13 de set de 2010

O Desfile – fragmentos:

Sete de setembro, feriado espremido no meio da semana, um sol lindo lá fora, nada pra fazer, um Desfile Cívico programado, por que não? Lá fui eu com meu companheiro, seria bom reviver as emoções dos tempos em que a gente desfilava, olha que eram semanas treinando para a dita apresentação, uniforme impecável e muita euforia. Logo que chegamos ele se assusta ao ver que nada mais é como nos seu tempo de criança, as calçadas estão vazias, trazendo para nós uma realidade, no mínimo, esperada: o Sete de Setembro já não é mais o mesmo. Encontramos facilmente um lugar próximo ao meio-fio e ali nos postamos. Diante de nós está o palanque das autoridades.

Ando azeda por estes dias, magoada e com raiva de muita coisa que está acontecendo na cidade. Logo tasquei uma brincadeira: “Que limpeza seria uma bomba ali, né?” Um amigo ao lado sorriu. Depois olhei com mais cuidado e vi que ali havia quem merecesse ser poupado. Lembrei de Deus naquela passagem do Gênesis em que Ele diz que não destruiria Sodoma se ali houvesse dez justos que fosse. Havia gente suficiente lá em cima para que eu afastasse o meu pensamento. Não vale a pena. Mesmo assim fiquei observando os sorrisos falsos e os apertos de mãos mais ainda. Faz parte, Bete, você precisa entender mais de política(gem).

Tenho minha opinião formada sobre o desfile de Sete de Setembro, ele serviu muito bem num tempo em que o Estado precisava mostrar sua força e desfilava, em forma de festejo, todo o seu poderio. Lembro de caminhões do Exército, de soldados com armas. E nós estudantes de uniforme engomado marchando para ser o futuro do Brasil. “Esse é um país eu vai pra frente” dizia a música. E todos dançavam conforme a música fosse ela qual fosse, desde que tocada com a anuência do milico da hora. Eu só lembro do Figueiredo, minha idade não é tão avançada assim. Hoje tais eventos são completamente dispensáveis, outra coisa poderia ser pensada.

Como eu ainda carrego um certo ranço dos tempos em que se ensinava a cantar o Hino Nacional (ele sempre vinha impresso atrás dos cadernos) cantei praticamente inteiro. Minha memória não é tão privilegiada, lembrei bem da primeira parte, aquela que toca nos jogos da Copa, a segunda foi uma enrolação só! Não bati palmas, era uma afronta aplaudir algo que deveria ser reverenciado, mantive-me em posição de respeito. Logo depois dei graças a Deus por ver que o desfile iniciaria sem aqueles discursos inúteis que ninguém presta atenção e só serve para amaciar o ego de quem fala.

Começaram a passar diante de mim todo o tipo de entidade, escola, órgão. Comentei que havia sido convidada a participar da “festa”, faço parte da Rede de Proteção Social. Preferi declinar do convite. Nesses tempos de “tamanduá come formiga e elefante leva a fama” preferi não dar “ibope” para uma administração que não está merecendo. Pelo jeito nem eu e nem ninguém, pois os rapazes que levaram o bandeira da Rede nem parte dela fazem. São grandes amigos e cidadãos conscientes, talvez por isso tenham aceitado levar o símbolo da sociedade organizada para a solução dos problemas sociais. A Rede não poderia ficar de fora, ela é muito importante para os que dela necessitam.

A certa altura alguém fala ao microfone que Joaçaba prova que quando é desafiada a fazer algo as coisas acontecem. Eu não duvido! Pelo o que tenho visto por estes tempos, e pelo o que tenho lido dos doze anos anteriores, Joaçaba só permanece onde está pela garra e valor de seus moradores. Se formos analisar os governos que por aqui passaram e que ora aí estão, algo me diz que estaríamos em pé de igualdade com algumas cidades do Piauí. Graças a este povo empreendedor (ou teimoso como só os italianos sabem ser) Joaçaba ainda guarda resquícios de uma cidade pujante. Somos hoje o resultado da luta de cada morador, de cada trabalhador que dá sua contribuição pela nossa cidade. Isso ficou mais do que evidente nos rostos que passavam a minha frente, das entidades, dos sonhos.

As fanfarras foram algo à parte. Nem sabia que elas ainda existiam! Quando criança lembro bem que todas as meninas queriam ir à frente como destaque, mas este posto era de exclusividade das mais bonitas da escola, às demais cabia apenas ir com o resto da sala. Um senhor postou-se à frente do palanque com uma bonita Fanfarra. Apresentou quatro ritmos diferentes e depois pediu às autoridades que incentivassem este tipo de coisa. Ou seja, levaram um “esfrega” na frente de todo mundo! Uma pena que a ele não foi dado um microfone, pos certo seria aplaudido. Onde já se viu não dar o valor que aquelas crianças e jovens merecem? Enquanto estão ali estão longe dos males da vida.

Se eu já estava com um nó na garganta de ver as pessoas felizes desfilando e mostrando seus trabalhos, as lágrimas rolaram quando me aparece pela frente uma faixa que dizia “quem nenhuma família sofra pela dor de não saber onde está um filho”. Pelo amor de Deus! Onde está Andressa? Por que esta família ainda está sem resposta? Se é verdade aquilo que o pai falou de que notícias só viriam depois das eleições, o que devemos pensar? Enquanto isso o delegado responsável pelo “Caso Mércia” vem a público dizer que “não existe crime perfeito, existe crime mal investigado”. Que tapa na cara! Que soco nos nossos estômagos! Andressa não desfilou nem em Joaçaba, nem em Luzerna...

Voltei para casa sem saber se estava feliz ou triste, mas com a certeza que nenhum de nós tem do direito de desanimar. Esse ainda “é o país que vai pra frente”. Eu acredito nisso...

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