4 de set de 2009

Eu não sou Joaçabense...

Parece que o fato de eu não ser joaçabense nata não me dá o direito de me manifestar sobre as coisas da cidade...

Vem de tempos que eu sinto isso e ontem ficou patente!

Era mais uma das audiências públicas que vêm acontecendo em Joaçaba (graças a Deus parece que as coisas "tomaram rumo" no tocante a isso); eu pensei que nem precisaria me manifestar, pois como indivíduo não tinha muito do que me queixar, mas lá pelas tantas não me aguentei e tive que me pronunciar. Mas agora não é o momento para tratar do contexto da minha fala e sim do que aconteceu logo depois.

Eu falei o que pensava, alertei os presentes e logo depois um vereador tomou a palavra e veio com uma "conversa mole" de que ele e alguns outros presentes eram joaçabenses (citou os nomes), que eles sabiam que as coisas são assim há mais de vinte anos, que os joaçabenses sabem como as coisas funcionam, e blá blá blá.

O que o cú tem a ver com as calças???? - [o blog é meu eu falo do jeito que quiser]

Desde quando o fato de uma pessoa não ter nascido na cidade faz com que ela não veja o óbvio?? E por que não essa censura velada às minhas palavras?? São mentiras?? São equivocadas?? (e mesmo que sejam estamos num país onde a liberdade de expressão é um dos nossos maiores valores, oras!)

Vou trazer para esta situação a questão da adoção de um filho. Por acaso a mãe adotante é menos mãe por que não pariu o rebento?? "Ah tá", é mais mãe aquela que põe uma porção de criança no mundo sem a menor responsabilidade, esta sim é mãe de verdade, não é mesmo?? Se seguirmos o raciocíno do nobre edil, é bem por aí...

Joaçaba não é minha terra natal, assim como também não é da Natália Zílio!!! Ela se criou aqui e fiz opção de ser como uma filha adotiva (e não me sinto menos "filha" por isso). Amor se conquista, minha "mãe natural" não me cativou, encontrei outra, mas confesso que pára por aí a figura da mãe, pois esta cidadezinha tão amanda está tão carente que mais precisa receber do que dar amor...

Se eu tivesse nascido aqui talvez estivesse anestesiada como muitos que vejo e convivo; sabem de tudo, estão descontentes, mas não conseguem se mexer. Talvez seja anos de água do Rio do Peixe: um pouco faz bem, um pouco durante muito tempo deve ter o condão de entorpecer os sentidos. Talvez eu fosse mais um que liga o rádio para saber que opinião deverei ter...

Outra pergunta aos que estufam o peito para dizer que são joaçabenses e que tudo isto acontece "há mais de vinte anos": Onde vocês estavam este tempo todo??? Fazendo acordos? Recebendo favores? Mamando na "vaca magra"?? Não consigo entender, se sabem que isto acontece há tanto tempo por que deixaram "a cobra se criar"???

Precisa vir gente de fora, "forasteiro" mesmo, para balançar o coqueiro e derrubar a macacada?? Pode ser, talvez alguém de fora consiga ter mais discernimento e ver que há muita coisa errada, de tão errada chega a ser desproporcional ao tamanho da cidade. E se é alguém com um pingo de "sangue nas veias", "fogo nas ventas", como eu, é lógico que não vai conseguir se calar!

Mas nem tudo está perdido, vejo que os "bons" superam em número, só estão acuados. E muita gente me trata como se eu fosse uma conterânea, como quem saiu e voltou (essa é a sensação que tenho, talvez isso seja verdade, afinal eu acredito que vivemos outras vidas passadas e futuras). Me sinto bem ao lado deles, sou feliz aqui. E, para alegria de uns e tristeza de outros, não pretendo ir embora tão cedo...

"Eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo, minhas malas coloquei no chão. Eu voltei. Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou, acho que só eu mesmo mudei.

E voltei, eu voltei agora é pra ficar porque aqui, aqui é o meu lugar! Eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei...

Fui abrindo devagar, mas deixei a luz entrar primeiro, todo meu passado iluminei e entrei. Meu retrato ainda na parede, meio amarelado pelo tempo, como a perguntar por onde andei, eu falei: Onde andei não deu para ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar, eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei...

Sem saber depois de tanto tempo, se havia alguém a minha espera, passos indecisos caminhei e parei quando vi que dois braços abertos me abraçaram como antigamente tanto quis dizer e não falei e chorei...

Eu voltei agora é pra ficar porque aqui, aqui é o meu lugar, eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei, eu voltei, agora é pra ficar porque aqui, aqui é o meu lugar, eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei."

4 comentários:

  1. Bete concordo com tudo o que você falou. Já ouvi muito esta expressão "fulano nem é gente daqui"... geralmente fala nesses termos a geração mais antiga, qdo os limites de conhecimento eram mesmo só seu mundinho, bem antes da globalização. Os mais novos não são tão atrasados e preconceituosos assim. Td tende a melhorar num futuro próximo!... hehe. Além do mais, acima de tudo somos BRASILEIROS! No estress, dear Bete. You are the BEST!!!!

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  2. Sou o Mário Serafin!
    Grandes bostas, dirão alguns, mas tenho que me manifestar nessa. O Pior não é ouvir que a gente não é daqui, mas ouvir aqueles que querem se apropriar das coisas do Município dizer: "Bem que esse cara poderia ir embora". Mas, finquei pé aqui, aqui tenho minhas coisas e por aqui fico, agrade ou não.
    Bete, você recebeu um elogio muito importante nesta semana e como nem tudo é perfeito, teve um contra ponto que não irá te abalar, tenho certeza.
    Depois tem outra. Ocupamos nosso espaço sem medo e por isso nos torna mais joaçabenses do que muitos acomodados e vendo o bonde passar.
    Adiante, firmes e fortes!

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  3. Concordo com a Cláudia!

    Somos BRASILEIROS!
    E as fronteiras precisam ser quebradas! Sejam elas físicas ou psicológicas!

    Precisamos romper as fronteiras do preconceito racila social e regional. Precisamos visualizar o mundo como um todo que precisa se desenvolver junto, e não uns países se desenvolverem às custas de outros!


    Quando pararmos com a idéia de fronteira (ai vc não é daqui) começaremos a ter mais compaixão por aqueles que estão sendo explorados em nome desses petriotismos (ou regionalismos)!


    hahahha tá saí do tema, mas valeu o coemntário!

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  4. As fronteiras,sim precisam serem derrubadas e isto é natural na sociedade, sem criação cotas,que é um tiro pela culatra.Quanto aos "forasteiros", devem ter o cuidado de não beberem água do Rio do Peixe, em doses homeopáticas, durante 20 anos para não sofrerem do condão entorpecente dos sentidos.Alternância de poder é democracia e desenvolvimento.

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