27 de abr de 2011

Contra a caça, a favor da cassação.

(publicado no Jornal Cidadela em 20/04/2011)

No dia em que os vereadores fizeram a leitura do relatório da CPI da Agricultura eu estava na Câmara, ouvi tudo com muita atenção, fiz algumas anotações. Saí de lá enjoada com tudo o que ouvi. Atordoada com os absurdos que acontecem na nossa cidade. Entre indignada e revoltada. Até entendendo como funciona a cabeça dos terroristas. Se não fossem os freios sociais e psicológicos por certo tinha posto fogo no prédio ao lado. Mas isso só traria problema para mim e não resolveria nada...

Fui até uma das redes sociais das quais participo e expus meu interesse de entrar com o pedido de cassação do prefeito e do vice. Perguntei se mais algum dos descontentes estavam dispostos a assinar a petição comigo. Até hoje somente meu marido se habilitou. Uma assinatura é suficiente, vi isto na lei. Basta um cidadão com brios para que alguma movimentação seja feita neste sentido. Então serei eu. Do jeito que está não dá para ficar.

No outro dia uma pessoa me cerca na rua e me pergunta: “O que você tem contra o Mamão?”. Percebi de pronto que se tratava de uma das poucas pessoas que ainda acreditam que o prefeito é vítima de uma conspiração. Respondi: “Contra o Mamão nada, muito pelo contrário, é um rapaz bem bacana. Se não fosse prefeito talvez fôssemos bons amigos. Já contra o Prefeito Rafael Laske eu tenho uma porção de coisa contra, mas agora estou sem tempo para esticar esta prosa.” Só ouvi a última frase: “Você não entende que ele está cercado de gente ruim e incompetente?” Preferi me calar, pois partir para uma discussão mais elaborada seria gastar meu latim.

Fui andando e ruminando a conversa. As pessoas têm dificuldade de dissociar as coisas. Partem logo para o lado pessoal... Lembrei do meu pai, do quanto o amo e o quanto eu desprezo sua capacidade de administrar bares. Montou um e quase foi à bancarrota. Um “asno” para os negócios nesta área. Montou uma oficina mecânica e foi de vento em popa. Amo o pai e detesto o dono de bar... Acho que me fiz entender. Já citei a frase antes, em outra oportunidade: “Odiar o pecado e amar o pecador”. A aura do nosso prefeito anda meio escura e esburacada (está tendo perda de energia), mas na essência é boa. Isso me faz crer que ainda tem “salvação”.

Voltando à cassação (com dois “esses” porque a com “cê-cedilha” eu sempre vou lutar contra) tenho muitos motivos. E ele fora avisado. Quando pediu meu apoio avisei que eu cobraria caro pelo meu apoio, não em cargos ou favores pessoais, mas o cumprimento das promessas. Já que o projeto que torna inelegível político que descumprir promessa de campanha ainda não é lei, só me resta buscar outros meios para exigir o cumprimento ou, pelo menos, a reparação do dano pela palavra quebrada.

Quanto ao comprometimento com a causa animal e a quebra de palavra, tem um processo que envolve a prefeitura e aquele maldito rodeio que além de maltratar animais maltratou os ouvidos da cidade inteira. Fui à delegacia, registrei BO. Representei junto ao MP. Fui à audiência. Aquela história da Prefeitura pagar a energia elétrica consumida pela Companhia de Rodeio não me desceu... Agora o processo corre lá no fórum. Se dará em algo, não sei. Fiz minha parte, o resto é com o Judiciário.

Também busquei o MP quando soube da contratação de uma empresa que elaboraria projetos. Pouco tempo antes os vereadores haviam criado um cargo com o mesmo objetivo. Fui ter com a Justiça para que isto fosse melhor explicado. Dinheiro público tem dono! É de todos nós. Minha reclamação descambou numa Ação Civil Pública. Dia 06 de julho haverá audiência. Sinal que alguma coisa realmente parece não estar certa. Vamos ver. Como cidadã, novamente fiz minha parte. O que faz o sentimento de culpa! Ajudei a eleger o prefeito, me sinto co-responsável pelo o que acontece na cidade...

Nunca fui de fugir das minhas responsabilidades, votei nele, assumo. Mas votei acreditando que seria bom para Joaçaba. Diziam que era inexperiente; daí eu lembrava do Lula que se cercou de gente competente e levou o Brasil pra frente. Ledo engano. Vendeu a alma para Deus e para o diabo... E o diabo cobra à vista. Abriu as burras para o povo do Carnaval, para o povo do CTG do vice, para os empresários patrocinadores, para os meios de comunicação que trabalharam para elegê-lo. O meu voto e apoio não valiam um “cazzo” diante de todos estes aliados. Nem o meu voto nem o de cada um do povo que acreditou nele...

Agora estou aqui, às voltas com minha consciência... Vocês não têm ideia de como é ruim ter compromisso com a Consciência! Essa é outra que cobra tudo à vista! Ouvir o relatório da CPI da Agricultura me envelheceu alguns anos. Fiquei abatida, não queria isso... Agora estou na ansiedade pelo relatório da CPI dos Combustíveis. Já sei que coisa boa não vem por aí... Pegar meu voto de volta não dá... Ficar criticando nas bodegas e ir pra casa como se a coisa não fosse comigo também não dá...

Só me resta dispor algumas horas do meu dia para elaborar um pedido junto à Câmara de Vereadores e dividir com ela a responsabilidade de colocar a cidade nos trilhos de uma vez por todas... E assim eu fico em paz comigo mesma... Fiz minha parte... De novo!

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