24 de ago de 2009

Mexe-se em time que está ganhando?

(publicado no Jornal Cidadela em 14/08/2009)


Dia 04 de agosto estive presente a V Conferência da Assistência Social e saboreei tudo, desde o cafezinho até as palavras ditas por todos que se manifestaram. Um deles foi nosso prefeito que, num discurso acalorado, fez questão de afirmar que "não admite o rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre". Pronto! Foi quem melhor sintetizou o espírito daquele evento! Caramba! O evento podia acabar ali! Ou então só tratar de "como" fazer para que isso aconteça. E foi por aí, foi nesse sentido que nos debruçamos nos debates e estudos.

Mas não adianta, aquela voz interior que me fala sempre me fazia questionar: se ele quer justiça social, porque não deixa que o Conselho de Assistência Social decida o que fazer com o dinheiro do repasse dos 15% da Zona Azul? Se são os membros do Conselho que sabem onde estão os "cada vez mais pobres"?

Nem deve ser tanto dinheiro assim. Sei lá! Em maio pedi informações quanto a isso, em julho reiterei meu pedido, mas até agora nada... Vou Fazer uma estimativa pela informação que o prefeito me deu em abril, numa reunião em seu gabinete; deve estar na casa dos R$ 160.000,00. Estimativa de quem nada entende de matemática ou contabilidade. Quem sabe o Ministério Público tenha mais sucesso e possa nos ajudar a saber, afinal deixei lá meus protocolos...

Sei que a Creche Irmã Sheila precisa de tudo e mais um pouco, que está literalmente contando moedas para se manter, que os tacos onde as crianças circulam começaram a se soltar, que todo mês precisa da união de algumas pessoas para pagar funcionários (eu sou uma delas). Há outras instituições tão ou mais necessitadas do que a Creche, mas por ignorância minha não vou descrever as suas necessidades, mas que "las hay, las hay". Não falta quem precise deste dinheiro, um pouquinho que seja.

Parto do princípio que o poder público é o "rico" e as entidades deste tipo, o "pobre". Levando-se em consideração que as entidades sobrevivem de esmolas e da "boa-vontade" do poder público, represar este dinheiro em uma conta vinculada na expectativa que seja aprovado um Projeto de Lei que autorize o Executivo a deliberar sobre o encaminhamento destes recursos é, no mínimo, desumano!

Joaçaba está uma "zona", no sentido da gíria coloquial, nada a ver com o "estabelecimento". A única coisa que vem funcionando bem e recebendo elogios de todos os lados é a área da Assistência Social. Sei disso porque tenho contato com todas as esferas desta secretaria, me sento com "usuários" e com "dirigentes". Todos parecem satisfeitos: estão sendo assistidos, estão conseguindo fazer milagres com os poucos recursos que possuem.

Vou tirar do futebol uma coisa que é verdade: Em time que está ganhando não se mexe! Então?! Deixem as coisas como estão, liberem as verbas para os "mais pobres", deixem o Conselho decidir quem são estes "mais pobres". E que a decisão dele seja soberana, que não esbarre em uma mesa que dá de frente para uma praça ali do centro da cidade, onde (ainda) está o verdadeiro poder de decidir.

Semana que vem este projeto de lei será votado, até lá eu vou continuar a contar moedas, afinal de contas as crianças precisam ter onde ficar para que suas mães possam gerar a riqueza deste município. Na quinta-feira, meus companheiros e eu estaremos lá, firmes em nossa decisão de ajudar o prefeito no sentido de que os ricos não fiquem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres...

Os mais antigos vão lembrar da musiquinha:
"Este é um país que vai pra frente ou ou ou ou ou"

Há Braços!


Bete Vieira
Advogada e ativista de plantão.

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