24 de out de 2009

Sim, eu “torço contra”! Alguém mais?

(publicado no Jornal Cidadela em 23/10/2009)

“Torcer contra”, esta é uma expressão recorrente na boca de algumas lideranças. Sempre que alguém se mostra contrário é logo visto como um sabotador, alguém que sempre espera que dê tudo errado, que torce por ver “o circo pegar fogo”. Entretanto prefiro fazer uma análise de um ângulo um pouco mais afastado, pois nem sempre “torcer contra” significa prejuízo para a comunidade. Até mesmo porque se “torcer contra” estiver ligado ao efetivo exercício da cidadania, sim, eu também estou no time dos que “torcem contra”!

Torço contra o mau uso da máquina pública, a desorganização e a má-vontade, o desperdício de dinheiro público, o clientelismo, os conchavos, os acordos, o "mizanscene" político, os cabides de emprego, as licitações dirigidas, e tudo mais que contamina e corrói nossa Democracia – aquilo que ainda acredito ser o governo do povo, pelo povo e para o povo.

Não sou nada diferente da maioria dos brasileiros, afinal torço a favor da minha cidade, do meu estado, do meu país, das políticas públicas sérias, das pessoas que não são lembradas naquele intervalo de tempo entre um pleito eleitoral e outro, dos que efetivamente trabalham seja em entidades sem fins lucrativos seja nos diferentes órgãos públicos, torço pela transparência, por ver políticos corruptos “se danarem”, torço por um mundo melhor.

Alguns destes cidadãos apenas “ficam na torcida”, outros entram na arena para lutar contra os monstros que teimam de matar nosso Estado de Direito, estes últimos correm o risco de terem seus nomes achincalhados, de serem processados por falar a verdade, de terem vídeos editados para servir de piada, de serem retaliados. Graças a Deus não estamos mais nos anos da Ditadura (ostensiva), senão estariam até sem as unhas...

Os cidadãos de bem sempre estão dispostos a colaborar, ficou evidente na reunião que tratou da Rede de Proteção Social, sobrou gente para compor a comissão de trabalho (e olha que é trabalho voluntário!). Assim como não faltou gente interessada em “perder” dois dias para ir à Conferência Estadual de Saúde Ambiental, mas nem sempre a vontade do cidadão de bem encontra amparo junto ao Poder Público, daí fica difícil ajudar...

Deixei de trabalhar, antecipei meu retorno de São Paulo para cumprir com meu compromisso de estar nesta Conferência representando Joaçaba, estava preparada para fazer um belo relatório sobre os trabalhos do evento, já tinha até alinhavado uma entrevista para trazer as boas notícias, mas todos os delegados fomos “esquecidos”, não tivemos nosso transporte providenciado, e mesmo que tivéssemos conseguido ir, a delegação de Joaçaba não estava homologada, ou seja, nossa cidade não poderia ser representada. Dei um jeito de chegar no segundo dia, mas foi tudo em vão. De quem foi a culpa? Minha é que não. Depois ainda dizem que a gente “torce contra”! E precisa?!

Todos nós só poderemos parar de “torcer contra” quando nossas lideranças passarem a ser coerentes com seus discursos de campanha e com as funções que exercem. É isso aí mesmo! CO-E-RÊN-CIA. Nem exigimos a tal “honestidade”. Se forem coerentes já é “meio caminho andado” para que as coisas dêem certo. Grande parte das lideranças sempre dá um jeito de obter alguma vantagem, então sendo coerentes com seus programas, com suas promessas, poderemos escolher os “menos ruins” (algo como “Teoria do Menor Dano”) e depois ficar na torcida...

E se for para torcer, torço por Joaçaba!

____________________________________________________________________

Esta parte não saiu no jornal, mas é uma "homenagem":

O mestre Chico Buarque sabia como compor! Com uma censura burra, bastou trocar as palavras escritas, e nós ouvimos o recado!

Pai,afasta de mim esse "cale-se"
Pai,afasta de mim esse "cale-se"
Pai,afasta de mim esse "cale-se"
De vinho tinto de sangue

Pai,afasta de mim esse "cale-se"
Pai,afasta de mim esse "cale-se"
Pai,afasta de mim esse "cale-se"
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca,
resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai,afasta de mim esse "cale-se"
Pai,afasta de mim esse "cale-se"
Pai,afasta de mim esse "cale-se"
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai,afasta de mim esse "cale-se"
Pai,afasta de mim esse "cale-se"
Pai,afasta de mim esse "cale-se"
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai,afasta de mim esse "cale-se"
Pai,afasta de mim esse "cale-se"
Pai,afasta de mim esse "cale-se"
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça ("cale-se"!)
Minha cabeça perder teu juízo ("cale-se"!)
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário