29 de jan de 2010

Morar em Joaçaba é correr risco de vida?


Esta imagem aí do lado é meramente ilustrativa, é de um carro pequeno adentrando o terreno de uma moradora de nossa cidade. Recebi outras, de caminhão. Na verdade ela me procurou para pedir ajuda, precisava fazer um ofício para protocolar junto à Prefeitura.

Conheci este caso quando tive que viajar de ambulância para ir a uma Conferência em São José, ela levava sua netinha para uma consulta, pois a “bebezinha” havia sofrido uma cirurgia cardíaca. Tivemos todo o tempo do mundo para conversar.

Esta senhora mora numa rua do bairro Cruzeiro do Sul e é comum caminhões perderem o controle ou não conseguirem fazer a manobra para adentrar na outra rua. Com isso acabam invadindo o seu terreno e praticamente entrando em sua casa. Imagina o susto! E o transtorno de ter que esperar o guincho chegar!

Sugeri que ela procurasse a Prefeitura para ver o que poderia ser feito. Por certo algum engenheiro haveria de encontrar uma solução para este caso. Agora, meses depois, ela me diz que precisa confeccionar um ofício descrevendo os fatos, protocolar junto à Prefeitura, e aí aguardar uma resposta.

Resolvi ir até o local (cidade pequena, não se gasta muito tempo para isso), constatei que havia meio-fio, mas que não era o suficiente para conter os veículos. Fui atrás de informação. Disseram que era coisa para a Polícia, coisa de colocar uma placa para que caminhões não tentassem dobrar aquela esquina.

Voltei com a solução e a moradora me informa já ter falado com a Polícia e que eles disseram que uma placa não ajudaria em nada, deveriam ser colocados dormentes, tais quais os dali do centro, em frente a um mercadinho próximo à ponte que dá para o Rio Branco.

“Fazer um ofício descrevendo os fatos”, tudo bem... Tudo bem uma ova! Quantas pessoas têm o dom da escrita? Quantos sabem o que é um “ofício”? Caramba! Custa colocar a solicitação a termo? Eu chamo isso de buRRocracia, ou má-vontade (pedem este tipo de coisa para ver se a pessoa desiste). Mas tudo bem, eu vou com ela na Prefeitura, se precisar do tal ofício eu faço questão de redigir e assinar.

Outra situação que há tempos venho acompanhando é de uma curva na Rua Luiz Zampieri, lá no bairro Santa Tereza. A tal curva é tão fechada que põe em risco os pedestres que ali transitam, e olha que é percurso de crianças que vão e voltam da escola...

Em 2008 os moradores protocolaram um abaixo-assinado na Prefeitura, mas creio que eles devam guardar este tipo de documento no “arquivo redondo” (lixo), pois não os vejo serem atendidos pelos gestores públicos. Então eu mesma fui atrás do vereador Vastres (ele se diz representante deste bairro), que me garantiu que ele e o Vice-prefeito (Joventino) fariam alguma coisa, que iriam lá tomar pé da situação. Isso foi em outubro do ano passado...

Estes são dois casos que eu acompanho, mas não param por aí, quem costuma ouvir rádio – as emissoras “AMs” – sabe bem do que eu estou faltando. O povo busca nestes canais amparo para suas dificuldades. Ainda não descobri se por desconhecer os seus direitos (de amplo acesso ao Poder Público) ou por comodidade, pelo fato dos radialistas se tornarem como alguém de família, um amigo. É sistemática a divulgação de um e outro local da cidade que se encontra em situação tão precária que seus moradores chegam ao ponto de temer pela própria vida.

Este início de ano foi marcado por notícias de desastres do tipo “tragédia anunciada”. Passa no Jornal Nacional, todo mundo vê e fica espantado. Só porque em nossa cidade a coisa possui uma dimensão menor deve ser ignorada? Vão esperar o pior acontecer para daí colocar a culpa na Mãe Natureza (pobre mãe, que tudo nos provê), ou nos gestores passados (quando se candidataram não conheciam a realidade do município, moravam onde?).

Não dá para “empurrar com a barriga”, a menos que queiram correr o risco de responderem por mortes... Naquela casa que costuma ser invadida há uma pequena moradora que lutou bravamente para sobreviver, ela merece viver em sua casa sem correr o risco de ser atropelada a qualquer instante.

(publicado no Jornal Cidadela em 29/01/2010)

22 de jan de 2010

Farinha pouca? Meu pirão primeiro!

(publicado no Jornal Cidadela em 22/01/2010)

Desde o dia 12 de janeiro o mundo todo está com os olhos e o coração voltados para o Haiti. O que aconteceu com nossos irmãos da América Central é uma calamidade sem precedentes. Cada vez que vejo as imagens não consigo me segurar, as lágrimas correm e a garganta aperta...

Diferente do que o Cônsul falou, não vejo o ocorrido como vantagem para o Haiti, mas consigo observar que algo de bom está acontecendo: as nações se uniram em torno de um objetivo maior, elas querem ajudar e estão fazendo o melhor possível.

Nosso Brasil também entrou nesta empreitada (já tínhamos um braço estendido naquele país), estamos mandando ajuda. Isso é muito bom. Faz bem aos nossos corações. O povo brasileiro é solidário e é isso que faz nosso país tão bom de se viver.

Neste turbilhão de notícias e imagens me deparei com uma discussão num fórum de debates sobre o fato do Presidente Lula estar ajudando o Haiti enquanto há cidades no Brasil precisando de atendimento. Fiquei atordoada com os argumentos utilizados pelos foristas: “nós temos nossas mazelas e devemos cuidar do nosso povo”, “isso é coisa do Lula para aparecer só porque é ano eleitoral”, “para ajudar os pobres no Brasil não tem dinheiro, mas para mandar milhões para o Haiti daí aparece”, e por aí vai...

Não sou petista (ou petralha, como queiram), contudo percebo que não adianta, seja lá o que o Presidente fizer sempre haverá um grupo que vai “cair de pau”. Caso ele resolvesse não ajudar, seria um tirano egoísta insensível. Como ombreou com as outras nações, virou um perdulário, aproveitador. Não dá para agradar a todos. Isso me lembra aquela antiga história do velho, o menino e o burro...

O que me deixou mais perplexa foi a reação egoísta (ou egocêntrica) destas pessoas. Se formos resolver todos os nossos problemas antes de ajudar o próximo nunca faremos nada para o outro, o ser humano é um poço sem fundo de necessidades. E as nações então?! Sempre haverá alguém necessitando de algo, não importa se o país é rico ou não.

Sei que temos algumas cidades que ainda estão atordoadas com as chuvas e desmoronamentos ocorridos. Todos nós sabemos. O que não podemos é querer comparar as situações. Olhem no mapa! Vejam onde está o Haiti! Nossos irmãos brasileiros têm para onde correr, eles têm a nós!

Há algumas semanas atrás escrevi sobre a solidariedade e hoje venho novamente com este assunto. Não quero cansar o leitor. Nem é de solidariedade que estou falando e sim de egoísmo e mesquinharia. Estes sentimentos sórdidos que se mantém bem escondido em nossas almas e que nestas horas mostram suas garras e nos transformam em seres abjetos, indignos de estarmos usufruindo deste planeta...

Isto que vi no fórum de debates vejo no meu dia-a-dia, vejo em nossa cidade. É cada um querendo garantir “o seu”, sem olhar para o lado. Os que têm mais poder de barganha levam a maior fatia, senão eles utilizam deste poder que têm e aniquilam quem negar o que eles acreditam lhes ser de direito. Não importa se alguns não têm sequer saneamento básico. “Azar o deles! Quem mandou nascer pobre?”, “Ah, quem pode mais chora menos!”.

Foi manchete de capa a entrega de um cheque de R$ 200.000,00 emitido pela Prefeitura para a LIESJHO. São R$ 600.000,00, faltam dois ainda. Tive vontade de fazer picadinho do jornal. Eu teria vergonha de posar para esta foto. É bem isso mesmo; “Farinha pouca? Meu pirão primeiro!”. E como dinheiro não se imprime tal como panfleto de campanha eleitoral, o pouco que há vai para quem “pode mais”, quem “ajudou” mais, quem mais pode oferecer vantagens.

Tomara que este pirão dê “piriri”...

Haiti - Sr Presidente eu apoio sua posição:


 
Sou favorável à ajuda do Brasil ao Haiti, estou batendo de frente com muita gente, mas continuarei apoiando a decisão do Lula (e se vocês forem pesquisar o Brasil presta auxílio aquele país há anos).

Em todos os fóruns que vou encontro muita gente dando seus palpites, parece que todos se tornaram sociólogos da noite para o dia.

Prometo postar algo meu amanhã, mas hoje não posso deixar de publicar isto:

Os pecados do Haiti

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental. Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. O artigo é de Eduardo Galeano.
A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca idéia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto
Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito com um voto sequer.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:

– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico
Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:

– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista
Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".

O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".

A humilhação imperdoável
Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos tinham conquistado antes a sua independência, mas meio milhão de escravos trabalhavam nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação.

O delito da dignidade
Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar conseguiu reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

Disponível em:

20 de jan de 2010

Outra da série "pense antes" - a imprensa no Brasil:

Recebi por e-mail. Desconheço o autor, mas vale a pena:

SE A HISTORIA DA CHAPEUZINHO VERMELHO FOSSE VERDADE, COMO ELA SERIA CONTADA NA IMPRENSA NO BRASIL?

AS VÁRIAS FORMAS DE SE DAR UMA NOTÍCIA!

Jornal Nacional - (William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...'
(Fátima Bernardes): '...mas a atuação de um caçador evitou a tragédia.'
Programa da Hebe - '...que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?'
Cidade Alerta - (Datena): '...onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia pra casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva... um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não!
Superpop - (Luciana Gimenez): 'Geeente! Eu tô aqui com a ex-mulher do lenhador e ela diz que ele é alcoólatra, agressivo e que não paga pensão aos filhos há mais de um ano. Abafa o caso!'
Globo Repórter - (Chamada do programa): 'Tara? Fetiche? Violência? O que leva alguém a comer, na mesma noite, uma idosa e uma adolescente? O Globo Repórter conversou com psicólogos, antropólogos e com amigos e parentes do Lobo, em busca da resposta. E uma revelação: casos semelhantes acontecem dentro dos próprios lares das vítimas, que silenciam por medo. Hoje, no Globo Repórter.'
Discovery Channel - Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.
Revista Veja - Lula sabia das intenções do Lobo.
Revista Cláudia - Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.
Revista Nova - Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama!
Revista Isto É - Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.
Revista Playboy - (Ensaio fotográfico do mês seguinte): ' Veja o que só o lobo viu'.
Revista Vip - As 100 mais sexies - desvendamos a adolescente mais gostosa do Brasil!
Revista G Magazine - (Ensaio com o lenhador) 'O lenhador mostra o machado'.
Revista Caras - (Ensaio fotográfico com a Chapeuzinho na semana seguinte): Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada, eu não dava valor pra miutas coisas na vida. Hoje, sou outra pessoa.'
Revista Superinteressante - Lobo Mau: mito ou verdade?
Revista Tititi - Lenhador e Chapeuzinho flagrados em clima romântico em jantar no Rio.
Folha de São Paulo - Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
O Estado de São Paulo - Lobo que devorou menina seria filiado ao PT.
O Globo - Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT, que matou um lobo para salvar menor de idade carente.
O Dia - Lenhador desempregado tem dia de herói
Extra - Promoção do mês: junte 20 selos mais 19,90 e troque por uma capa vermelha igual a da Chapeuzinho!
Meia hora - Lenhador passou o rodo e mandou lobo pedófilo pro saco!
O Povo - Sangue e tragédia na casa da vovó.
Wagner Montes - Agora vejam só vocês meu amigo telespectador, minha dona de casa que nessa hora está cuidando do lar, arrumando as crianças para a escola..... vejam só esse covarde de codinome Lobo..... que se acha todo malandrão.... PRA CIMA DELE MINHA POLIÇADA !!!! Alô minha rapaziada da Civil, alô comandante do CORE, aquele abraço, alô meu pessoal do 16º, 22º.... É PRA ARREGASSAR MESMO!!! Bota a cara dele aí na tela produção.... Bota na tela aí.... ESCRAAAAAAAAACHA !!!!!!!!!!
Correio da Bahia e TV Bahia - Menina usando um chapeuzinho vermelho é atacada por um lobo e não consegue atendimento em nenhum hospital do Estado. Governador não está nem aí.

19 de jan de 2010

Eu me estresso ao atender telefone!!!



Pois é isso mesmo! Chega a me dar um frio na barriga quando toca o telefone, é batata, ouvirei a seguinte pergunta "quem tá falando?" ou "quem ééé?" Merda!! A etiqueta diz; identifique-se antes de querer que o outro se identifique para você. Eu aprendi isto desde pequenina!

O fato de eu telefonar para alguém já pode ser visto como uma invasão, afinal de contas eu não sei se a pessoa está na sala ao lado do telefone ou no banheiro sentado no "trono" lendo o seu jornal favorito. Sendo assim procuro ser o mais educada possível, me identificando e logo perguntado se a pessoa pode me atender no momento.

Mas acho que sou exceção à regra, porque o povo não se toca e ainda por cima acha que a mal educada sou eu quando respondo "o(a) senhor(a) ligou para o número XXXX-XXXX. Com quem gostaria de falar?".

Para piorar tudo eu sou um mix de atividades em uma só pessoa, não tenho como atender o meu telefone dando a identificação do que eu faço, seria tão mais fácil a pessoa dizer quem é para eu saber em qual das minhas atividades eu a enquadro: empresa, ONG, advocacia, política, amizade...

Isso sem falar nas pessoas que ligam super tarde e ainda perguntam "tá dormindo"?. Pior ainda, quando nos tiram da cama...

Busquei na internet subsidios para reforçar a minha tese; no Blog Miss Etiqueta diz isso:

"Existem regras básicas para o uso dessa maravilha. Deve-se levar em conta que o telefone, tanto fixo, quanto celular, pode afetar a privacidade das pessoas, por isso se faz necessário o bom uso evitando abusos:
* Não se recomenda telefonar muito cedo, nem muito tarde para casa das pessoas.
* Quem telefona deve se identificar e é ele quem se despede primeiro no final da conversa.
* As mensagens nos gravadores devem ser discretas e breves.
* Quando chamar uma pessoa que está longe de você, não grite.
* Evite fazer esperar quem está telefonando.
* O uso do celular é imprescindível. Na verdade, é uma exigência dos tempos atuais, seu uso também desencadeou normas próprias de bom senso, para o seu melhor uso.
Nunca deixe o aparelho celular sobre a mesa nas refeições.
* Deve-se desligar o telefone celular em situações de cerimônia; refeições; recepções; atos sociais (públicos ou privados); enterros; cinema; teatro, etc."

Então fica o recado para meus leitores:  
POR FAVOR, AO ME TELEFONAREM IDENTIFIQUEM-SE! 
Porque eu me estresso ao atender telefone...




16 de jan de 2010

Joaçaba bem (mal) calçada:

(publicado no jornal Cidadela de 15/01/2010)

Esta semana servi de motorista para uma amiga que fraturou o joelho. Passou a usar muletas e depender da boa vontade de sua mãe e dos amigos. Na segunda-feira bem cedo já estava lá de prontidão para levá-la aos locais que precisava: banco, agência do INSS e outras “cositas más”.

Seu primeiro compromisso não carecia de automóvel, era apenas a alguns metros, coisa de uma quadra e meia, ela já conhecia o itinerário, a mim cabia atentar para algum possível desequilíbrio, o que poderia “danar” de vez o joelho da moça.

O bom humor é a tônica da vida desta amiga, até da desgraça ela ri! Consegue ver graça em tudo, até das manobras que tinha que fazer para conseguir se locomover. E chegamos à conclusão de que tem que ser “ninja’ para conseguir andar de muletas nas calçadas de Joaçaba!

Umas quebradas, outras fora do padrão, lá adiante uma que nem existe mais, agora é só uma porção de cacos. Uma rampa que alguém fez para facilitar o acesso do seu veículo a sua garagem (e dane-se o resto do povo). E por aí foi, para cem ou 150 metros já tinha sido coisa demais.

Alguém se lembra de uma campanha que saiu há uns meses atrás? “Joaçaba bem calçada”? Eu pensei que se tratava de algo para melhorar nossos passeios públicos, mas acho que era campanha de alguma loja de sapato... Se não era isso, por que não foi adiante?

Após a sessão de Fisioterapia levei esta amiga até a Caixa, tinha que ser ela, sua assinatura era imprescindível. Lá fomos nós, e eu crente que encontraria uma vaga para deficientes onde poderia, pelo menos, parar o carro para que ela pudesse gastar os longos minutos que utiliza para descer do carro. Não havia nenhuma por perto. Foi em faixa dupla mesmo. Liguei o “pisca-alerta” e logo as muletas sobre o carro denucniaram a necessidade daquela operação.

Entrou na agência pela porta giratória sem maiores problemas com o metal excedente que carregava. Logo foi atendida. Depois de passar pela porta giratória, na saída, um segurança vem avisar que bastava ter pedido que abririam a porta ao lado. Caramba! Aquilo tudo não é transparente? Ele não viu a operação que foi para conseguir entrar na agência? Por que não se ofereceu para fazer isso antes? Cada uma...

Novamente postei o carro em fila dupla para que ela pudesse embarcar. Agora tínhamos que ir à Agência do INSS para tratar da papelada do “encosto” (como dizem). Por certo na frente do prédio do INSS haveria de ter uma vaga para portadores de necessidades especiais, lá é um lugar onde estropiados de todo o jeito se encontram.

Entrei na Felipe Schmit e nada de vaga especial. Parei o carro em uma entrada de garagem, deixei minha amiga ali e corri até a agência para saber se estavam atendendo (esses órgãos públicos têm horários loucos, ou estão em greve, sei lá, preferi não arriscar). Voltei para dizer que poderíamos dar entrada na “papelama”, mas já tinha gente querendo sair e eu precisava retirar o carro dali. Até consegui uma vaga no outro lado da rua (peguei um saindo e já me enfiei na vaga), mas debaixo do sol minha amiga derreteria! Voltei para o outro lado, só que agora num local um pouco menos impróprio, mas os carros conseguiriam sair e entrar na garagem. “Pisca-alerta” ligado e ela lá dentro enquanto eu agilizava os procedimentos para encaminhar o Auxílio Doença.

Ela nem precisava ter ido, mas isso só nos foi informado na hora que eu já estava lá dentro e ela no carro. Tudo bem, mesmo assim foram ágeis, só falta a pericia que foi agendada para dezessete de maio!

Fiquei com pena da minha amiga. A previsão para ela se manter afastada do serviço é de quatro meses, ou seja, vai ficar boa antes de poder ser periciada! Mas o pessoal do INSS foi rápido em avisar que daí bastava pedir um adiantamento de perícia para sair do Auxílio. Alguém consegue sair sem sequer ter entrado?

Voltamos para casa, ela estava cansada e eu de “saco cheio” por perceber que a cidade onde moro e que aprendi a amar não tem o menor respeito pelas pessoas diferentes: os cadeirantes, os de muletas, os cegos, os idosos...

Quanto aos cegos, isto é uma coisa à parte. Quem foi o “esperto” que disse que o piso tátil deve ser todo de bolinhas e grudado no meio-fio? Sim eu sei, de uns tempos para cá algumas calçadas estão sendo construídas de forma correta. Mas como foi que permitiram esta estupidez? E por que não exigem a alteração? Estão esperando um cego vir de outra cidade e quebrar a cara num orelhão??

Motoristas mal educados que utilizam as raras vagas para deficientes é o que não falta. Depois de ter escrito tudo isso esta minha amiga me avisou que havia uma vaga próximo à Caixa, mas havia um carro estacionado ali, sem o adesivo. Eu também estava sem adesivo. Prefiro acreditar que ele também transportava uma pessoa com problemas...

Agora os que estacionam nos rebaixamentos de calçadas mereciam uns bons safanões, além de serem multados. Basta alguém respeitar este espaço para algum “motoqueiro” se meter ali e atrapalhar a vida do cadeirante. A cidade já é um “zero à esquerda” em se tratando de urbanismo e ainda temos que conviver com gente deste tipo... Faça-me o favor!

Senhores gestores públicos, pelo o amor que vocês têm a vocês mesmos, façam de nossa cidade um local habitável para nossos concidadãos! O Carnaval está aí e vocês pensam que “pessoas especiais” não nos visitam?

Estarei com minha máquina em punho para fotografar os flagrantes.

15 de jan de 2010

Quem escreve o que quer lê o que não quer...

Há um e-mail circulando pela internet, eu ainda não recebi. Meu irmão sim, para o azar de quem enviou ele "perdeu" alguns minutos para respondê-lo. Aplaudi de pé!


Segue abaixo o e-mail e a resposta:


Em 10/1/2010 22:54, D... M... G... escreveu:
Ano eleitoral taí gente...

É o que se diz...
Os quatro dedos do Lula são mais eficazes que os cinco do Maluf.

25/09/09 - 18h - Presidente Lula define prêmio para jogadores que venceram a Copa do Mundo; valor pode chegar a 465 mil reais - O presidente Lula e a Associação dos Campeões Mundiais do Brasil negociam aposentadoria e indenização para os atletas da seleção que ganharam Copas do Mundo. O benefício valerá inicialmente aos ex-jogadores de 1958 e se estenderá, posteriormente, a quem atuou nos Mundiais de 1962, 1970, 1994 e 2002. Reunião na Casa Civil discutiu as cifras a serem pagas aos campeões. Inicialmente, o valor negociado para cada um gira em torno de mil salários mínimos, no caso da indenização (465 mil reais), e de dez salários mínimos (4.650 reais), o teto da Previdência, para a aposentadoria. A expectativa é que o anúncio da nova medida seja feito pelo governo na próxima semana.

Ainda segue com um texto que dão como autor o jogador Tostão que eu excluí, pois o que interessa é a resposta dada a esta senhora:



Sra. D...,
Bom dia.

Sua matéria só não cita que vários jornais são, nem a data da publicação, ou seja, é mais uma tentativa de desacreditar o governo do PT.

Assim agindo, não há como averiguar a informação, e o ódio de classe faz com que sejam repassados a todos sem uma prévia reflexão, ou seja, sem um questionamento sobre "a que interesses atende o texto recebido?".

Estranho é que não recebemos nenhum emeio sobre os escândalos dos governos do PSDB (Ronaldo Cunha Lima e Yeda Crussius), nem do governo Arruda do DEM.

É para se pensar.

É sintomático que esse e-mail circule justamente na semana em que cai uma ponte no RS por falta de manutenção, onde foram desviados cerca de 44 milhões do DETRAN estadual, segundo o MPRS (www.mp.rs.gov.br/imprensa/clipping/id66383.htm?impressao=1&), dinheiro esse que poderia ter sido utilizado na manutenção da referida ponte.

Deveríamos também refletir sobre os governos do PDSB, só para relembrar, digite no GOOGLE "ALSTOM PSDB" e leia o que não circula pelas caixas de emeios Brasil afora, por não interessar as elites. Assim saberão uma das possíveis causas do BURACO DO METRÔ EM SP. É de arrepiar!

Outra estranha coincidência é que justamente quando o IBGE divulga números positivos sobre a inflação de 2009 circulem emeios desse tipo.

Os arautos do apocalipse estão revoltados, pois ao contrário do que previam e desejavam, o Brasil está indo bem, a inflação está sob controle e muitas pessoas que não tinham o mínimo de dignidade estão podendo consumir. Há muito que melhorar, sem dúvida, mas não podemos esquecer que ainda não fizemos as reformulações necessárias no Congresso, há necessidade de uma faxina geral, para que os fisiologistas sejam expurgados de nossa política. Também há pessoas que não têm competência e estão ocupando cargos públicos na alta cúpula da administração federal e que devem ser exoneradas.

A população deve se mobilizar e exigir que o Presidente elabore e o Congresso aprove uma Lei que limite o número de cargos em comissão que podem ser ocupados por não funcionários públicos. Os cargos em comissão devem ser ocupados por servidores efetivos, com formação na área e lotados no órgão que dirigirão. Esta lei está prevista na Constituição desde 1988, mas até hoje não foi elaborada.

Claro que aqueles que costumam frequentar semanalmente as igrejas e prezam a família acima de tudo, as suas é claro, se horrorizam diante da simples possibilidade de que os miseráveis possam ter o direito a comer, e quem sabe até a comprar eletrodomésticos com o dinheiro do bolsa-família.

Ora, num mundo em que valho pelo que tenho, se muitos passam a ter, meu valor é diminuído, pois não basta que eu tenha, é preciso de muitos não tenham, para que eu tenha mais valor.

Devem assim raciocinar: já não chega ver catadores de papel com aparelho celular, só o que falta é essa horda de miseráveis invadir os templos das classes médias e altas, os conhecidos centros de compras mas que, como nosso idioma é muito pobre para eles, são por eles chamados de "shopping centers".

O mais estranho é que muitos desses críticos são profissionais liberais, que cobram valores diferentes de seus clientes, dependendo de fornecerem ou não recibo, ou seja, sonegam o IRPF, principal imposto federal, mas se acham no direito de criticar qualquer iniciativa de redução da desigualdade social em nosso país.

Resumindo, possuem um conceito de ética muito flexível quando se trata de avaliar a sua conduta e muito rígida quando se trata de avaliar a conduta dos outros, é o famoso "faça o que eu falo, não faça o que eu faço", o "jeitinho brasileiro", a "Lei do Gérson".

Seria interessante repassar esse emeio a todos que receberam o emeio anterior, principalmente para verem quem estão ajudando ao repassar emeios sem citar a fontes.

Abraço,
Juarez Vieira

Quando eu pedi autorização para publicar ele solicitou  para que complementasse:


"Bete,

Claro que pode.

Só precisa acrescentar que também não recebemos nenhum emeio sobre o escândalo envolvendo o vice-governador de SC - Leonel Pavan.

Outra coisa que pode colocar é uma observação assim no final:

Só para concluir....

VOCÊ SABIA QUE?

Dos 100 mil maiores contribuintes da CPMF (imposto do cheque) 62 mil NUNCA PAGARAM IMPOSTO DE RENDA. Resumindo 62% eram sonegadores, que deixaram de pagar o principal imposto federal, que, se pago, certamente faria com que tivéssemos muito mais recursos para a educação, saúde, etc. Depois esses "formadores de opinião" fizeram um movimento que levou a classe média alienada a se indispor contra a CPMF. O que eles não queriam é pagar IMPOSTO DE RENDA e o povão caiu no golpe...


Por isso antes de embarcar em uma canoa furada fazendo igual aos PAPAGAIOS DE PIRATA, reflita.... A QUEM ISSO QUE RECEBI BENEFICIA?

Abraço,

Juarez
"

13 de jan de 2010

Deu vontade de escrever...

Hoje me deu vontade de escrever, mas não sei o quê!
Sabe aquela vontade louca de falar com alguém, só falar, jogar conversa fora, tomando uma gelada?
Pode ser sobre política, religião, terremoto... De BBB eu não falo, não assisto e não tenho a menor curiosidade em saber quem masturbou quem.
Pode ser sobre livros! No natal de 2007 ganhei o "A Cidade do Sol". Esqueci dele até ontem, quando resolvi "dar uma espiadinha". Resultado: já estou na metade! Eita livro bom!
Mas livros não conversam e eu quero é conversar!
Escutei um programa de fim de tarde de uma emissora AM só para ter a sensação de que estou com alguém, não adiantou, a companhia não era tão boa assim.
Chegou a hora da Voz do Brasil, ai ai...
Vou no Orkut para ver se temos novidades, no Twitter nada de novo...
Zilda Arns faleceu. Eu chorei. Eu gostava dela.
Vou nos Blogs de amigos, um copia do outro, então passei a ler um ou dois.
Volto ao Orkut e vejo que alguém com muita coragem resolveu se manifestar. Eu canso de ser uma voz na multidão reclamando da roubalheira que é nossa cidade: qualquer eventinho sem-vergonha, um bando de urubus levam uma grana! 
Vou sair, vou para A Cidade do Sol, já que chove todo dia por aqui...
Passou a vontade de escrever.

12 de jan de 2010

Tudo o que cabe num "clic" - Joaçaba

Pois é! Num simples "clic" consegui reunir uma série de problemas da nossa cidade!


Minha primeira intenção era apenas fotografar um morotista infrator (já que não encontrei nenhum policial nas resondezas), mas quando fazia o enquadramento percebi que muita coisa estava errada. Há muito o que ser consertado e revisto nesta cidade.


Estamos combinando o descaso do Poder Público com a falta de educação do povo. Isso não vai prestar...




 Levei esta foto para os amigos orkuteiros da comunidade "Joaçaba" analisarem comigo e eles conseguiram ver quase todos os problemas. Foi uma espécie de "jogo dos sete erros". Mas a graça para por aí. 

Vejamos o que encontramos neste "clic":


1 - o veículo está estacionado sobre as vagas reservadas para motos;
2 - a calçada está toda danificada (Joaçaba bem calçada?);
3 - crianças aguardando o farol fechar para pedir esmola (por onde andam os responsáveis pela campanha "Não dê Esmola"?);
4 - em pleno 11 de janeiro os enfeites de Natal pemanecem (vão aproveitar para o Carnaval?);
5 - o veículo vermelho ao fundo está estacionado sobre a faixa de pedestres;
6 - a placa que regulamenta o estacionamento de motos está no local errado;
7 - a lixeira no chão, fora do suporte;
8 - a sacada onde as crianças se abrigam está com rachaduras (falta manutenção?);
9 - falta de sinalização de solo nas vagas das motos;
10 - saiu do enquadramento, mas nos postes encontramos emarenhados de fios que lembram favelas de grandes cidades;
11 -alguém mecionou a grande árvore (eu não saberia se é ou não um problema);


Foram estes que encotramos, acho que muitos para um simples "clic", imagina se eu resolver dar uma volta na cidade...


Sabe que não é má ideia?

10 de jan de 2010

Aventuras de uma brazuca embarcada:


Tenho uma grande amiga que embarcou numa aventura: foi trabalhar em um navio e agora resolveu compartilhar suas (des)aventuras. 

Como eu ri muito, pedi licença a ela para compartilhar com meus amigos.
Não mudei nada em seu texto, os erros e acertos são dela rsrsrs






DIARIO DE BORDO 1

Oi genteeeeeee!!!

Até que enfim dou sinal de vida...

Apenas ontem e hoje consegui colocar minha vida em ordem aqui. e isso pq peguei atestado medico; torci o joelho e to 2 dias de cama... só posso sair da cabine pra comer e voltar, pois se ligam aqui e eu não estou ou algum supervisor me vê passeando.. to frita! Minhas malas só consegui desfazer depois de uma semana aqui. A viagem foi tudo bem, já conheci uma galera no aeroporto em SP, viemos nuns 20! Chegamos em Milão as 10, pegamos um comboio de ônibus ate Savona (vieram uns 3 ônibus com gente da Índia, Filipinas, Indonésia...). 

Embarcamos 13:00 e ate fazer todos os tramites, papelada, crachá, uniforme, Boat Drill, e as 17:00 já tinha que estar trabalhando. Tudo novo, uma loucura, ninguém explica nada, e tem q fazer do jeito que acha que ta certo e ainda levar esporro pq está errado. Mas o certo ninguém mostra. Aqui é tudo apanhando, desorganizado.. nossa! Os primeiros 3 dias foi o inferno em alto mar. Minha escala muda todos os dias, mas a média é no Deck 9 do Buffet das 7:00 as 9:30, como na saleta, volto pra dormir, das 10:15 as 11:15 e começo as 12:00 até as 14:30, durmo até as 16:30, banho e corro pra montar minha estação de trabalho no restaurante, que inclui roubar itens... aham, ROUBAR, falta material de trabalho e por isso qto mais cedo a gente chega, melhor é, e daí tem que ficar marcando território senão o povo passa a mão na cara dura. Já tentaram pegar bandeja da minha mão, ou então pediam as coisas emprestado e sumia, roubam os pratos de comida, balde de gelo ... TUDO! É foda! Rsss

Então, na primeira semana eu não sabia de nada, ninguém sabe, quem embarca fica igual pato tanso! E ainda tem q ver as escalas dos drills (exercícios de bordo para emergência) que muitas vezes caem no horário de folga, daí temos q por o uniforme e ir pro ponto indicado. Um saco! Bom, 18:00 começo a preparação da estação, são 2 restaurantes com mezanino, cada um numa ponta do navio e a cozinha no meio dos 2, no Deck 3, pegar balde de gelo, jarra de água, gelo, água, cesta de pão, manteiga, queijo ralado, desvirar os copos da mesa, procurar por itens faltantes, pegar cadeirinha de bebe, lápis e papel pra desenho, arrumar/set up de guardanapos, ler cardápio, reunião com o metre... enfim, tudo isso é por conta do Assistente (que sou eu) e fazer isso demora 1 hora. Daí já é 19:30 e o restaurante abre. Primeiro sitting até as 22:00 e das 22:00 até.................. europeu é bem mais civilizado .. agora.. o povinho brasileiro... tá louco!! É pra acabar! Chega atrasado quase 1 hora, enlouquece nossa cabeça, pede bebida 30 vezes, quer jarra da água pra não pagar, com limão espremido..ahhhhhh.. vai se FU..... Piiiiii... kkkkkkkkkk... aqui não existe espremedor de limão, é tudo feito em mega quantidades. Ainda é fresco, acha que é o Ó do BOROGODÓ, e fica perguntando o que é de graça, pois não quer pagar, daí a gente tem que enfiar uma jarra da água no meio da mesa, isso se tiver disponível (roubada), senão temos que guardar na nossa estação de trabalho e servir quando os malas chamam a gente, no meio da “brata” (vocabulário de navio = Corrido, muito trabalho), Ah, rs.. não aconselho pedir jarra de água, meus queridos amigos... hehehhe... então, continuando, só pedem refrigerante, não tomam vinho, e sem isso não temos comissão nas bebidas, ainda saem tarde e comem igual uns morto da fome que nunca viram comida na vida! A galera do crew (tripulantes) tira muita palha de brasileiro! Aparece cada uma.. que meuuuu deuuuuuusss... tipo:
 - Ah, vc é do Brasil? Então você fala brasileiro? Resposta: Sim, senhora, fluentemente!
- Aqui é o restaurante, né? É aqui que se come? E depois de comer, o que a gente faz? R: Senhora, a senhora faz o que a senhora quiser!
- Como eu faço pra ir de um restaurante pro outro? Onde é o elevador lateral? R:????????? Fala sérioooooooooo!!!
- Onde é a festa do colete? (se referindo ao exercício de bordo de salvatage, onde todos precisamos usar o salva vidas e os tripulantes ficam em determinados pontos direcionando para onde os passageiros devem ir). R: Festa??????? kkkkkkkkkkkk
Cada coisa que até Deus duvida!

Então, geralmente acabamos no restaurante 1:00, até arrumar tudo pro dia seguinte e tal, daí comer, banho e dormir dá umas 2:30, pra acordar as 6:00. Todos os dias, sem intervalo, então não achem q to ficando louca dormir as 10 da manha ou as 3 da tarde porque o ritmo é frenético e alucinante. As vezes o despertador da minha Cab mate toca e eu acho q eu é que estou atrasada! Ontem ainda eu de Medical Off, achei que tava atrasada! Hahaha., é normal, todo mundo acorda aqui no susto sempre achando que ta atrasado, a gente perde a noção de tempo e direção, só fica sabendo do que acontece no mundo qdo os passageiros contam ou perguntam. Ontem eu achei que tinha passado uns 3 dias, de tão fora de noção que ficamos, da Renata (minha cab mate, brasileira, gente fina) entrar e sair da cabine e do meu gatinho vindo saber como eu estava... Minha cabine é no deck A, ou seja 1 andar abaixo do mar...Duplex com suite!!! com beliche!!! Chique que dói!!! Hahahah, mas é engraçado, só consegui colocar ordem no barraco ontem e hj pq to de molho. Não dá tempo pra nada, o tempo que temos de intervalo só queremos dormir, ou sair DELLA NAVE.. isso qdo não estamos de Port Manning onde 30% da tripulação tem que estar a bordo qdo o navio esta em terra pra caso aconteça alguma coisa. Daí as fotos do Orkut são todas de 2:30 que temos entre sair do trampo, trocar de roupa, pegar o shuttle bus, ir ate o centro, e fazer todo o caminho de volta correndo, trocar de roupa, colocar a desgraça da meia calça e estar maquiada e sorrindo no trabalho. É uma vida louca, são os extremos, stress e cobrança demais na hora do trabalho mas em compensação muita diversão quando estamos de folga, tudo correndo, adrenalina mil! Logo que chegamos do Crossing Europa Brasil, fomos pra Maceió (é lindo) tinha 2 hroas de intervalo, nos reunimos lá num bar e dale cerveja e comida de gente!!! Porque aqui o negocio é ruim! O Shuttle de volta não é a todo momento.. estávamos nuns 10 pra pegar correndo, voltar pro navio, ix.. a galera não quer nem saber,... heheh.. foi meiacalça por cima do maiô, pé cheio de areia, cara torrada do sol e da cachaça e feliz da vida trabalhando de novo e olhando a vista lá de cima! Muita gente trabalha encachaçado, é uma máfia desgraçada entre os brazucas, é muito engraçado, galera roubando comida e se enfiando nos cantos pra comer, um encobrindo o outro, escambo de comida por Skol.. kkkk, pq muitas vezes só assim mesmo pra “guentar” esses brasileiros mala, e fazer cara de paisagem quando eles enchem o saco! Nunca sejam chatos com seu garçom...APRENDAM ISSO! Muito cuidado!!! Rsrsrs...

Terminando o crossing, fiz amizade com alemães e franceses, tive vários professores, e já to me comunicando o básico nas 2 linguas.. to chique demais!!! Daiiii... um desses alemães que me conhecia do Buffet colocou uma grana na minha mao, a nota fez CRECKKK, novinha em folha, eu agradeci sem olhar e tal e continuei o papo, qudo fui pra cozinha ver a nota de 50 euros.... L era 2 reais! Quase morri!, Deixei uma semana pendurada no espelho do meu armário! PQP! Kkkkkkkk Minha primeira gorjeta!!!! Bando de pão duro!!! Kkkkkkkkkkkkkk

Gente, são 1 e pouco da manha, daqui a pouco meu gatinho quarentão vem trazer a janta pra moça convalecendo dentro de uma cabine de 2,5 por 3 metros! Ontem o cardápio era salmão à milanesa com camarão ao catupiry!!! Kkkkk.... to sendo tratada que é uma princesa!!

Acho q hj é dia 19/12 e acho que estamos saindo de Ilhabela e indo pra Santos essa noite... Já passei por Salvador, Maceió, Santos, Rio, Búzios (é show), Ilhabela, Lisboa, Funchal, Barcelona, Savona...e ainda ganho em euros, falando quase 5 idiomas....to chique, bem!!! ... pena que essa droga ta baixando...

Encomendas são aceitas! Valentino (media de 200 dolares), Guess, relógios lindos, Loreal (40,00), perfumes (60,00)...

Bjs e até cenas do próximo capitulo!!!


feliz natal e ano novooooooo

Em março de 2010 estive nele - fotos do Orkut - http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=3111829569750941140&aid=1268030301

9 de jan de 2010

"Compra ao contrário". O ardiloso jogo de Luiz Henrique da Silveira

Essa eu trouxe inteira lá do Ganga Blog porque concordo em gênero, número e grau... 

Mas para o povo de Joaçaba o que importa é ser da "terrinha", não é mesmo? Então que venha Jorginho Melo ou Des. Varela! E tragam a UDESC!



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(Por Sérgio Rubim)

A grande discussão nos meios políticos e jurídicos de Santa Catarina neste momento é a investidura do atual presidente do Tribunal de Justiça, João Eduardo Souza Varella, como governador. Varella substitui o vice governador Leonel Pavan - respondendo processo por corrupção no TJ presidido por Varella - e também Jorginho Mello, presidente da Alesc, o segundo na linha de sucessão de Luia Henrique Bocelli da Silveira.

As ilações são várias e escabrosas. Muitos dizem que o Judiciário está de joelhos perante o Executivo. Que a tal independência dos poderes foi finalmente para as cucuias. Esta é a terceira vez que um presidente do TJ assume o lugar de Luiz Henrique.

Outros afirmam que é uma grande jogada para envolver Varella e que esta seria uma forma de "comprar" o voto de Varella a favor de Leonel Pavan no processo que será julgado no seu tribunal. Neste caso não existe voto de desempate. O presidente vota.

A coisa começou a ficar curiosa e soou estranha quando o presidente da Alesc, Jorginho Mello, conhecido pelo seu apetite pelo poder, abriu mão do cargo de governador para dá-lo graciosamente ao seu conterrâneo João Eduardo Souza Varella.

Jorginho, tucano emplumado como Leonel Pavan, seria mais uma peça da engrenagem que move esta dança das cadeira que culmina na posse de Varella como governador.

Mas acredito que todas estas ilações e análises estejam erradas. O jogo de LHS, Pavan e et caterva é muito mais ardiloso do que imaginam os pobres mortais.

João Eduardo Souza Varella, presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina é tido nos meios políticos, jurídicos e sociais como uma reserva moral dentro do judiciário. Conversei com várias pessoas e no final todas elas me falaram a mesma coisa: é um homem reto!

Varella atuou com firmeza e foi decisivo no caso que enfunerou o prefeito Dário Berger no seu Natal dos Sonhos e sua árvore de R$ 3,4 milhões. Varella não titubeou frente as provas irrefutáveis que apontavam irregularidades no caso. Carcou no prefeito!

Com esse perfil de homem sério, honesto e implacável com a malandragem, a expectativa é de que seu voto no processo seja contra Leonel Pavan, frente às gravações e provas materiais de que o vice governador - que ele vai substituir - teria recebido R$ 100 mil reais de propina, apresentadas pela Polícia Federal e Ministério Público. Isso que saiu na imprensa é apenas a ponta do iceberg. Tem muito mais coisa feia nas gravações mantidas em sigilo até agora. E Varella sabe disso.

Então, na verdade o que LHS e sua turma tentam fazer é uma "compra ao contrário". Sabedores do voto condenatório de Varella, convidam-o para ser governador. Se assumir o cargo no executivo, por uma questão ética, Varella se julgaria impedido no Judiciário para votar no processo de Pavan. Ou seja, anulam um voto que seria contra o vice-governador.

Acredito que o presidente do Tribunal de Justiça não cairá nesta esparrela. Além de sério parece que também é um homem inteligente. A sociedade espera ansiosa a sua desisão.

Pra mim 2009 não acabou:


(publicado no Jornal Cidadela em 08/01/2010)



Primeiros escritos do ano, a maioria dos colunistas e blogueiros escrevem sobre as expectativas para o ano seguinte, ou fazem um balanço do ano que terminou. Eu não, por dois motivos: porque acho de extremo mau gosto começar o ano mentido, prometendo emagrecer, economizar para aquela viagem, colocar todos os meus arquivos em ordem. Como eu exijo cumprimento de promessas, não as faço, ainda mais estas de final de ano, que ninguém cumpre...


Outro motivo é que, para mim, 2009 ainda não acabou. Nas últimas semanas de dezembro ainda corria atrás de duas informações: Quanto a Prefeitura Municipal de Joaçaba tem em conta referente aqueles 15% que a empresa do Ari, aquela verba da Zona Azul que deve ser utilizada para atender às Associações de Moradores (via Executivo) e às Entidades de Assistência Social (via Conselho Municipal de Assistência Social). E o FUNDEB? Esperamos durante o ano, e até o fim dele, para saber que horas a Creche Irmã Sheila veria a cor do dinheiro que o Governo Federal repassou (via Executivo) e até fins de dezembro ainda não havia sido pago nem o correspondente ao mês de janeiro.


Dá para ter aquela sensação gostosa de “dever cumprido” sabendo nos primeiros dias de janeiro os ecos de 2009 se apresentariam sobre minha mesa, em forma de Pedido de Informação? Eu até tentei utilizar um atalho, pedindo (via e-mail) estas informações ao Procurador do município. Mas foi em vão, ele me informou que não tinha poderes para conseguir esta informação, que eu deveria protocolar um pedido junto à recepção da Prefeitura. Olha que eu sou advogada e sei que nossos clientes não devem nos negar nada, somos algo como padres, por piores que sejam os pecados devem-se contá-los todos, só assim o padre poderá dosar a penitência, só assim o advogado saberá montar uma tese de defesa. Sem falar que estes dados devem constar em alguma planilha, bastariam alguns “clics”...


Quanto ao pedido de informação sobre os valores da Zona Azul, o Conselho Municipal de Assistência Social, formalizou o protocolo em 29/10/2009, sob o número 111193. Agora eu faço parte deste Conselho, e ninguém ainda conseguiu saber o montante. Vai ficar impossível a gente deliberar sobre repasses a Entidades se sequer sabemos se há algum dinheiro disponível. Ou quanto há, para podermos ser justos e dar o dinheiro a quem mais mereça. Já pensou o CMAS autorizar a liberação de valores que não existem? Vai ficar bonito para nossa cara! Sem saber quanto tem, nada vai poder ser decidido. 50% deste montante são de prerrogativa do CMAS, então por que sonegar a informação? 


Já os outros 50% quem decide para quem vai é o Prefeito, mas estes repasses serão fiscalizados pelos vereadores, após a apresentação das Prestações de Contas que serão feitas pelas Associações de Moradores. Então meus caros, todos saberão, mais cedo ou mais tarde, o quanto a empresa do Ari repassou para a Prefeitura. Isso parece pirraça de guri pequeno e pra isso umas boas palmadas resolveriam.


Seria tão bom se o princípio da publicidade dos atos do Poder Público fosse observado e respeitado. É norma constitucional, não é favor que nos fazem: CF art. 5º .XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;


A questão do repasse do FUNDEB é um pouco mais complicada, pois já houve uma Representação junto à Promotoria que cuida da Moralidade Administrativa e tudo! Pois é! Há uns meses atrás se descobriu que a Creche tinha direito a umas verbas que são repassadas pelo Governo Federal, foi feita uma consulta no site que trata das contas públicas e lá estava o repasse, mas a Creche não havia recebido um vintém sequer.


O povo lá da Creche foi atrás para saber o que estava acontecendo e nada do dinheiro vir. Então a vereadora Sueli Ferronato acionou o Ministério Público. Eu mesma, neste fim de dezembro, pedi ajuda através do “site” do Tribunal de Contas do Estado. Alguém tem que encontrar uma solução, não é possível! Outra coisa que descobri é que terá que ser uma ação do Ministério Público Federal em conjunto com a Advocacia Geral da União, pois as verbas são federais.


Como muita gente ainda está em férias, somente conseguirei tomar pé dos fatos na semana que vem. Enquanto isso vou levando minha vida como em 2009, contando moedinhas para ajudar a Creche e torcendo para que esta Entidade (com letra maiúscula mesmo) continue este lindo trabalho que vem fazendo há décadas. O que não dá é para acreditar que enquanto uma parte da sociedade se esfalfa para ajudar a tornar o mundo um pouco menos ruim outros tantos parecem debochar de todo este esforço...


Dá pra começar o ano assim??


8 de jan de 2010

Desabafo de uma protetora de animais:


(era para ter circulado entre o Natal e o Ano Novo, mas foi publicado no Jornal Cidadela de 08/01/2010)



Esta semana muitas pessoas me procuraram para exigir que eu recolhesse animais nas ruas ou então que prestasse socorro a outros que foram atropelados. Ligavam para a minha casa e se mostravam indignados com a minha negativa em atender aos pedidos. Uma porque minha casa não é abrigo para animais, é uma residência; outra porque não sou veterinária, não tenho capacidade técnica para prestar socorro. Sem falar que o meu trabalho e do resto da “turma” é voluntário e custeado por uma poucas boas almas.


Então, por conta de tudo o que aconteceu nestes últimos dias, e pela falta de assunto na esfera política, transcrevo um e-mail que redigi e enviei a uma porção de gente em novembro de 2008. Alguns fatos mudaram, mas a essência permanece. Se eu alterasse uma vírgula que fosse, perderia a razão de ser...


“São 3:35h da madrugada de sábado para domingo, e mais uma vez perdi o sono. Há dias venho adiando a decisão de colocar para fora tudo o que estou pensando, mas de hoje não vai passar, minha saúde física e mental devem ser preservadas:


Estou em Joaçaba há dois anos e desde então tenho atuado na causa animal, mas como todos sabem a minha postura frente a esta questão nunca foi de protetora independente, aquela que sai por aí recolhendo um ou outro animal, levando para sua casa e depois se desesperando para encaminhá-los. Minha postura e minha visão é uma pouco mais ousada: eu luto por políticas sérias de proteção animal!


Portanto a partir de hoje, não me procurem para saber se eu tenho um "espacinho" em casa para algum animal, pois a resposta será "não". Este "espacinho" não é só na casa, é também na vida social, no casamento, na atuação como mãe, como filha, como irmã, como tia, como amiga. Este ano vou me dar ao direito de ver o mar, de abraçar os meus entes queridos que há tempos pedem a minha presença. Vou atender a minha filha que está numa maratona louca de vestibulares e eu não estou lá, ao lado dela, em nenhuma das provas.


Cada um deve ser responsável pelos animais que apareceram na sua frente. Ouvi de uma pessoa: "mas eu ajudo a ONG, eu recolho animais"... Pelamordedeus! Desde quando recolher um animal, telefonar para a minha casa, para o meu celular fazendo chantagem emocional é ajudar a ONG???? Cansei de receber ligações do tipo "se você não ficar com o cão/gato eu vou ter que abandonar ou “eutanisiar". "Olha, meu marido não quer cachorro aqui em casa". "Eu já tenho um/dois em casa e não posso ficar com este". "Eu moro em apartamento".


Engraçado, eu tenho que bater de frente com meu marido, eu tenho que andar num carro de 14 anos de idade porque tiro dinheiro do meu bolso pra pagar estadia de cachorro que adotei ou recolhi da rua, ou pagar ração para cachorro que me enfiam goela abaixo! Eu tenho que ficar acordada de madrugada porque os cães recolhidos resolveram latir e os vizinhos querem dormir (eu também quero dormir!). Eu tenho que deixar de viajar nas festas de fim de ano ou quando a filha distante está doente porque não tenho como deixar os cães (os meus e os das pessoas que têm todo o tipo de desculpa para não assumir a responsabilidade sobre o animal que recolheu).


Sobre a ONG, há tempos venho percebendo que tudo está sobre meus ombros, mas esta responsabilidade eu trouxe para mim e não vou reclamar. Apenas informo que as feiras estão suspensas sem data para acontecerem, pois não sei se terei tempo de ir em busca de todas as licenças para instalá-la em outro lugar, bem como estou cansada de levantar no sábados às 7:00h e trabalhar até o domingo ao meio dia por conta das feiras. Alguns perdem a tarde de sábado e eu sempre "perco" o meu fim de semana. Sem falar das horas correndo atrás de divulgação.


A partir de hoje o telefone da ONG estará desligado sem data para ser reativado, pois 99,9% das vezes do outro lado da linha está uma pessoa que acha que eu tenho a obrigação de ir buscar um animal ou de pagar um tratamento para o seu cão/gato afinal "vocês recebem dinheiro do governo pra fazer isso, né?". Se ligações caírem na minha casa ou celular particular serão atendidas como "engano", pois algumas pessoas que nem sabem quem sou se dão ao direito de ligar a hora que bem entender e exigir que eu atenda seu chamado!


O povo sempre foi mal-acostumado, antes tinham o Teodorico, agora pensam que têm a "Bete". Esqueçam! Eu não serei a nova edição daquele homem que acabou com a sua vida porque não sabia dizer não aos que apareciam pedindo "ajuda". Estou sendo egoísta? Não, estou sendo prática, pois se eu ficar atendendo a Lulu ou o Totó, um sem-número de animais não se beneficiará de práticas de saúde públicas que não foram criadas pelo simples fato de que a pessoa capacitada para isto estava muito ocupada catando cocô, lavando potinhos, servindo ração.


Algumas vezes me refiro aqui na primeira pessoa e em outro faço referência à ONG, peço perdão, mas sinto que estes entes estão se (con)fundindo, não por minha vontade, mas pelo fato de muitos recorrerem a mim como a solução para todos os problemas. Meu Deus, eu não tenho super-poderes! Sou muito capaz, tenho estudado muito; vou usar esta capacidade e esta bagagem para trabalhar em algo mais amplo, mais inteligente, mais ambicioso. Não vou desviar o foco do que me propus: trabalhar num projeto bacana para que no futuro não tenhamos mais que nos desesperar porque "ninguém quer recolher o bicho".


Os animais que precisam ser ajudados não se restringem a cães e gatos, são também os que estão nos circos, nos rodeios, nos abatedouros, etc. É por todos e por cada um deles que me dispus a trabalhar, a assim vai ser. Quem estiver disposto a me ajudar nesta empreitada, obrigada! Afinal, desde o início dos trabalhos, naquela primeira reunião, foi esclarecido que nosso grupo não se restringiria a um "bando de alienados que ficam por aí recolhendo cachorro na rua". Quem tiver interesse, a ata desta reunião está à disposição.


Esses dias fiquei feliz quando uma pessoa me procurou relatando o problema de um CCZ da região. Prontamente me coloquei à disposição para ajudá-la no que for preciso, por dois motivos: o primeiro que não estou socorrendo um indivíduo e sim agindo sobre uma realidade que afeta um sem-número de animais, segundo porque vou aprender muito e evitar que isto venha a acontecer aqui em nossas cidades.


Quero que todos entendam que não estou fazendo aquele jogo "não está sendo do jeito que quero, vou abandonar a causa animal". Não pretendo abandonar a causa, está no meu sangue, nas minhas entranhas, apenas me darei ao direito de também ser advogada, empresária, esposa, mãe, filha, tia. Além de poder atender outros projetos que acalanto em minha alma.


Quanto a denúncias de maus-tatos, procurem a polícia, é ela quem tem o dever legal de agir nestas situações! Vejo que muita gente me procura porque não quer parecer antipático com o vizinho, com o parente, com o patrão. Eu posso parecer antipática aos olhos de todos, né? Esta será mais uma coisa que não farei mais. Que cada um assuma para si a responsabilidade, que tenha coragem de se posicionar. Se for para pedir orientação, estou às ordens.


Resumido: a partir de hoje trabalharei em coisas que acredito serem sérias e relevantes para mudar o atual panorama, que pode até ser denúncia, ou o socorro de algum animal, mas eu vou analisar qual o reflexo disso no projeto de trabalho que tenho, algumas situações merecem ser analisadas em particular.


Aos que já trabalham junto, estes sabem de quem estou falando, meu eterno agradecimento. Aos demais, estão convidados a arregaçarem as mangas!


Com carinho,


Bete


PS - só para lembrar: não sou rica, não tenho marido rico, não sou assalariada, não sou funcionária fantasma, ou seja, se trabalho eu ganho, senão...”


Pode ter soado grosseiro, mas certa vez ouvi de um “matuto” a seguinte frase: “antes ficar seis minutos vermelha do que seis meses amarela”.


... e que venha 2010!