28 de mar de 2011

PMJ X CMJ – Pior que novela mexicana:

(publicado no Jornal Cidadela em 25/03/11)

Desde o ano de 2008 eu assisto às sessões da Câmara de Vereadores de Joaçaba no local, peguei gosto pela coisa por conta daquela polêmica da Lei do Circo. De lá pra cá já vi todo tipo de sessão, desde as mais monótonas até as mais divertidas. Na última quinta-feira assisti a que posso chamar de “mais tensa”, foram decisões tensas, foram declarações mais tensas ainda.

Houve a votação pela rejeição de dois projetos, mas a gente que está ali assistindo acaba “pegando o bonde andando” e entende tudo truncado. Um tratava da diminuição dos mecanismos de controle dos atos do Executivo, algo como reduzir a atuação do Departamento de Controle Interno... Seja lá o que for, os vereadores têm meu aplauso pelo fato de negarem este projeto. Se com todos os mecanismos de controle ainda vemos absurdos, imaginem afrouxando a corda? Nem pensar! Prefeitos se vão, a lei fica, se não for para fiscalizar o que hoje se encontra no comando, que sirva para os futuros.

A meu ver este foi o projeto mais importante da noite, mas o que repercutiu mesmo foi o da aquisição de um terreno lá na Vila Remor. Debate acalorado dos dois lados, argumentos ferreamente defendidos. Uns convenciam, outros nem tanto, até mesmo porque até uns dias atrás eram impensáveis nas bocas que vi defendendo-as. Coisas de política(gem). A gente lá nas cadeiras tentando pegar o fio da meada... Por fim a tal compra foi rejeitada pela maioria; e isto é o que faz da Democracia algo tão bom: a maioria decidindo.

No dia seguinte estava armado o circo! De um lado declarações acaloradas levando-nos a entender que há um complô da oposição contra a cidade, os vereadores sendo tachados de inimigos de Joaçaba. Discurso beirando a esquizofrenia, como se o objetivo maior da Câmara de Vereadores fosse tornar a vida do Prefeito e munícipes inviável... O troco veio à altura (apesar de que a esta “altura” isto estava um pouco mais que a rês do chão...). Vereador se defendendo com argumentos sólidos e palpáveis, a começar pela já existência de um terreno vago para as obras anunciadas.

Eu que achava que tudo isto se tratava de uma mera aquisição de um quinhão de terra acabei por me interessar pelo assunto. Meio atrasada, via internet, na quarta-feira à noite. Fucei aqui e lá, ouvi e vi o que queria e o que não queria. Entendi os argumentos dos vereadores, mas fiquei muito indignada com a quantidade de máquinas sucateadas. Bom saber que o Venilton apontou o responsável: o prefeito das Administrações anteriores, hoje aliado e “parceiro”. Ano que vem quando os vir abraçados eu farei questão de lhes refrescar a memória.

Voltando à vaca fria. Ou melhor, ao terreno não comprado: ouvi que já existe um terreno de propriedade da Prefeitura no jardim Lindóia que um dia abrigou uma escola, coisa de 4.000m2. Pois é, cabe uma creche, um ESF, umas casas e ainda toda a infra-estrutura exigida para tudo isto. E lá nem tem nascentes como no do Jardim Lindóia. Pra quem já se esqueceu, nascentes foram uma dor de cabeça na construção da nova rodoviária. Nós contribuintes até pagamos uma multa pelo fato delas terem sido aterradas. Melhor não, não quero pagar multa de novo.

Outra coisa que vomitam a torto e a direito é o fato da Câmara de Vereadores ter adquirido um terreno para construir uma sede própria. Não podia? Não havia orçamento para isso? Os funcionários devem continuar trabalhando em salas sem janelas e com cheiro de mofo? Pois é! Eu passo mal cada vez que vou lá, e olha que é só de passagem. Se fosse empregado exigiria “insalubridade”, não há pulmão que aguente! E se vagar aquelas salas a Prefeitura pode deixar de pagar uns aluguéis e aproveitar os caraminguás economizados para tapar os buracos mostrados na reportagem que vimos na quarta-feira. Ficou feio, passou até na cidade do Governador.

Falaram que a compra do terreno estava previsto no Orçamento, que todos sabiam que ali sairia um ESF, daí leio que “consta no Plano de Saúde 2010-2013, aprovado no Conselho, a construção de unidades de ESF onde a prefeitura já possui terrenos (Frei Bruno e Nossa Senhora de Lurdes), reformas e ampliação nas unidades já existentes (centro e Vila Pedrini), a compra de um terreno para construção da ESF no Bairro Santa Tereza. Não há previsão no plano para a compra deste terreno no bairro Vila Remor”. Alguém desenha porque essa eu não entendi. Ao que me consta “planejamento” é a base de uma boa administração pública, segui-lo é o arremate para que este seja eficiente.

Seja lá como for a compra do terreno não foi aprovada. “Simbora” ver uma alternativa para o povo de Joaçaba? Que tal utilizarmos o dito terreno do Jardim Lindóia? Que tal terminarmos a construção da nova rodoviária? Que tal terminarmos quaisquer das coisas que foram noticiadas? É um tal de chamar a imprensa para anunciar obras e projetos que não se finalizam.... Basta ver o número de inaugurações que esta mesma imprensa é chamada... Não vale dois trechos da mesma rua.

E vamos virar esta página que já virou novela mexicana: mal interpretada, com roteiro pobre e o “mocinho” com atuação pra lá de medíocre...

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