29 de mar de 2010

Procuro galpão:

(publicado no Jornal Cidadela em 26/03/2010)

Meu companheiro e eu decidimos vir para Joaçaba, no final de 2005, com o intuito de começarmos uma nova vida, resolvemos juntar as escovas de dente e iniciar um novo negócio, uma nova empresa. Era um recomeço tanto para mim quanto para ele.

Tivemos ajuda de um amigo que encontrou um galpão vago em Herval d’Oeste. Algo muito simples, até precário. Para começar estava de bom tamanho. Não faz parte do nosso jeito de ser ostentar o que não temos. Decidimos começar pequeno, mas com os pés firmes no chão.

Passaram-se quatro anos e estamos num impasse, ou crescemos e aceitamos o aumento de pedidos ou nos resignamos em ficar como uma pequenina empresa sem a mínima pretensão de expansão. Optamos por crescer, por aceitar a oferta (ou seria desafio?) que Deus nos oferece.

Creio que Deus (e nem nós) contava com as dificuldades que encontraríamos pela frente. A mudança é urgente, temos que contratar mais funcionários. Mulher, de preferência. Onde estamos não dá, não há banheiro para elas. Há equipamento parado que precisa ser ativado, hoje falta-nos espaço.

Começamos a busca por Herval d’Oeste. Onde se ouvia falar de um galpão era lá que estávamos, mas naquela cidade há poucos espaços vagos. Na Prefeitura nos falaram que vai abrir licitação para aquisição de terreno no Distrito Industrial. É uma opção.

Viemos para Joaçaba. Rodamos várias vezes pelos bairros distantes e pelos nem tão distantes. Aqui é uma piada! Existem galpões vagos, mas nos deparamos com duas situações: ou o preço é uma exorbitância ou o nosso Plano Diretor impede.

Quanto ao preço dos aluguéis em Joaçaba (não só os comerciais), eles fogem da realidade. Equiparam-se com os dos grandes centros. É como se Joaçaba fosse “a última bolacha do pacote”. Faz muito que não é. E do jeito que vai logo será mais uma cidade decadente do interior do Brasil.

Logo que comecei a buscar um imóvel alguém me alertou sobre a existência de um Plano Diretor que engessou a cidade. Dito e feito. Fui a algumas imobiliárias e elas até possuem galpões, mas com muitas restrições quanto ao o quê será instalado. É uma odisséia conciliar o Objeto Social com as restrições impostas!

Minha empresa trabalha em três segmentos, ao mesmo tempo em que é uma pequena fundição de alumínio, trabalhamos com injeção de plástico e fabricamos peças para motos e motores (bobinas e magnetos). Tudo muito limpo, sem barulho. Poluição zero. Sendo uma empresa de uma “ecochata”, nem poderia ser diferente.

Alguns amigos falaram das cidades vizinhas, Fiquei meio reticente. Ibicaré nem pensar! Aquela cidade é a “capital estadual do rodeio”. Mas existem outras tão ou mais aprazíveis do que Joaçaba!

Decidimos começar por Água Doce. Na verdade foi um morador de lá que me ofereceu esta possibilidade, ele mesmo fez contato com o povo da Prefeitura. Domingo à tarde fomos ciceroneados pelo Secretário de Indústria, Comércio e Urbanismo que nos levou para ver os imóveis que estavam vagos. Circulou conosco e nos deu informações sobre o município. Ao final colocou-se à disposição para conversarmos melhor em outra oportunidade. Água Doce busca novos empreendimentos, que hoje podem ser pequenos, mas que podem vir a crescer e firmar raízes naquelas paragens.

Na quarta-feira demos uma volta em Erval Velho, outra cidade que tem tudo para crescer de forma ordenada. Vamos buscar algo por lá. Já temos um contato que pode ser bastante útil. Vamos adiante, gostei daquela cidadezinha.

Outra pessoa lembrou-nos de Catanduvas, que pode ser uma possibilidade. Definitivamente preciso estudar melhor o mapa do centro-oeste catarinense. Não nos faltam boas opções.

Questionei o fato de Joaçaba oferecer todo o tipo de dificuldade para novos empreendimentos. Teve quem me disse que era só para os que são de fora da “panelinha”, que para os mais chegados a coisa era facilitada. OK, eu estou fora da panelinha, já entendi o recado.

Um senhor de pouco estudo e muita sabedoria comparou Joaçaba com uma estrela em sua morte. Brilhou o que tinha para brilhar e agora só resta a escuridão. Na hora fiquei atordoada. Fui pra cama com estas palavras. Relembrando o que já li e ouvi, realmente houve uma fase de muito brilho...

De que adianta incentivar a vinda de grandes empresas se estas fazem uma porção de exigências? Se quando outra cidade qualquer lhes oferecem um pouco mais transferem tudo para lá não dando a mínima para as pessoas que ficarão sem emprego ou se a cidade vai se ressentir com a falta de arrecadação?

Não seria bem mais sensato e seguro incentivar a vinda das pequenas empresas, aquelas familiares, que dão valor aos incentivos recebidos e que fixam raízes na cidade? Joaçaba não nasceu e cresceu com empresas deste tipo? Hoje são grandes, mas não começaram grandes assim! Se Joaçaba não revir seus conceitos tem tudo para virar uma cidade fantasma.

12 de mar de 2010

Novo Golpe - Quando prestar socorro é correr risco:

(publicado no Jornal Cidadela em 12/03/2010)

Preciso compartilhar uma experiência que tive neste fim de semana:

Meu irmão mora no bairro Atiradores, em Joinville, onde está localizada a Rodoviária. Um bairro residencial de classe média e média alta, com alguns condomínios fechados e muitas casas de quintais amplos e muros relativamente baixos. É lá que me hospedo sempre que vou para aquela terra de muita chuva.

Domingo pela manhã estávamos tomando café quando ouvimos uns gritos desesperados de “Ladrão, ladrão! Socorro! Socorro!”. Saímos para o jardim e encontramos um homem de uns 35 anos em desespero, gritando que haviam levando sua carteira com todo o dinheiro e documentos. Pedia que telefonássemos para um número de telefone que era de um amigo da Polícia.

Meu marido havia visto dois homens indo no sentido da Rodoviária, um usava uma jaqueta verde, e perguntou se eram eles, o que foi confirmado. Meu irmão hesitou, pensou em ir atrás, dissemos para ele que ligasse para o 190 da PM o que fez explicando os fatos ao atendente.

Enquanto meu irmão falava o homem insistia para que a alguém fosse com ele atrás dos assaltantes. Nós mandamos que ele fosse sozinho até a avenida principal, onde havia ocorrido o furto e que aguardasse a viatura da PM. A casa onde estava é numa transversal de uma grande avenida que corta boa parte da cidade, para quem conhece: Marquês de Olinda.

Poucos minutos depois uma mulher em um carro preto nos procurou para avisar que o homem que há pouco conversava conosco estava caído no chão, bem ali na esquina. Do quintal nós conseguíamos vê-lo. Ligamos para o 192 do SAMU, pois acreditamos que ele pudesse ter sofrido um AVC ou um infarto, dado o desespero em que se encontrava.

Neste meio tempo o meu marido precisou sair e também viu que o dito homem estava desfalecido na esquina, mas não pôde parar, pois estava com pressa e sabia que o SAMU em breve chegaria.

Minutos depois recebemos um telefonema da Polícia pedindo que descêssemos para confirmar se o homem assaltado e moribundo era o mesmo que eles estavam conversando: Bingo! Era ele! Bonzinho “da silva” e contando outra história para os policias.

Para nós ele se apresentou como sendo de Curitiba e que dois homens o haviam assaltado. Para os policiais disse ser de Florianópolis e que um casal de carroceiros foram os autores do dito assalto. Bastou as viaturas chegarem para ele se levantar de pronto e começar a andar como quem tentando se esquivar.

O SAMU, para não “perder a viagem”, havia solicitado que uma viatura da PM fosse até o local para constatar se não se tratava de algum morador de rua ou coisa assim. Sem falar que ele, o “assaltado” não foi somente à casa onde estávamos, ele apertou várias companhias pedindo ajuda e as pessoas estavam ligando para a Polícia.

5 de mar de 2010

A novela da Zona Azul – capítulo de hoje: “O projeto de lei”

(publicado no Jornal Cidadela em 05/03/2010)

E a Zona Azul voltou à pauta, surgiu um novo Projeto de Lei, está tramitando na Câmara de Vereadores. Assisti aos debates, fui me inteirar do conteúdo, me solidarizo com os vereadores que pediram prazo para discutir melhor o assunto. Não cheguei a ler o texto do Projeto, mas pelo que pude ver há muita coisa, no mínimo, questionável.

De cara vemos que se fosse aprovado como está caberia ao Executivo decidir tudo o que se refere à Zona Azul, pois prevê que futuras alterações na lei se dariam por Decreto do Executivo, ou seja, não tramitaria pela Câmara de Vereadores. Seria um ato unilateral, sem chances para a discussão. Poderia majorar os preços e até mesmo expandir a área sem ouvir ninguém.

Pelo o que entendi os vereadores pretendem alterar os dispositivos no sentido de que as futuras mudanças devam passar pela Câmara. Muito louvável, o debate é a essência da Democracia. Até mesmo porque são os vereadores que acabam recebendo o maior número de reclamações da população, eles são sistematicamente cobrados. Se aprovarem com a alteração que prevê a votação por parte dos vereadores, serão solidariamente responsáveis.

Mas o Projeto de Lei guarda outras “pérolas”. Os motociclistas são tratados como párias, como bandoleiros que só servem para atrapalhar o trânsito. A lei está sendo criada para dificultar em muito a vida dos motociclistas, estes mesmos que se exige rapidez quando se está esperando uma pizza ou alguma encomenda.

Fiquei indignada com algumas observações que tentavam justificar o texto: “os motoqueiros são uns folgados”, “eles estacionam em qualquer lugar”, “eles não usam as vagas para motos”. Ah tá! É bem disso que vou falar, sou motociclista e sou motorista, alguns dias saio de moto e de carro. Sei bem o que é estar nas duas condições.

O fato das motos estacionarem fora das baias tem motivo: não há vagas para todos! Somos em mais de mil motociclistas, há cerca de 300 baias na cidade. Ouvi um radialista dizendo que deixamos de usar nossas vagas para atrapalhar os motoristas. Ando pelo centro, procuro vagas para motos e estão sempre lotadas.

Estacionamos entre carros porque há espaço de sobra! Isso é engraçado, ninguém reclama da maneira que alguns motoristas estacionam. Por preguiça ou por não saber fazer baliza deixam um espaço de cerca de um metro entre os carros. Onde caberiam três, estacionam dois.

Na falta de lugares específicos para motos acabamos entrando entre os carros, mas podem ter certeza que se houvessem mais baias não faríamos isto, pois é comum carros derrubarem motos quando dão a ré. Prejuízo para nós motociclistas.

O Projeto de Lei também prevê uma face de uma quadra toda para motos, ali é que devemos deixá-las. Se estacionarmos em outro local seremos multados, mas não com aquele bilhetinho vermelho e sim como “estacionar em local proibido”, aquela que custa uns 54 “paus” e uns pontinhos na CNH.

Vai ser engraçado ver motoboys andando quadras com galões de 20l de água, ou com aqueles bujões de gás. Quase não pesam... Ou então as empresas responsáveis por este tipo de entrega começarão a utilizar caminhonetes, contribuindo assim para nosso trânsito ficar mais caótico do que já é.

Numa afronta escandalosa às nossas leis maiores, o Projeto de Lei quer impedir que uma moto estacione onde bem quiser. Se não for na baia, não pode ser em lugar algum, não há previsão de compra de cartão por parte dos motociclistas, somente dos motoristas. Mais uma vez o direito de ir e vir cerceado por força de lei municipal. Sem falar que o CNT equipara motos a veículos, só em Joaçaba são coisas distintas. E quando for um triciclo, qual será o tratamento? Cada uma que só rindo.

Na minha casa somos dois motoristas/motociclistas. Se for para correr o risco de não encontrar vagas para motos, descemos de carro de uma vez! E olha que o meu é uma “banheira” que ocupa o lugar de umas cinco motos... Enquanto o mundo todo cria leis para incentivar o uso de veículos menores para facilicar o trânsito, Joaçaba abre guerra contra os motociclistas.

Eu ia sugerir a criação de uma faixa cidadã – aquela que vai ao lado dos veículos, onde as motos podem transitar ao largo do fluxo – mas desisto, pois esta nova lei, se for aprovada, vai fazer com que diminua o número de motos e aumente consideravelmente o de carros. Não vai mais precisar da dita faixa...

Que existem motociclistas mal educados todos sabemos, aqueles que ultrapassam pela direita, que costuram, que ameaçam quebrar os retrovisores. Mas também não falta motorista que não dá seta, que para no meio da rua para conversar, que estaciona longe da calçada. Não é porque alguns são ruins que todos devem ser punidos.

Então, meus caros, vamos ser pacientes e aguardar que seja sancionada uma lei que venha melhorar nossas vidas, que esteja dentro das nossas expectativas e que não tenha margem para futuras lides judiciais. Fazer pressão não vai resolver, depois não vai faltar gente para falar mal dos vereadores. Sem contar que os que reclamam hoje foram os que pressionaram para a extinção do serviço no ano passado...

1 de mar de 2010

Nossos Livros:


(publicado no jornal Cidadela em 26/02/2010)


Estou às voltas com minha biblioteca buscando algum livro que ainda não li ou que valha a pena ser relido. Sinto a falta de uns quantos, não sei se foram emprestados ou já foram tomados por herança pela minha filha que já deixou o ninho.

Os emprestados – e não devolvidos – espero que estejam sendo muito bem utilizados, que estejam passando de mão em mão, que estejam sendo lidos. Sofro em imaginar que possam estar enfiados naquele compartimento debaixo da TV.

Tenho certeza de que os que estão com a nova acadêmica terão bom uso. Por certo ela reconhecerá a minha caligrafia em algumas páginas, certas anotações nos rodapés, alguma referência a outro título ou autor. Vai conhecer um pouco mais de sua mãe.

Estou na fase de reler os que me parecem interessante. Ignoro outros, não encontro ânimo em abrir aqueles manuais de auto-ajuda ou aqueles best-sellers que venderam milhões e que para mim só representam árvores tombadas.

Descobri que a Biblioteca Pública Municipal recebeu novos títulos, um programa do Governo Federal os enviou, agora estão todos lá esperando os leitores. Que vergonha ainda não tenho a carteirinha, será minha próxima providência!

São clássicos, mas também vi alguns que agradam os que se interessam por escritos mais contemporâneos. Uns falam de política, outros de amor. Autores nacionais e estrangeiros. Um apanhado de bons títulos, muito bem escolhidos.

Semana passada estive naquela livraria do centro, passei bons momentos lá. Tive boas surpresas: como a produção literária é rica em nossa região! Todos os estilos, para todos os gostos.

Já na entrada dou de cara com um título do Dr. Adgar, logo à esquerda descubro outros vários, dos mais diversos autores. Até humor! Um que fala dos “causos” acontecidos com um policial. Ri muito com o pouco que li.

A história da nossa região tem quem se preocupe com ela, vi autores encarregados em preservar nossa memória. Os títulos são muitos, um eu até já li. Que falta nos faz um museu, ainda bem que existem os livros!

Uma pena que no Brasil os livros sejam tão caros, de todos os que “namorei” saí com dois, um presente para uma amiga e um “Frei Beto” para mim. Os outros ficaram lá esperando, por certo hei de trazê-los comigo em outro dia, em outra oportunidade.

Outra coisa que lamento é o brasileiro ler pouco, lendo mais talvez acertasse melhor nas escolhas da vida. Os livros têm o condão de formar o caráter de uma nação. Monteiro Lobato tinha razão quando dizia que “um país se faz com homens e livros”.

Enquanto continuarmos optando por “BBBs” e outros programas do estilo, enquanto os livros ficarem relegados às traças continuaremos com a realidade que ora se apresenta: pobreza  geral, financeira, de espírito, de alma...

Então fica o convite: visite nossa Biblioteca Pública, vá às livrarias, descubra que há vida além da TV!