13 de set de 2009

Sopa de letrinhas

(publicado no Jornal Cidadela em 11/09/09)

Quem não lembra de ter comido uma sopa de letrinhas? Mais brincado do que comido, montando palavrinhas e deixando a sopa gelar? Era muito bom! Pena que o tempo passa e a gente para com essas coisas. Pelo menos a maioria, pois alguns viram políticos e criam partidos e voltam a brincar com as letrinhas.

Nasci em 1972 (uma mulher normal não contaria isso) e não sou nenhuma cientista social e muito menos comentarista política, então vou escrever como uma pessoa comum, pedindo desde já perdão pelos equívocos, pois usarei como fonte apenas minha memória dos anos já vividos.

Quando era pequena lembro que havia a ARENA e o MDB, como venho de família bastante politizada (tem até Ministro nela!) sempre ouvia que a ARENA era a “direita”, era coisa dos militares, e o MDB era um outro grupo de gente que era sempre “do contra”. Depois vi que a tal ARENA tinha virado PDS e o tal MDB agora era PMDB. Mas tudo me fazia pensar que só era uma mudança de letrinhas.

Parece que o pessoal gostou da brincadeira e não parou mais! Eu lembro disso: ARENA – PDS – PFL – DEM. Acho que o MDB gostou de ficar PMDB. Mas daí não parou de surgirem novas combinações: PT, PV, PP, PSDB, PTB, PDT, PSol, PC do B (esse eu sei que é bem antigo, mas era impronunciável nas conversas – parecia que era uma palavrinha mágica que fazia soar a sirene da polícia).

Agora leio que tem até o PIG! Até poucos dias atrás isso era “porco” em inglês. Qual nada! Se existe ou não, já foi batizado! É um tal de Partido da Imprensa Golpista. Cada uma!

Quando cresci entendi que essas novas siglas nasciam por conta das diferenças de pensamentos e as pessoas se juntavam por afinidade de idéias e “partiam” para outra direção. Pronto! Está aí! O “P” é de “partido”! Então, se está partido é porque não está grudado!

Mas o tempo passa e a gente vê que em política não é bem assim, ali ninguém tem compromisso com a lógica ou com a coerência. Começo a acreditar que nem com a sanidade, afinal eu sempre escuto falar em “choque de crescimento”, “choque de seriedade”. Choque me lembra sanatório e se fosse bom não haveria louco no mundo.

“Chocada” fiquei eu dia desses! Elegemos um prefeito do DEM (alguns gostam de colocar um “o” logo ali atrás), mas quem manda é o PSDB?! Vou explicar melhor:

Dia desses atrás encontrei nosso Diretor de Eventos (que foi candidato a vereador pelo DEM), nos cumprimentamos e logo depois ele me solta essa: “Bete, vamos fazer o rodeio, o Jorginho quer”. Pronto! A casa caiu pra mim! Mas se estão pensando que foi por causa do maldito rodeio, estão redondamente enganados! É que eu pensei que o prefeito fosse outra pessoa, que tivesse outro nome!

Na primeira série – com seis aninhos - nunca vou esquecer o dia em que a minha professora perguntou “quem manda na cidade?”. O Fabrício de um pulo gritou “o xerife!”. Não, não era o tal xerife. Era o Prefeito! Juro de pé junto que até os meus 37 anos eu acreditei na minha professora...

Então é assim? Partido não significa que está separado, é mais ou menos como aquela coisa de “tudo junto e misturado”?!. Prefeito não manda nada na cidade, é Deputado que faz isso?! Saudades das minhas aulas de Educação Moral e Cívica e de OSPB (Organização Social e Política Brasileira)! Queria ter esta sabedoria de hoje para dizer aos professores que eles não sabiam de nada. Que “na prática a teoria é outra”.

Mas tem coisa que só o tempo nos ensina...

Por enquanto fico com meus devaneios sobre as letrinhas, porque, quanto ao rodeio, este se houver, será o motor da “caçamba” que vou despejar nos pés de uns e outros. Mas isso é assunto lá pra 2010...

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