Não. Não estou contente com a permanência há décadas no poder de gente do naipe de  José Sarney, Jader Barbalho, Fernando Collor e alguns tantos outros aliados deste – e de outros governos.

Não. Não acho que são melhores que eles Kátia Abreu, Tasso Jereissati, ACM Neto, Arthur Virgílio, Heráclito Fortes, Jorge Bornhausen e afins.

Nada pessoal. Digamos que, politicamente, eu e os supracitados temos prioridades diferentes. Se fosse na casa do Biguebróder, eu os eliminaria alegando “falta de afinidade”. Sejamos, pois, cordiais.

Sou crítico do governo Lula da mesma forma que reconheço os (muitos) avanços de sua gestão. Fui (mais) crítico do governo FHC da mesma forma que reconheço os (menos) avanços de sua gestão. Mas nem Lula nem FHC concorrem à presidência.

O que temos agora é Dilma e o PT versus Serra e o PSDB. O PT também tem o PSB, PCdoB e outros. O PSDB também tem o DEM e alguns. Cada um tem um pouquinho de PMDB porque o PMDB sempre tem um pouquinho de tudo.

Em tempo: neste segundo turno, minha campanha é mais ANTI-SERRA do que PRO-DILMA. Vou votar no 13 pelos seguintes motivos:

1- Serra explicitamente declarou-se contra os processos de conferência (educação, saúde, comunicação, direitos humanos), que vêm acontecendo desde o governo FHC e que foram responsáveis pela proposição e monitoramento de diversas políticas públicas. Participei de muitas nas organizações de que participo e defendo que suas propostas (especialmente as que dizem respeito à legislação) sejam amplamente discutidas no congresso e definitivamente aplicadas.

2- Serra explicitamente declarou-se contra o Plano Nacinoal de Direitos Humanos (PNDH-3), que estabelece uma série de diretrizes para as políticas de direitos humanos no Brasil. Este documento (mais um produzido com grande participação da sociedade civil) é uma referência para diversas políticas. Por conveniência e para fazer jogo de cena com seus parceiros militares, igrejistas e radiodifusores, Serra vem esculhambando o PNDH.

3- Serra explicitamente declara-se contra investimentos em comunicação pública (como a TV Brasil), e contrário a políticas de democratização da comunicação  propostas tanto no PNDH-3 quanto na I Conferência Nacional de Comunicação, que reuniu inclusive diversos empresários do ramo. Contra a Confecom, por exemplo Serra uniu forças com a Associação Nacional dos Jornais e a Associação Brasileira de Radio e Televisão. Note que não se tratam de organizações que lutam pela liberdade de expressão ou pelos direitos de jornalistas, mas de instituições patronais corporativas que detém o controle dos meios de comunicação – com o aval dos governos – há décadas e décadas;

Como vocês vêm, não estou falando de boatos ou suposições. Não estou comparando governos nem fazendo concurso de simpatia. O fato é que eu e os movimentos de que participo temos pautas diametralmente opostas ao que o candidato José Serra (que pode ser honesto, bom pai, simpático, bom tocador de violão e tudo mais) promete praticar.

Por conta disso, simplesmente não dá para corroborar com sua candidatura, muito menos abster-se de contribuir para sua derrota.

Não se trata de votar no “menos ruim”, mas de salvaguardar avanços democráticos da atual gestão sem perder de vista que a luta por direitos e justiça social tem que ser feita no dia a dia e não apenas no período eleitoral.