16 de out de 2009

Lá e cá:



(pulbicado no Jornal Cidadela em 16/10/09)


Estive em São Paulo, fui a trabalho, mas Joaçaba não me saía da cabeça, ora me vinha uma sensação confortável de saber que moro num paraíso, ora vinha o gosto amargo da angústia de saber que ela poderia ser mais bem cuidada, que as coisas poderiam ser melhor conduzidas.

Eu sempre brinco “Joaçaba, Herval e Luzerna não dá um FLA FLU”, remetendo ao clássico de futebol que reúne mais de 50 mil pessoas. “Se a gente não der conta, então fecha a bodega”.

Lá de cima do viaduto eu via aquele mar de carros, todos parados, tudo travado. Lembrei da nossa esquina da XV com a Santa Terezinha, um estresse danado para sincronizar um farol! Deu vontade de pedir ajuda para a mente que organiza aquilo tudo, quem sabe ele consegue “acertar a mão”. Mas eu agradeci a Deus pelo farol da XV, é só ele que me incomoda, um congestionamentozinho de 10 minutos não mata ninguém...

Lá no Salão Duas Rodas constatei como as motos e outros “bichos” conseguem ser uma unanimidade, vi todas as gerações, todas as cores, todos os sexos, todas as tribos. Eram senhorinhas e crianças perambulando entre um stand e outro. Novamente me veio à mente minha amada cidadezinha: Por que não fazer um evento deste estilo lá pra nossas bandas? Poderíamos ser um pouco originais e sair do circuito rODEIO – Show Sertanejo que acontece em praticamente em todas as cidades circunvizinhas.

Alguns vão torcer o nariz, mais por desconhecimento do que por opinião. Pois bem, já perdi a conta de quantos encontros de moto eu fui e, apesar das figuras “esquisitonas”, são “da paz” e só querem ser felizes. Vi muitos motociclistas mais “família” do que muito “rato de igreja”. Não dá para avaliar o conteúdo pela embalagem. É uma turma do bem.

Muita gente viria para Joaçaba, estaríamos inovando na região, poderíamos entrar para o calendário de eventos de muitos turistas (igual Lages e o Motoneve, que acontece todo mês de julho). A cidade teria outra coisa para ser lembrada além do nosso belo Carnaval.

O nariz coçava. “Na minha terra o ar é puro”. Vi um passarinho e parecia que tinha visto um elefante na calçada. “Na minha janela os pássaros me dão bom-dia”. Me vem a sensação de que estamos reclamando de “barriga cheia”, que aqui é um paraíso, que “se melhorar estraga”. Mas daí eu lembro que São Paulo um dia teve o tamanho de Joaçaba e que não atentou para os fatos e agora agoniza num mar de carros, num mar de m&rd@. Tudo muito bem canalizado, mas não deixa de ser o que é. Lembrei do Rio do Tigre, um dia ele conseguirá ser um Tietê, basta continuar nesse rumo.

O bom de a gente ir para estas cidades muito grandes é que lá todos os problemas são gigantes. Daí a gente vem para a casa com mais gás para “arregaçar as mangas” e trabalhar para o bem da nossa Joaçaba. Aqui, diferente de lá, a vontade tem tanto poder quanto o dinheiro. Aqui os moradores podem se unir e resolver muitos dos problemas sozinhos, lá cada coisinha é um saco de dinheiro...

Tudo longe, tudo caro, tudo demorado, muita fila. Sair daqui nos faz amar ainda mais Joaçaba. “Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.”

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