13 de jun de 2010

Sobre a minha morte:


Esta noite sonhei que morri. De certo pelo fato de tanta gente estar me alertando e me aconselhando a tomar cuidado. Engraçado, todo mundo teme por mim, menos eu! Daí me falam que podem fazer mal a alguém da minha família. Que eu vou sofrer pela culpa.... 

Não tenho medo, confio na espirirtualidade. Nada acontece sem que esteja nos desígnios de Deus. Se for para alguém desencarar, vai dormindo mesmo. Se não for, não vai ser uma bala de um trabuco qualquer que fará isso. Quando se está do lado do Bem, não nos faltam protetores, sinto-os a cada minuto do meu lado.

Mas, pelo sim ou pelo não, deixo aqui registradas as minhas vontades para facilitar a vida dos amigos e parentes:

1) nada de flores, avisem a todos que é para reverter o valor das coroas e vasos em ração para cães e gatos, flores murham, alimento prolonga a vida.

2) nada de caixão caro; comprem o mais barato que puder e reverta o dinheiro para alguma ONG de proteção animal, os irmãos não humanos quase nunca são lembrados.

3) não quero crucifixo; Jesus para mim nunca foi aquele da cruz, sempre foi o revolucionário que arregaçou as mangas e lutou pelo o que acreditava.

4) se algo no meu corpo servir para outrem, façam o favor de retirar; não gosto de desperdício. 

5) roupas simples e sem sapatos, dêem tudo o resto para quem tem frio.

6) para o meu corpo eu quero a destinação mais ecologicamente correta possível; chega o quanto colaborei para a poluição da Terra quando em vida.

7) e nada de vela, só serve para queimar oxigênio; eu saberei o caminho que deverei tomar.

Não me visitem no cemitério, por certo não estarei lá. E não se esqueçam que a morte não existe, que estarei bem aqui junto de vocês. Os amigos sentirão meu sorriso e meu abraço...

No mais, meus caros, restará o "até breve", pois ninguém vai ficar pra semente, não é mesmo?  



Canto para a minha morte:
(Raul Seixas)

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

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