10 de jan de 2011

SAMU não é “Médico Delivery” e muito menos “Táxi”!

(publicado no Jornal Cidadela em 07/01/2010)

Volta e meia escuto um rabo de conversa aqui e ali falando do SAMU, via de regra alguém contando um incidente e como resolveu com um simples telefonema, acionando este serviço. O que mais ouço é gente contando que teve um mau súbito, que sofreu uma queda e achava que tinha torcido o pé, mas o pior foi ouvir relato de gente que se lamentava por estar há três dias com “aquela dor de cabeça”, ou “uma diarréia que nada segurava”. Caramba! Êita gente abusada!

Dia desses vi um atendimento ali numa rua, poucas quadras do HUST, se não me engano a pessoa estava com o pé ferido (não saberia precisar a extensão, apenas reduzi a marcha, mas deu pra ver que não se tratava de acidente de trânsito, era algum morador local). Toquei adiante indignadíssima com a cena. Se estavam a três quadras de um hospital porque deslocar uma viatura deste tipo? Ah sim... Na falta de um carro chama-se o SAMU!

E aquelas pessoas que, como eu, têm a pressão arterial lá pelos 10X6 e vivem caindo pelas tabelas? Mais que coisa! A pessoa sabe que tem a pressão baixa, conhece sua rotina de “maus súbitos”, custa colocar um pouco de sal debaixo da língua e aguardar um pouco? Não... Sal pra quê? Um desmaio, “chama o SAMU”! Nestes e em outros casos Posto de Saúde, São Miguel ou HUST nem pensar, preferem utilizar o serviço de “Médico Delivery”.

Mas então pra que serve e o que é o SAMU? - O SAMU 192 que foi criado em 2003 como um dos elementos da Política Nacional de Atenção às Urgências, tem como finalidade proteger a vida das pessoas e garantir a qualidade do atendimento pelo SUS, oferecendo, além do suporte de emergência préospilatar com profissionais qualificados, uma retaguarda hospitalar para atenção a esses casos de urgência e a possibilidade de organizar e gerir todos os demais elementos também componentes dessa política como unidades de saúde, hospitais, rede privada de serviços, programas de saúde da família entre outros.

E quando devemos chamar o SAMU? - Na ocorrência de problemas cardiorrespiratórios; - Em casos de Intoxicação, trauma ou queimadura; - Na ocorrência de quadros infecciosos; - Na ocorrência de maus tratos; - Em trabalhos de parto; - Em casos de tentativas de suicídio; - Em crises hipertensivas; - Quando houver acidentes com vítimas; - Em casos de choque elétrico; - Em acidentes com produtos perigosos; - Na transferência de doentes de uma unidade hospitalar para outra.

Antes de pensar em utilizar este serviço de primeiro mundo pense bem se não há outra alternativa ou se o seu caso se enquadra no que foi descrito acima. Nunca se esqueça que enquanto uma ambulância atende um “piti” qualquer, alguém pode estar morrendo em outro canto da cidade. Lembre-se sempre da velha lição que não devemos fazer para os outros o que não queremos que façam para nós...

E nada de sair soltando palavrões para os atendentes ou ameaçar “ligar para a rádio” caso o seu caso não seja visto como de necessária urgência no atendimento, eles fazem o melhor possível e não possuem bola de cristal. Seja calmo, dialogue este é o melhor caminho. Se você precisar, por certo o SAMU estará aí para atender...

Mas torço para que todos tenhamos muita saúde e este seja um serviço que fique apenas à nossa disposição, que ninguém precise dele... Saúde para todos nós em 2011!

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