30 de ago de 2010

Alguém desenha porque eu não entendi... II A RESSACA MORAL


(publicado no Jornal Cidadela em 27/08/10) 

Semana passada, quando escrevi a minha coluna, o “Joaçaba Rodeio Fest” ainda não havia começado, eu apenas estava na expectativa de que coisas muito ruins iriam a acontecer. De antemão protocolei uma um pedido de providências junto ao Ministério Público e ao Juiz da Infância e Adolescência. Apontei as mesmas preocupações que demonstrei aqui no último escrito.

Mas sem precisar ser vidente todos sabiam que o barulho iria incomodar a cidade inteira. Quem não sabe como o som se comporta? Aqui em Joaçaba até analfabeto sabe isso, todo carnaval acontece a mesma coisa. Todos compartilham da mesma festa, não importando se é do agrado ou se a religião permite. É um exercício de tolerância que fazemos pelo fato da cidade ser referência nacional neste tipo de festejo.

Na quinta-feira, já com tudo arrumadinho, com o auxílio das máquinas da Prefeitura (ou melhor, nossas máquinas) o som começou a ser testado. Eu no Cruzeiro do Sul já tive que subir o volume do rádio e continuar trabalhando. Era prenúncio de um martírio de quatro dias. Dito e feito! À noite a cidade se colocou em polvorosa, sexta-feira era dia de batente e todos se mantiveram insones por conta dos gritos ensandecidos que ecoavam até na cidade vizinha. Como se não bastasse as músicas de gosto questionável...

Não gosto de rodeios, contudo desta vez procurei ser o mais tolerante possível, afinal há quem goste dos olhos e outros da remela, mas não sou obrigada a participar de uma festim dos infernos onde animais são torturados e o instinto sádico é estimulado. Também não sou obrigada a ouvir “sertanojo” por quatro noites. É um direito meu, e ninguém tasca!

Daí o prefeito vem falar em “gosto”, eu respeito os gostos, até escuto música sertaneja, mas daquela boa, de raiz. Se o cara quer ouvir esta coisa que chamam de “sertanejo universitário”, tudo bem, mas eu não quero! Dá pra respeitar? Podem ouvir funk, hip-hop, o escambáu a quatro, mas obrigar todos a compartilhar dos mesmos barulhos já é um tanto demais...

E outra coisa: concordo com o prefeito quando fala em respeitar os gostos, ele tem toda a razão, mas desde que este gosto não seja ilegal ou imoral. Eu não respeito quem maltrata animais, quem usa a máquina pública para fazer evento privado, quem usa este evento para fazer campanha política ilegal, assim como não respeito quem tem atração sexual por crianças. Ou a gente devia respeitar?  

Nem vou entrar no mérito da falta de respeito com os animais porque este evento foi de uma total falta de respeito com cada um de nós joaçabenses. Se não respeitam humanos, imaginem o que fazem com eles... Pobres animais que sangraram na arena, que enterneceram os corações de muitos... A eles minhas orações e a promessa de continuar na luta para que seus direitos sejam, no mínimo, observados...

Mas e nós?! Quem protege a gente?? Quem garante nosso sossego e a integridade dos nossos bolsos? Porque, não bastando as máquinas, outros abusos aconteceram. Sob os olhos de quem deveria fiscalizar, sob os olhos de quem mais deveria zelar pelo patrimônio público. As autoridades se mantiveram caladas, isso quando não ensacaram a viola e saíram da cidade! Ficamos nós a mercê das vontades de algumas forças que muitos chamam de “ocultas”.

Formam quatro noites mal dormidas, muita gente telefonando para o 190 e sendo informada de que nada poderia ser feito porque havia autorização judicial para aquele “rendez-vous”. Daí ligavam para a delegacia de Polícia Civil para saber o que deveria ser feito. Registrar um Boletim de Ocorrência logo pela manhã era o conselho recorrente. Eu fiz isso no dia 24: BO n. 00280-2010-03268. Caso o Dr. Promotor ou o Dr. Juiz precisem, está à disposição.

Para o evento foram disponibilizados funcionários públicos e ambulância da Secretaria de Saúde do município. Levaram para o nosso já alquebrado hospital universitário, pessoas feridas e “peões de bosta” que tiveram o que mereceram. Se nossa Saúde passa por uma crise, não analisaram isso antes de trazer este tipo de evento que sempre demanda da estrutura de saúde dos municípios em que vai? Pagamos dos nossos bolsos a inconseqüência de alguns. Eu me nego a pagar esta conta! Não é conta nossa! Talvez a minha xará possa explicar melhor, quem sabe a gente entende...

Outra conta paga por todos nós foi a da energia elétrica! Domingo, na Cãominhada, o assunto rodava de boca em boca: havia sido feito um “gato”! Eu não entendo nada disso, mas meu marido sim. Na segunda-feira ele e um amigo subiram até o local do evento e constataram que era verdade o que se comentava à boca miúda. Trabalho bem feito, um “gato” feito por profissional! Três disjuntores muito bem instalados e fixados em uma tábua. Como ele estava indo de viagem somente registrou o BO no dia 24, mas fez questão de fazê-lo, afinal de contas furto de energia é crime! BO nr. 00280-2010-03267, caso o Diretor Regional da CELESC precise do documento ou de esclarecimentos é só procurar!

Outras barbaridades aconteceram como a cobrança do estacionamento em via pública, R$ 10,00 por veículo. Foi o que me contaram os que resolveram ir não evento. Apesar de ilegal eu ri muito! Se vão prestigiar os maus-tratos aos animais, ser extorquido é o de menos que poderia lhes acontecer. Também não havia fiscalização de trânsito e as ruas do entorno se transformaram em pistas de corridas. Mas tudo bem, os vizinhos já não dormiam por conta da música e da gritaria, freadas e buzinadas era o de menos, né?!

Crianças de todas as idades acessaram o evento. Eu sabia que muitas mães inconseqüentes acabariam levando bebês de colo naquele ambiente ensurdecedor. Dito e feito, relatos não faltaram sobre isso. E as crianças maiorzinhas tiveram a oportunidade de ver como é “bonito” um locutor mandar as pessoas à “p... que pariu”. Ótimo exemplo! E pensar que há quem pense que assistindo aos desfiles de Carnaval as crianças podem ser afetadas negativamente.... tsc tsc tsc

Pior de tudo é estar dentro de casa, tentando ver TV e ouvir agradecimentos a políticos e ao candidato que pretende ser o “nosso Federal”. Isso não é proibido? Pelo o que andei fuçando na lei 9.504/97, no seu art. 07 – “É proibida a realização de showmício e de evento assemelhado para promoção de candidatos, bem como a apresentação, remunerada ou não, de artistas com a finalidade de animar comício e reunião eleitoral.” Uma pena o Juiz Eleitoral não estar na cidade para ele mesmo ouvir com seus ouvidos de ouvir e ele mesmo tirar suas próprias conclusões.

Agora eu quero ver as autoridades agüentarem o repuxo dos donos de casas noturnas, clubes e do povo envolvido com o Carnaval e Carnafolia. Porque, ao contrário de alguns que são a favor ou contra conforme lhe tilintam os níqueis, eu sou a favor do que dita a lei, mas desde que esta lei seja igual para todos. Ou aqui impera a máxima de que “aos amigos os benefícios da lei, aos inimigos os rigores da lei”?

Como diz o Mário Serafim: “Essa, nem desenhando...”

P.S.: A foto acima é de um rODEIO em Ibicaré/SC.

O Sr. de chapéu cinza é o dito candidato que foi muito elogiado pelo César Paraná - JORGINHO MELLO - PSDB - grande apoiador de rODEIOs, amissíssimo do dono da Cia de rODEIO. Há quem diga que são até meio "sócios".

O do meio é o prefeito de Joaçaba, RAFAEL LASKE - DEMo - que vai a rODEIOs, circos com animais e se apresenta nestes "eventos". E não contente ainda usa a máquina pública do município de Joaçaba para pagar as contas e fornecer equipamentos públicos para o rODEIO.

O da direita é o atual governador de SC - LEONEL PAVAN -  PSDB - que banca estas barbaridades pelo Fundo de Turismo do estado!

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