento. Pedi que fizessem um rua de lazer, onde entidades do terceiro setor e órgãos
públicos poderiam montar stands e oferecer serviços para toda a população, uma área com brinquedos para as crianças, uma área de lazer para os idosos.

Mas nada! Estão irredutíveis em gastar o dinheiro público que só agradará uma pequena parcela da população e que deixará de lado a sua grande maioria... E isso sem falar nos que vão lutar com todas as forças para que este evento não aconteça!

Em outra oportunidade falarei do rodeio country e de suas mazelas, por hoje só adianto que Joaçaba não se esquecerá desta festa de aniversário!

E 2010 está aí... Ano que vem temos eleições...

E-mail enviado ao prefeito e vereadores de Joaçaba/SC em 22/05/2009

Caro Prefeito Rafael:

Tendo em vista que já se passaram 10% do seu mandato e até o momento nada de novo ou de melhor está acontecendo em nosso município, venho externar minha decepção com relação à atuação do Poder Executivo de Joaçaba.

Aos 36 anos nunca havia me entrincheirado em campanhas políticas, sequer tinha ido a um comício, mas ao vislumbrar em você a possibilidade de que algo melhor pudesse acontecer para nossa população, vesti a camisa, "adesivei" meu carro e minha moto, pedi votos a todos os conhecidos e desconhecidos...

Não sou uma alienada política, mas sempre procurei me manter afastada de tudo o que me fizesse mal. Aprendi uma lição no ano de 1986 quando vi o empresário Antônio Ermírio de Moraes definhar diante das câmeras durante uma campanha para o governo de São Paulo. Ele, um homem que certamente estava pleno de boas intenções, foi destruído por seus opositores. Aprendi com ele a me manter afastada da política(gem).

Apesar de minhas convicções me impedirem de votar no PFL/DEM, passei por cima dos meus princípios e votei neste partido. Nem tanto por isso, afinal as siglas partidárias há muito já perderam sua razão de ser, mas pelo fato de conhecer a história de nosso país. Nesta última eleição dei prioridade à pessoa e não ao político. Talvez aí esteja meu maior desalento. Tinha esperança de ver as promessas sendo cumpridas, pelo menos as menores.

Do Secretário de Saúde recebi a informação de que na segunda quinzena de abril iniciaríamos as discussões para tratar das políticas públicas para o controle das zoonoses e população de animais de rua. Prefeito, estamos em maio!

Deste mesmo Secretário recebo a orientação de procurar o Ministério Público para resolver assuntos pertinentes à Vigilância Sanitária. Isso sem mencionar que eu acreditava que encontraria neste órgão amparo para a solução de outros problemas que afligem nossa comunidade, quais sejam: envenenamentos, estabelecimentos irregulares, pessoas doentes por conta do contato com animais, etc.

Na causa animal tudo continua exatamente como nos tempos anteriores: uma meia dúzia de pessoas arcando financeiramente e trabalhando para suprir a lacuna da obrigação legal do município. Já fomos cobrados por agentes de saúde do bairro Menino Deus do porquê de não fazermos a vacina antirrábica nos animais. Será desconhecimento ou ma-fé? De quem é a obrigação de evitar futuras epidemias? Minha? Dos poucos voluntários da ONG??

São muitos os assuntos que me entristecessem, outro é o caso do terreno que será revertido para a Prefeitura de Joaçaba, que antigamente estava cedido em comodato para o Lar da Criança:
Ninguém me falou, eu vi e ouvi, pois fui uma das pessoas que se abalou até Florianópolis para conseguir reverter este imóvel para o Lar do Idoso. Ou melhor, só estamos conseguindo esta reversão por conta dos argumentos que utilizamos, no sentido de Joaçaba precisar urgentemente de uma entidade desta modalidade.

Fiquei perplexa ao ouvir do Procurador do Município que "o terreno é muito Grande para o Lar do Idoso". Somos nós que estamos correndo atrás de tudo e de todos para que seja possível a instalação desta entidade em nosso município! Mais uma vez é o terceiro setor lutando para trabalhar, para atuar em conjunto com o Poder Público onde este não tem atuação, apesar de não faltarem dispositivos legais para isso.

Costumo ler os editais que são publicados diariamente em jornal local, sinto que está havendo uma enxurrada de terceirizações, que num primeiro momento é menos oneroso, mas que em breve mostrará sua face nefasta quando do esvaziamento da Previdência Municipal. Quem vai arcar com as aposentadorias futuras? Está havendo um estudo sério sobre os impactos destas terceirizações?

Há muita coisa errada, se por sua responsabilidade ou não, não sei, mas chega de acusar o mandato passado, até mesmo porque todos sabemos que muitos que estão hoje, estiveram ontem...

Tive oportunidade de ver a previsão de orçamento para 2010, novamente o Carnaval em detrimento da população carente... Lembra de uma reunião em que eu perguntei à você sobre este assunto? Ouvi como resposta que os valores seriam revistos, que as prioridades seriam outras... Mais uma vez sinto que estou sendo ludibriada.

Vou acompanhar muito de perto esta questão do orçamento, poderei ser apenas uma voz na multidão, mas não vou deixar de gritar que há crianças precisando de salas de aula, que há doentes sendo levados para cidades longe daqui, que não há saneamento básico adequado em grande parte da cidade, que há grupos tentando fomentar outro tipo de cultura, que a violência está tomando forma e força, etc etc etc...

São tantas as coisas que vêm me incomodando que não pude deixar de externar pelo menos algumas, afinal de contas sou uma pessoa transparente e acredito que as mágoas guardadas são futuras doenças a serem combatidas. Não posso perder o sono, não posso perder minha saúde por não me manifestar.

Espero sinceramente que nosso município não seja adminstrado à sombra do Ministério Públio, do Tribunal de Contas do Estado, ou de outros sem número de órgãos fiscalizadores. Eu quero uma cidade melhor!

Da minha parte pode sempre contar comigo, estarei sempre disposta a ver uma Joaçaba melhor, mais saudável, mais democrática, mais acessível. O que estiver a meu alcance não me furtarei em arregaçar as mangas. Estou fazendo uma especialização em Direito Municipal, assim poderei entender melhor os meandros que envolvem nossa Prefeitura e Câmara de Vereadores e ser efetivamente útil.

Este e-mail está sendo enviando com cópia aberta para todos os vereadores do município, afinal essas minhas palavras se estendem a todos, uns mais outros menos merecedores de lê-las, mas que fiquem cientes que sonho com uma Joaçaba que ainda é possível.

Um forte abraço,
Elisabete Margot Vieira
Advogada e ativista de plantão.

PS - peço desculpas se o pronome de tratamento não foi utilizado de forma correta, mas foi proposital, afinal de contas estamos todos na mesma luta, somos todos iguais, não é mesmo?!