12 de out de 2009

As lições que deveríamos ter aprendido

(publicado no Jornal Cidadela em 02/10/09)

Estes últimos dias têm sido marcantes para todos os que se importam com o meio ambiente, para todos os que amam animais, plantas e todo o resto da Criação. É aquela coisa de fechar um ciclo para iniciar outro, algo como a lagarta que tem que desaparecer para voltar na borboleta.

Há décadas Joaçaba contava com a presença de um ser iluminado que sabia da importância de todo ser vivo, que tinha consciência de que o homem é apenas mais um dos seres que habitam esse nosso planeta, portanto não detentor de todos os poderes e direitos que acredita possuir.

Sua vida foi marcada entre duas missões: salvar animais indefesos e nos salvar de nós mesmos. A primeira apesar de cansativa era fácil, pois era médico veterinário de formação, tinha meios de amenizar o sofrimento dos nossos irmãozinhos inferiores, e o fazia com a maestria de um santo.

A outra missão era inglória: mostrar-nos que não somos nem um pouco mais importantes do que qualquer outro animal, que nós morreremos se eles morrerem. Respeito pelos seres da criação era só isso que ele pregava...

Seus olhos se fecharam, a floresta silenciou entre respeito e reverência. Sua luta continua em outros que o admiravam e que sabem que suas lições eram preciosas; se não acrescentarmos nada, que pelo menos não sejamos os responsáveis pela destruição.

Nestes mesmos dias de ocaso nascem movimentos que tentam reverter esse processo de degradação em que entramos: surgiu o debate sobre o consumo consciente e tratamento do nosso lixo, a conferência para discutir a saúde ambiental.

O engraçado de tudo isso é ver que precisamos que doutores venham nos falar o óbvio! Um homem de jeito simples não serviu para nos ensinar. Em poucas horas de palestras aprendemos muito, não consigo entender como seis décadas de ensinamentos parecem não terem surtido efeito. Ah sim! As lições eram dadas em forma de exemplos e palavras simples, nada e fotos, protocolos, câmeras, microfones, daí não valiam...

Ele era um visionário, sonhava com um mundo sem poluição antes mesmo de sofrermos com isso. E justamente por isso era visto como louco, afinal de contas ele via o que nós não podíamos conceber: um caos na Criação. Como dizem as crianças “bem-feito pra nós”. Agora estamos aqui desesperados tentando resolver problemas que nós mesmos criamos!

Como temos a mania de dar valor somente depois que perdemos, espero que a ida do irmão Teodorico sirva de marco para uma nova postura. Com certeza a vida dele não foi em vão. Apesar de muitas vezes ele acreditar estar “pregando no deserto”, algumas vozes se levantam e clamam por justiça e amor. Essas vozes são as nossas, são as dos animais, são de toda a floresta, de todo o universo.

Ninguém precisa se tornar um ativista de noite para o dia basta um pouco de “vergonha na cara”! Não gosta de bicho? Não agrida! Não gosta de plantar? Não corte! Afinal de contas o ditado já diz tudo: muito faz quem não atrapalha. Mas a arrogância, a soberba, o antropocentrismo tem o poder de imbecilizar até os mais estudados. Uma pena...



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A Ponte do Arco-Íris

O pequeno filhote e o cão mais velho estavam deitados à sombra, sobre a grama verde, observando os reencontros. Às vezes um homem, às vezes uma mulher, às vezes uma família inteira se aproximava da Ponte do Arco-Íris, era recebida por seus animais de estimação com muita festa e eles cruzavam juntos a ponte.

O filhotinho cutucou o cão mais velho: "Olha lá! Tem alguma coisa maravilhosa acontecendo!" O cão mais velho se levantou e latiu: "Rápido! Vamos até a entrada da ponte!" "Mas aquele não é o meu dono", choramingou o filhotinho; mesmo assim ele obedeceu.

Milhares de animais de estimação correram em direção àquela pessoa vestida de branco, que caminhava em direção à ponte. Conforme aquela pessoa iluminada passava, cada animal fazia uma reverência com a cabeça em sinal de amor e respeito. A pessoa finalmente aproximou-se da ponte, onde foi recebida por uma multidão de animais que lhe faziam muita festa. Juntos, eles atravessaram a ponte e desapareceram.

O filhotinho ainda estava atônito: "Aquilo era um anjo?", perguntou baixinho. "Não, filho", respondeu o cão mais velho. "Aquilo não era só um anjo. Era uma pessoa que trabalhava em um abrigo de animais.".

(desconheço o autor)

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