28 de fev de 2011

"Baixatores" - O que era pra ser uma festa popular...

(publicado no Jornal Cidadela em 25/02/2011)

Estamos às vésperas da maior festa da cidade. Uma festa popular que arrasta ricos e pobres para a avenida. Carnaval é o tipo de festejo que deveria nos igualar. Todos unidos por amor à Escola de Samba favorita, mas todos juntos, afinal o que vale é a beleza de festa onde todas as escolas são convidadas e todos nós podemos aplaudi-las. Pelo menos deveria ser assim...

Nesta quarta-feira ouvi uma entrevista de alguém ligado à LIESJHO falando dos famosos “baixarotes”: aquele espaço debaixo das arquibancadas onde o povão se espreme para ver de uma frestinha a sua Escola do coração desfilar. A notícia foi dada em tom de alegria: este ano estarão liberados! Mas atentem que a LIESJHO não se responsabilizará por possíveis danos que possam ocorrer.

Legal! Muitos devem ter pensado: lembraram dos menos favorecidos. Menos eu. Pra mim esta atitude nada mais é do que a perpetuação de uma segregação entre as classes. Onde já se viu o povo que contribuiu para a festa vai assistir daquele local degradante? As duas vezes que assisti aos desfiles não pude me furtar de me indignar com a cena. Coisa de comunista? Não! Coisa de quem se revolta com as injustiças sociais.

As Escolas foram agraciadas com o rico dinheirinho dos impostos de todos nós, ricos ou pobres. Na hora de desfrutar da festa só lhes resta uma “masmorra” onde correm o risco de levar todo o tipo de líquido sobre a cabeça, inclusive a urina dos “mijões” mais abastados que ignoram a existência de seres humanos abaixo de si (falo aqui em todos os sentidos).

E não me venham falar que o evento tem que ser cobrado porque não se paga sozinho. Isto eu sei, afinal não sou tão burra assim. Mas alguém me explica o porquê da venda casada dos ingressos? Por que eu sou obrigada a comprar (e pagar caro) para as duas noites se elas são exatamente iguais?

Nem vou entrar neste mérito, mas olhem só o que encontrei na velha amiga Wikipedia:

Venda casada é expressamente proibida, no Brasil, pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 39, I), constituindo inclusive crime contra as relações de consumo (art. 5º, II, da Lei n.º 8.137/90). É caracterizada quando um consumidor, ao adquirir um produto, leva conjuntamente outro seja da mesma espécie ou não. O instituto da venda casada pode ser visualizado quando o fornecedor de produtos ou serviços condiciona que o consumidor só pode adquirir o primeiro se adquirir o segundo.”

Quanto à humilhação de existirem os tais “baixarotes”, esta é mais vergonhosa para a cidade do que para os infelizes que deles fazem uso. Qualquer turista com um pouco mais de visão vai perceber que estamos em Santa Catarina, um estado que se diz rico e desenvolvido. De que desenvolvimento estamos falando? Se uma cidade do porte de Joaçaba que respira o Carnaval o ano todo nem se dá ao trabalho de promover a oportunidade para que seus cidadãos tenham vez na festa?

Voltando à venda casada dos ingressos: Já pensaram que está aí a solução para o fim dos “baixarotes’? A primeira noite é a mais importante, então que se venda o ingresso ao preço que desejarem e que acharem justo. Turista vem e paga. Para a segunda noite os preços podiam ser populares, não digo quase de graça porque pode esvaziar a primeira noite, mas um pouco mais barato, até mesmo porque sejamos honestos, a qualidade cai bastante.

E quanto aos que não podem acessar nem mesmo os ditos preços populares que ingressos sejam distribuídos através das inúmeras entidades assistenciais sérias que temos na cidade. Quanta gente não tem nem R$ 5,00 para gastar por pessoa, mas que sonha em um dia poder ver o desfile de um ângulo mais digno? Isso eu chamo de “melhorar a vida das pessoas”...

Enquanto houver esta distinção entre quem pode bancar e quem fica fora da festa o Carnaval de Joaçaba nunca será uma festa popular. Por mais que a mídia venda a idéia, soa falso. Quem mora aqui sabe do que estou falando... A Dragões do Grande Vale também sabe o que é ser segregada... Ano que vem espero ver o povo nas arquibancadas e quatro Escolas fazendo bonito no chão.

22 de fev de 2011

Betoneira na Sete de Setembro - em plena pista de rolamento!

ONDE ESTÁ A FISCALIZAÇÃO DA PEFEITURA OU DA PM!????

Foto da Betoneira invadindo a pista de rolamento da Rua Sete de Setembro, altura do nr. 700.

Ela esta alí a mais de um mês. Não é recolhida a noite nem nos finais de semana.
Não existe cone de sinalização, película refletiva ou bandeira vermelha para alertar os motoristas.
Na manhã de um domingo a betoneira estava deslocada com o motor caído e próximo de cacos de sinaleira, algum carro deve ter batido. Segunda feira toda majestosa apareceu de novo no lugar de sempre.

Recebi este e-mail há alguns dias, acabo de passar na frente da baita. Ainda lá! Atrapalhando o trânsito... 

Joaçaba está virando uma piada!

21 de fev de 2011

Nós, ainda, os “jecas”...

(publicado no Jornal Cidadela em 18/02/2011)

Terça-feira o Cineclube Miguel Russowsky apresentou mais um filme do Mazzaropi – A Tristeza do Jeca – um filme de 1961, mas de uma atualidade que me deixou perplexa. Fiquei confusa, não sei se o filme é atual ou se a forma de fazer política é que parou no tempo. Pelo menos nestes rincões de Santa Catarina em que vivemos tudo aquilo apresentado no filme é o retrato do que vemos aqui. Eu até gostaria de poder dizer que o filme é uma caricatura, mas nem isso! Somente o “jeca” do interior de São Paulo é substituído pelo “colono” catarinense. E para por aí...

Para os amigos que ainda não conhecem a história possam se situar segue abaixo a tese de graduação "Vida e Morte do Jeca Tatu - um estudo sobre Mazzaropi" de Maria de Lourdes Vinhas Nilsson, Dalmo José de Aguiar e Wagner José Freitas de Oliveira. Peço que leiam com atenção, já pelo texto podemos reconhecer algumas pessoas bem próximas a nós, no filme isto está escancarado. Fica a sugestão, serve de entretenimento e alerta.

O tema versa sobre disputa política.
O Jeca mora na fazenda do Cel. Felinto junto com sua família e outros colonos. Como se aproximam as eleições, os coronéis da região disputam a simpatia do Jeca que é um líder entre os colonos.
A disputa para prefeito se dá entre os coronéis Felinto e Policarpo. Mas é o coronel Bonifácio quem faz a campanha eleitoral para o coronel Policarpo, um senhor de aparência frágil e mais velho.
Em nome dessa proteção, Bonifácio arma uma estratégia de campanha, onde afirma que a plataforma política de seu candidato é a defesa do homem do campo. Para poder conseguir atingir este objetivo faz uma visita ao Jeca enfatizando que eles não conhecem a psicologia do homem do campo e solicita sua ajuda. No entanto, Jeca não quer trair a confiança do coronel Felinto, dono da fazenda onde mora.
Para atrair eleitores, Bonifácio organiza um rodeio na cidade e convida Jeca e o povo. Jeca comparece com seus amigos e carrega à frente uma placa onde está escrito, de um lado, "Viva o coronel Felinto!", e do outro, "Viva o coronel Policarpo!" Assim, vai virando a placa conforme a necessidade.
Percebendo a resistência do Jeca, Bonifácio pede a seu filho que veio do Rio de Janeiro para namorar e noivar a filha do Jeca, moça bonita.
No rodeio, os políticos com muita perspicácia, envolvem Jeca em um comício e tramam um jogo de palavras onde o levam a declarar em voz alta que está ao lado deles, que apóia o coronel Policarpo. O jogo de palavras é feito com muita graça e inteligência.
Após conseguirem demonstrar aos presentes que têm o Jeca ao seu lado, o filho do coronel Bonifácio pede a noiva em casamento. E após o consentimento do caipira o noivo faz um discurso afirmando que o cel. Policarpo "é o único homem capaz de governar a nossa santa cidade. E essa união vem consolidar os nossos laços, os nossos ideais e a nossa vitória final."
O Jeca foi envolvido pela astúcia dos políticos, mas os amigos perceberam que todos entraram em confronto com o Cel. Felinto.
O Cel. Felinto fica furioso com a parceria de seu empregado com seu inimigo político e ameaça expulsá-los da fazenda se o outro lado vencer. Sua esposa, uma portuguesa de nome Manuela tem um plano de raptar o filho do Jeca. Isto para manter Jeca e seus amigos do seu lado. E assim o fez. O menino Toninho é raptado.
Jeca e sua mulher vão à casa do Cel. Felinto e em meio a uma discussão o caipira diz: "Isso é verdade. Não é porque o Senhor tem dinheiro que vai fazê o que quer de nóis, não!" Ao que o Cel Felinto responde: "Mais uma razão pra vocês trabalharem pela minha vitória. Depois das eleições você volta a vê seu filho de novo."
As eleições ocorrem num clima de suborno.
Os cabos eleitorais de ambos partidos compram eleitores. O cel. Policarpo ganha as eleições com 579 votos e seu rival fica com 575 votos.
Enraivecido com a derrota o Cel. Felinto expulsa todos os trabalhadores de suas casas. O Cel. Felinto não devolve o filho de Jeca, que pensa que a criança foi comida por uma onça, mas o menino consegue fugir e procura seu pai.
Jeca e os outros colonos vão em caravana pela estrada para a fazenda do cel. Bonifácio, pois pensa que sua filha será a nora do tal coronel.
Ao chegar à fazenda, é mal recebido por Bonifácio que diz que não haverá mais casamento porque seu filho havia voltado para o Rio de Janeiro. Manda Jeca e todos os empregados embora.
Mas o cel. Policarpo, o novo prefeito, observa toda a injustiça e se coloca contra o seu articulador político. Mostra-lhe o erro que está cometendo com o povo que o elegeu. Faz o cel. Bonifácio calar a boca senão vai executar a sua fazenda, deixando-o na miséria.
Arruma emprego para todos em sua fazenda e sai junto com o povo pela estrada. O filho do Jeca encontra o pai e a filha acerta casamento com o antigo namorado.
O filme acaba com todo pessoal andando com os pés no chão carregando suas coisas no ombro rumo ao outro serviço que, ao que parece, será mais humano.

Vão dizer que não viram semelhança?!

Em nossa região, via de regra, o embate político está polarizado em duas frentes uma mais nociva do que a outra; ambas com o único intuito de manter a hegemonia. São famílias, partidos, grupos empresariais, vêem na política(gem) o meio para conquistar o que desejam. E assim estão por décadas! Se preciso for, criam-se municípios nanicos. Os grupos, cada vez mais fortes, sentem que é melhor dividir o poder do que correr o risco de angariar um forte inimigo. E assim nasceu Herval d’Oeste, Ouro, Luzerna e por aí vai...

Por vezes fantoches são usados para tornar a candidatura mais “deglutível”, os verdadeiros articuladores não se fazem aparecer. Bancam campanhas (tudo muito discretamente), trabalham por debaixo dos panos. Depois agem como ventríloquos e deitam e rolam. Uns agem diretamente na máquina pública, outros se utilizam dela para evitar a concorrência e manter o poder (ou os baixos salários), e assim as cidades vão minguando a olhos vistos.

A defesa dos mais fracos é a constante nos discursos de campanha, tudo o que eles querem é “melhorar a vida das pessoas”, são almas abnegadas que abrem mão dos próprios interesses para atender os anseios daqueles que não têm condições de falar por si. Passadas as eleições estes nobres homens são acometidos por uma “amnésia” que dá nojo. Eu já devia ter aprendido que “político é tudo igual, promete na campanha pra não cumprir depois”, afinal esta foi a lição que me foi dada por um deles. Eu estou aprendendo, seria tão bom que o povo também se antenasse!

Tivemos até o rodeio com pedidos de aplausos ao político “bem feitor”! Não era um comício porque este abuso a lei eleitoral veda, mas sempre se dá um jeitinho com a ajuda dos companheiros de partido. Fica parecendo uma festa para a cidade, mas não passa de ferramenta para esta política suja que insiste em se manter entre nós. No filme quem bancou foi um coronel fazendeiro, aqui foi o povo idiota que paga os impostos. Mas vai tentar explicar isto para o populacho? Todos aplaudiram e se bobear ainda votaram no coronel, digo, político, afinal “ele trouxe uma festa pra gente”!

O filme mostra capatazes fazendo pressão sobre os empregados das fazendas, por aqui vimos chefes de empresas públicas ou privadas “pedindo” aos subalternos que adesivassem seus carros particulares. Nos estacionamentos era a coisa mais linda de se ver, parecia que ali funcionava o comitê eleitoral! E ouvir do pobre funcionário que ele mesmo não votaria no candidato, mas que pela paz no ambiente de trabalho se sujeitava a aquilo, é de chorar de raiva!

Quanto ao rapto do garotinho... Quem não ouviu conversas de pé de ouvido que fulano ou beltrano é perigoso, que se precisar fecham ruas e ameaçam eleitores? E eleitores que se pelam de medo desde ou aquele político porque ouviu falar que se precisar ele manda dar uma surra em quem atrapalhar seus planos? E eu que recebi um e-mail me aconselhando a tomar cuidado porque na cidade há pessoas que podem fazer mal as minhas filhas por conta do que escrevo. Parece surreal isto tudo em pleno século XXI...

As eleições do filme ocorreram num clima de suborno. E aqui?! O que mais eu vi foi gente perguntando quanto receberia pra votar neste ou naquele político. Político e eleitor corrupto, vão esperar que tipo de governo saído desta relação? Ser pago para fazer propaganda de alguém que você nem compartilha os ideais é outra vergonha. A profissionalização dos cabos eleitorais é uma das chagas do sistema, por dinheiro vende-se qualquer idéia. E há os que em frente às urnas distribuem santinhos “recheados”... São os votos de última hora. Corrupção nefasta, nojenta, que avilta ainda mais os pobres “jecas”.

E para finalizar, que já cansei os amigos, lá estava eu com cara de idiota me vendo na pele do Jeca! Só não joguei dos dois lados, não temia um ou outro lado, mas pedi voto, me envolvi no que não era da minha alçada. Na época era apenas uma cidadã sem nenhuma atuação política. O filme terminou com o Jeca indo de braço dado com o “fantoche” que se insurgiu contra seu “criador”. Quero acreditar que dali em diante ele tenha começado e entender um pouco mais dos políticos e suas artimanhas... A “jeca” aqui aprendeu a lição e está estudando muito para não cair numa esparrela de novo.

16 de fev de 2011

Sinalização pra inglês ler:

(publicado no Jornal Cidadela em 11/02/2011)

Que o trânsito de Joaçaba já virou piada todos sabemos, a tal Comissão de Trânsito não se entende, cada hora inventa uma moda nova. Parece criança mimada com brinquedo novo. As entrevistas da Diretora de Trânsito nunca são assertivas, sempre um lenga-lenga e nada de nos apresentar propostas e projetos de longo prazo. Cada dia pior, mais ridículo. Eu tenho vergonha das pessoas de fora, sempre atordoadas e tentando entender nosso trânsito...

Mas quando eu acreditava que já tínhamos atingido o limite do absurdo eis que vejo as novas pinturas da Caetano Branco! Uma piada de muito mal gosto! Olha que fazia tempo que estava para questionar a falta de boca de lobo daquela via. Agora com meiofio dos dois lados pra onde a água escoa? E este meiofio que se esfarelou diante dos meus olhos numa manobra de um caminhão? Preferi deixar pra lá, já tinha gente demais criticando. Mas agora não dá, né? O que são aquilo?

Eu não “ser” americana... O que significa este “GO” aí?

Pensem na “brecada’ que eu dei vendo um 2 virado!

Desde que aprendi a ler, 2 sempre foi 2, G sempre foi G. E nos testes psicotécnicos somos obrigados a entendê-los assim, não importando o quão virados estão. A maioria dos motoristas não param para pensar no que estão lendo, isto já se dá de forma automática, por isso que foram convencionados os números e letras, para a gente bater o olho e o cérebro entender a mensagem.

Pessoas analfabetas costumam inverter tudo, a gente cansa de receber e-mails com placas absurdas com letras invertidas. Estou vendo a hora que estas marcações entrarem para o rol destas mensagens eletrônicas. Até comentei em casa que podia ser isto, que o funcionário tivesse se confundido. Hoje em dia se termina o Ensino Médio com grandes deficiências na alfabatização...

Mas na segunda-feira leio uma matéria intitulada “Sinalização diferente para ajudar motoristas”, confesso que ri muito da justificativa dada pelo superintendente do DEINFRA em Joaçaba: que os sinais foram colocados de forma proposital para chamar mais a atenção... E ainda completou: “Se houver algum transtorno a empresa passa uma tinta preta por cima da sinalização”.

Pergunto: Custava fazer como consta no Anexo 2 do Código de Trânsito Brasileiro? Pra que inventar moda? (se é que isto foi proposital, coisa que eu ainda duvido..) Vão pintar tudo de preto? Por que não só consertam os sinais errados? E quem vai pagar por esta “pintadinha” de preto? A empresa VIGA ou nós contribuintes?

Depois nós somos os chatos...

10 de fev de 2011

MPF quer que prefeitura de Joaçaba desocupe área da União

MAIS DE 20 ANOS PARA FAZER UM SIMPLES PARQUE E AGORA FALA EM POR ABAIXO O ESTÁDIO OSCAR RODRIGUES DA NOVA, O GINÁSIO SILVEIRÃO E O TIRO DE GUERRA COM A ALEGAÇÃO DE SE FAZER UM PARQUE ALI?? NÃO TINHA OUTRO ESPAÇO QUE ERA DE OBRIGAÇÃO SER UM PARQUE??

E PENSAR QUE ELE PODERIA ESTAR ASSIM:
PARQUE ESTADUAL FRITZ PLAUMANN

09/02/11 - Imóvel com mais de três milhões de metros quadrados deveria abrigar parque florestal 

O Ministério Público Federal encaminhou recomendação à prefeitura municipal de Joaçaba para que apresente, no prazo de 30 dias, cronograma de desocupação de uma área de 3.025.328 m², que foi cedida pela União, por meio de contrato de cessão gratuita. O espaço, cedido pelo prazo de dez anos, deveria abrigar o Parque Florestal Municipal, além de outras estruturas.
Conforme o documento, assinado pelo procurador da República em Joaçaba, Daniel Ricken, poderão ser indenizadas, exclusivamente, as benfeitorias erguidas sobre o imóvel de boa-fé e conforme o plano de utilização a que se vinculava o uso da propriedade.
Segundo o procurador, desde 2006, a cessão da área está irregular, pois o primeiro contrato foi assinado em fevereiro de 1986. Em maio de 1996, o documento foi renovado, também por igual período. Porém, em 2006, terminou a cessão da área e, até o momento, não houve qualquer manifestação por parte das autoridades no sentido de renovar o comodato.
A cessão tinha por finalidade a implementação de unidade de conservação, mais precisamente a criação do Parque Florestal Municipal. O objetivo do parque seria proteger a flora e a fauna e estimular a educação e a pesquisa ambiental. Conforme o plano de utilização da área, estava prevista a instalação de diversas estruturas, dentre as quais um complexo olímpico, posto de meteorologia, estação de piscicultura e ranicultura, laboratório de diagnóstico animal e vegetal, centro de treinamento para técnicos e pequenos agricultores e um parque de exposições industriais e agropecuárias.
Na realidade, o local acabou por abrigar uma central de coleta e processamento de sêmen suíno, atividade de alto potencial poluidor. Para o MPF, a atividade estava em desalinho com o plano de utilização vinculado ao imóvel. O MPF questionou a permissão dada pela prefeitura para a instalação da central, que é mantida pela Cooperativa Rio do Peixe.
Em fevereiro de 2010, o MPF celebrou um compromisso de ajustamento de conduta com a Cooperativa Rio do Peixe, em que se estabeleceu um cronograma para a total desocupação da área e reparação dos danos ambientais causados.
Nessa linha, a recomendação busca a apresentação, no prazo de 30 dias, do projeto de recuperação de área degradada (PRAD), a fim de reparar os danos ambientais causados pelas atividades realizadas no local. O projeto deverá ser apresentado pela prefeitura ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
Além disso, a recomendação considera que o descumprimento do plano de utilização, aliado ao término do prazo convencionado do comodato, dá à União Federal novamente a posse plena do imóvel. Assim, o MPF recomenda que a Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU) em Santa Catarina promova a imissão da União Federal na posse do imóvel cedido à Prefeitura Municipal de Joaçaba e acompanhe a implementação do cronograma de desocupação dos bens e a reversão das benfeitorias, arbitrando, quando cabível, o valor da indenização devida.
O MPF recomendou ainda que o superintendente do IBAMA faça, em 60 dias, vistoria do terreno, identificando as áreas de preservação permanente, inclusive remanescentes de mata atlântica, lavrando os competentes autos de infração e encaminhando relatório circunstanciado ao MPF em Joaçaba. Caso a recomendação não seja cumprida, serão propostas as medidas judiciais cabíveis para regularização da situação do terreno e responsabilização dos agentes públicos omissos.
ICP nº 1.33.004.000049/2007-19

Fonte: MPF

9 de fev de 2011

Desvio de verba em rodeio de Barra Velha/SC:

... mas bem que poderia ser aqui em Joaçaba... 

MP denuncia duas pessoas por desvio


O Ministério Público denunciou duas pessoas que estariam envolvidas na explosão do caminhão de fogos de artifício no último dia de 2010 por peculato (uso de cargo público para benefício próprio). O secretário de Assuntos Jurídicos do município, Eurides dos Santos, é acusado de participar do planejamento de um projeto de rodeio com a intenção de desviar verba e também responsabilizado pela explosão que deixou duas pessoas mortas e uma ferida.

Desde que o caso veio à tona, Eurides nega qualquer envolvimento da prefeitura com o rodeio ou com os fogos. O responsável pelo projeto do rodeio, João Carlos Bordin, denunciado pela promotora por desvio de verba, garante que só conheceu Eurides às vésperas do evento e não teve qualquer vínculo com os planos para a queima de fogos no Réveillon. Segundo a promotoria, R$ 130 mil foram desviados pelos dois.


Fonte: Diário Catarinense