31 de mai de 2011

Deputado Pedro Uczai cobra respeito ao PT de Joaçaba

O deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) visitou os municípios de Joaçaba, Herval d’Oeste, Catanduvas, Erval Velho e Campos Novos, no dia 27.05, para conversar com lideranças do partido e também para apoiar a greve dos professores. Uczai lamenta a proposta que o governo do Estado enviou ao magistério. “O governo deve respeitar os trabalhadores da educação. Essa proposta é um incentivo para que ninguém mais se especialize em sua área. Piso é piso e teto é teto. No entanto, o governo está dizendo que piso é teto”, argumenta.

Deputado ouviu também os pedidos de recursos das demandas dos municípios, onde se reuniu com as lideranças do partido em Herval d’Oeste, município onde o PT tem vice-prefeito e ocupa duas secretarias na administração municipal. O deputado colocou o seu mandato a disposição dos municípios para apresentarem as suas demandas.

Ao final do dia, Uczai defendeu o PT de Joaçaba que vem recebendo ataques do Prefeito Rafael Laske. O deputado se solidarizou com o Presidente do Partido, vereador Ademir Zanchetta, e pediu mais respeito ao PT de Joaçaba. “Em toda a minha vida pública nunca presenciei algo assim, onde um partido democraticamente e sem ofensas faz um jornal para entregar a população, o que é legítimo e de direito, tem um militante preso pelas mãos do Prefeito da cidade. No jornal não há nenhuma ofensa contra o Prefeito, caso se sinta ofendido, procure os meios democráticos e não cometa crimes. Estou solidário ao PT de Joaçaba e se fizer outros jornais vou ajudar a entregar na cidade, pois estamos em plena democracia e a ditadura precisa ser abolida da vida pública. O Prefeito Rafael Laske desrespeitou a constituição e os direitos de livre expressão das pessoas e dos partidos. Prender uma pessoa e levá-la com o carro público para a delegacia é um crime sem precedentes para a democracia” destaca Uczai.

Vanduir Matias Deters
Assessor Parlamentar - Dep. Federal Pedro Uczai (PT-SC)
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Nota do Dep Estadual Neodi Saretta aos Professores de SC:

Taí mais um bom motivo para eu dar graças a Deus por ter acertado meu voto!

Enquanto isso o Governador de Santa Catarina se empirulita pras Európias e e dá uma banana para o Magistério (e os puxa-sacos se escondem para não dar apoio à categoria...) 

"Prezados professores, desde as primeiras sessões plenárias, na Assembleia Legislativa, tenho abordado a educação. E agora, por diversas vezes falei em plenário, sobre a grave situação em que se encontram os professores de Santa Catarina, devido ao não cumprimento, por parte do governo do estado, em relação ao piso do magistério.

Sempre que se fala em melhorar a educação, chega-se ao ponto chave que é a obtenção dos recursos e, o financiamento da educação não pode ficar em segundo plano.


Sou contra a Medida Provisória do governo do estado, que foi enviada a assembléia legislativa. Há um grande equívoco do Governo, pois promove o achatamento salarial e de carreira.


Nos primeiros dias, como deputado estadual, protocolei a primeira Proposta de Emenda Constitucional , da Assembleia Legislativa, onde prevê o aumento de 25% para 30% dos recursos destinados a educação. Aumentar o percentual da educação é fundamental para criar um mecanismo de maior apoio financeiro, possibilitando um melhor desenvolvimento do ensino. Isso também resolveria esse impasse, pois o estado teria recursos financeiros suficientes para pagar um salário justo sem o achatamento da carreira.


Queremos que os professores sejam motivados a dar aula, queremos que tenham melhores condições de ensino, pois a educação vem sim em primeiro lugar.


Outra solução, para melhorar o salário dos professores e dar mais condições de ensino, está também em minha outra Proposta de Emenda Constitucional, onde os salários dos inativos deverão ser pagos pelo caixa do estado e não mais do montante dos 25% que hoje é aplicado para o desenvolvimento do ensino. Os professores aposentados continuarão a receber seus salários normalmente, mas o valor sairá de outro caixa e isso, inclusive, tem parecer favorável doTribunal de Contas do Estado (TCE), que já emitiu parecer prévio das contas anuais, recomendando que não se use este valor no calculo dos 25% que é aplicado na educação. Só com essa medida, O estado terá mais de 240 milhões anuais para investir em educação e sim, melhores salários.


Apoio a luta dos professores, e volto a dizer que o governo precisa tomar uma atitude IMEDIATA e propor alternativas, ACEITÁVEIS, para solucionar esse impasse. E tenho certeza, que todos vocês, gostariam, nesse momento, de estar em sala de aula ensinando e educando crianças e jovens a serem cidadãos do bem e preparados para prosseguir na universidade, com a mesma qualificação dos que tem mais oportunidade. E reafirmo meu compromisso com vocês e repito É INACEITÁVEL desmerecer essa categoria, É INACEITÁVEL desmerecer o professor que é a base para formar bons cidadãos.


Um grande abraço e contem com meu apoio.


Deputado Neodi Saretta" 

30 de mai de 2011

Avant-prèmiere do filme do Diretor Ângelo Sganzerla - Aos Hespanhóis Conphinantes

O Cineclube Miguel Russowski apresenta no dia 31 de maio o filme “Aos Hespanhóis Conphinantes”, dirigido pelo cineasta joaçabense Ângelo Clemente Sganzerla, irmão do consagrado cineasta Rogério Sganzerla. A pré-estreia, marcada para as 20h15, tem o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR) e da Prefeitura Municipal de Joaçaba.

O longa-metragem é uma adaptação do livro homônimo de Othon Gama D’Eça, que narra a viagem de uma comitiva do governo catarinense ao Extremo-Oeste, no ano de 1929. O objetivo era desbravar a região, quase inexplorada e que chegou a ser foco de disputa com a Argentina.

A comitiva, chefiada pelo governador Adolpho Konder, partiu de Florianópolis com destino a Dionísio Cerqueira. A aventura histórica durou 30 dias, seguindo pelas corredeiras do Rio Uruguai e pelo meio da mata, passando por alguns pontos onde cinco anos antes havia cruzado a Coluna Prestes. Foram percorridos quase três mil quilômetros.

Filmada em 35 mm, a produção foi concluída em 2008. No mesmo ano, participou da 32ª Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo, concorrendo com 1,2 mil inscritos e ficando entre os 350 selecionados. O filme também foi apresentado no 10° Festival Internacional de Cinema em Brasília, no 5º Ibero Brasil Cine Festival em Valência, na 4ª Mostra de Cinema de Itabira e no 16º Festival Ibero Americano de Cinema e Vídeo.

Além de Joaçaba, outras 20 cidades catarinenses serão contempladas com o filme. De acordo Ângelo Sganzerla, o objetivo é atingir um público de aproximadamente 80 mil pessoas, em 87 salas de cinema de todo o Estado. O longa-metragem, que tem 85 minutos de duração, também será exibido nas escolas.

O Meio Ambiente exige respeito! (Tirol na mira do MPSC)

A atuação do Deputado Federal Aldo Rebelo foi uma afronta a tudo o que prega o seu Partido, o PC do B, bandeou-se para o lado do ruralistas e marcou para sempre sua atuação no Congresso Nacional como o homem que está ajudando o Brasil a se tornar um imenso pasto.

Engambelou os pequenos proprietários se dizendo protetor destes, mas no fundo a única coisa que desejava era se apropriar da simpatia que todo o Brasil tem por estes produtores rurais e transferir para os grandes ruralistas as benesses que não lhes compete. Onde já se viu autorizar desmatamento e derrubada de árvores para propriedades que chegam a ser do tamanho de estados?

Mas deixa pra lá. Este povo aí já mostrou que não é só afeito a tombar árvores. Tombam gente também. Já foram quatro nestes últimos dias... Já foram tantos ao longo dos anos...

Daí me vem à cabeça a atuação do Ministério Público. Outro que tem sido alvo de constantes críticas dos que não entendem a importância de um Meio Ambiente equilibrado e sadio. Estes imediatistas que só pensam em si, seus filhos, netos, bistenos, tataranetos que se explodam...

Aplaudo cada gesto do Ministério Público no sentido de coibir estes abusos. O último que tive notícia foi o processo contra a Fábrica de Laticínios Tirol de Treze Tílias/SC - autos 037.10.001171-0. É por aí o caminho, se não tem consciência dos estragos que vêm fazendo, vão responder judicialmente! Este não é o primeiro processo contra quem agride nosso planetinha, e tenho certeza de que não será o último. Muitos são os que acreditam estar acima dos demais seres da Criação...

Rios, mares, florestas, animais não têm voz, não têm o condições de gritar por socorro por conta própria, necessitam de pessoas de fibra e coragem que lutem por eles. Por eles estão os ambientalistas, os Promotores de Justiça e outros tantos  possuidores de um pingo de bom senso.

No mais me cabe nominar os Deputados Federais de Santa Catarina que votaram a favor ou contra o Código da Motosserra, o qual por certo será vetado pela Presidenta Dilma Roussef:

Tudo você encontra na Revista ((O)) Eco!

28 de mai de 2011

Médicos:

(publicado no Jornal Cidadela em 27/05/11)

Este final de semana passei um sufoco com um dos meus gatos, tive uma urgência médica e senti na pele o que é ter nos braços um ser em sofrimento e não ter como conseguir atendimento imediato. Era um animal, mas as lágrimas corriam no meu rosto toda vez que eu pensava que ali podia estar uma filha minha. Uma noite sem dormir me fez refletir muito sobre o atendimento médico (ou a falta dele). Não em refiro aos médicos veterinários, Joaçaba não possui um hospital, entendo não ser possível não ser atendida durante à noite, falo dos atendimentos a humanos, estes sim possuem uma rede bastante ampla para atendimentos de urgência ou emergência.

Lembrei das matérias que vemos nos telejornais de hospitais sem médicos, de prefeituras desesperadas por profissionais. Não sei se faltam profissionais, se as universidades existentes não os formam em quantidade suficiente para toda a demanda do país. Só sei que para muitos médicos são oferecidos salários que muitos professores não ganham com um ano de trabalho. E mesmo assim eles se acham no direito de torcer o nariz e esperar por uma proposta melhor. E assim as pessoas vão morrendo nas cidades do interior deste Brasilzão... Quem sabe se o estudante de universidade pública fosse obrigado a prestar serviço nos primeiros anos em prefeituras do interior isto não amenizaria o problema? O povo pagou para eles estudarem, custa eles darem um pouco de si?

Posso estar escrevendo uma porção de asneiras, mas se no meu colo estivesse uma filha minha por certo eu iria virar um leão, partiria pra cima de quem fosse que lhe negasse atendimento. Agora entendo quando vez por outra sabemos de cidadãos que promoveram uma quebradeira aqui e ali... É impossível para uma pessoa com um mínimo de sangue nas veias suportar a dor e sofrimento de um ente querido. As pessoas acabam despejando sua raiva no SUS, acreditando ser ele o culpado. Eu penso diferente, o SUS é ótimo, péssima é a gestão e esta é feita por pessoas muitas vezes tão gananciosas que não se importam em pegar para si um dinheiro que é almadiçoado, vem da morte de muitos.

E o que dizer dos médicos que faltam plantões e sequer se dão ao trabalho de avisar alguém para que se possa fazer a substituição? Enquanto ele passeia, bebe com amigos, namora, outros seres iguais a eles padecem sem ter a menor condição de reagir ou buscar outros meios. O que acontece com este tipo de profissional? Nada? Nem uma dorzinha na consciência por ter ajudado a acelerar a morte (quando não ser o responsável por ela)? Uma ressaca talvez, moral etílica sei lá... É muito pouco!

E aqueles médicos que possuem dois trabalhos (fontes de renda) e acreditam ter superpoderes de conseguir atender a dois pacientes na mesma hora? Faltam num, vão noutro. Salva um aqui, mata um lá. Sim, eu digo “mata”, pois ele sabia que não poderia estar em dois lugares, então por que “inventou a moda”? Se são dois trabalhos do tipo em turnos diferentes, como um pela mannhã outro à tarde, tudo bem. Uma renda completa a outra, mas e quando ele está ganhado dos dois lugares como se lá estivesse o tempo todo? Além de irresponsável é ladrão. Ganha para estar aqui e ali, mas não está aqui e ali.

Existem excelentes profissionais e acredito piamente que eles são a maioria. Profissionais que sabem o peso da profissão escolhida e que têm a exata medida de sua responsabilidade no meio em que está inserido. Uns fazem o “feijão com arroz”, outros vão mais além e conseguem discernir que eles podem e são, muitas vezes, a diferença entre estar vivo ou morto, estar são ou doente. Médico é assim, não tem jeito, é visto como um semideus, está um grau acima. Só lamento que para alguns isto lhes suba a cabeça e passam a acreditar que é verdade, agindo com arrogância e desdém diante de missão que assumiu para a sua vida....

Para os bons, meu respeito. Para os demais vai uma lembrança do que foi dito no dia da colação de grau: “Prometo que ao exercer a arte de curar, me mostrarei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados os quais terei como preceito de honra; nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu a minha vida e a minha arte com a boa reputação entre os homens e para sempre; se dele me afastar ou infringir suceda-me o contrário. (Hipócrates – 460 AC).”

E pensar que coisas ruins deste tipo que descrevi também acontecem na nossa pequena Joaçaba...

24 de mai de 2011

ESCLARECIMENTO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES


 
Prezados Joaçabenses:

O Partido dos Trabalhadores lançou esta semana o Página 13. É um informativo à população de Joaçaba, o qual provocou grande polêmica em função de seu conteúdo, pois denuncia irregularidades da administração.
O Informativo, na sua página inicial, fez um comentário político sobre casamentos de personalidades públicas. Nada pessoal.
Divulgou, também, questões relativas às CPIs, que são públicas, mas que muitos ainda não haviam compreendido a importância do processo. O Informativo é esclarecedor. Há, ainda, uma avaliação sobre o que se ouve da Juventude sobre o Governo do Mamão. A decepção deste setor com relação a um jovem à frente da Prefeitura Municipal de Joaçaba.
Este Informativo estava sendo distribuído por pessoas ligadas ao Partido, na sexta feira à noite, quando Prefeito Rafael Laske, com o carro oficial da prefeitura e fora do horário de expediente, acompanhado por outras pessoas, chegou ao local, agarrou, empurrou e agrediu verbalmente uma das pessoas que distribuía o Informativo. Colocou-o dentro do carro, contra sua vontade, e o levou à delegacia de polícia. Rafael Laske rasgou a constituição e os direitos civis. Isto sim é ilegal, imoral e virou caso de polícia. Prefeito não tem o poder de prender ninguém. Rafael Laske cometeu vários crimes em menos de meia hora.
- Abuso de autoridade;
- Cárcere Privado;
- Censura;
- Apreensão indevida de material de divulgação;
- Uso indevido de veículo público;
Além disso, o Prefeito demonstrou despreparo e autoritarismo, ao agredir um adolescente, estudante, que entregava o material à noite por trabalhar durante o dia, atitudes impensáveis em tempos de democracia.
Nós do Partido dos Trabalhadores estamos tranqüilos. Se fazemos críticas à atual administração é porque somos oposição e a voz de milhares de Joaçabenses, que esperam que sua angustia seja exposta por alguém. Nós somos, sim, a voz de grande parcela da população, decepcionada com a atual Administração.
Vivemos num país democrático. Democracia se constrói assim. É preciso acabar com a hipocrisia de que quem critica não quer o melhor pra Joaçaba, pelo contrário, vivemos aqui, temos nossos filhos aqui e é aqui que queremos viver.
Mas com justiça e liberdade de expressão.


PT - Partido dos Trabalhadores de Joaçaba.

23 de mai de 2011

Quem vigia o “vigia”?

(publicado no Jornal Cidadela em 20/05/2011)

Costumo receber denúncias sobre os mais variados assuntos, algumas vêm assinadas e com dados concretos, outras são um amontoado de insinuações, sem provas e sem identificação do remetente. Leio todas, busco informações. Lógico que dou mais atenção àquelas que têm, pelo menos, algo de concreto onde eu possa me apoiar. E também tenho que levar em consideração que não tenho todo o tempo e nem obrigação de investigar tudo. Faço o que posso.

Dentre tantas recebidas me chamou a atenção uma que tratava da empresa que prsta serviços de portaria na carcaça da nova rodoviária. Primeiro uma ligação, depois requisitei dados por e-mail. Eles vieram e eu me surpreendi com o que me foi apresentado: uma empresa sem nenhum liame com os trabalhos de segurança patrimonial estava recebendo do poder público para atual nesta área.

Trata-se de uma dispensa de licitação datada de 25/11/2010 e “aditivada” em 24/04/11, onde a empresa LB Comércio e Serviços Ltda é a que consta como a prestadora dos serviços. Um posto de trabalho de 24 horas ininterruptas ao custo de cerca de R$ 9.600,00 ao mês para os cofres públicos (ou seja, nosso bolso). Convenhamos que a rodoviária fantasma não carece de serviço de porteiro, então devemos entender que este trabalho na realidade é o de vigilante, afinal a depredação do imóvel foi o motivo de tal contratação.

É salutar transcrever o que segue: “O porteiro não é obrigado a fazer nenhum tipo de curso e nem precisa de idade e escolaridade mínima. Já para vigilante é necessário ter no mínimo 21 anos, a 4º série completa e ainda passar por alguns testes. Uma outra diferença observada é quanto ao custo dos trabalhadores. Um profissional de portaria, custa, em média, um salário mínimo por mês, fora os custos trabalhistas. Se for uma portaria 24 horas é necessário contratar mais de um. Para Simões, muitos prédios ainda preferem o vigilante pela segurança e respaldo, apesar do custo ser em torno de 9 mil/mês pelo trabalho de 24 horas diárias.” (http://www.construcaoecia.com.br/conteudo.asp?ed=17&cont=21) Por aí vemos que estamos pagando por um vigilante.

Ocorre que fui consultar o CNPJ da referida empresa e constatei que não consta este tipo de atividade naquele documento. Aliás, a empresa possui registro de vários CNAE (código da atividade econômica), menos o “80.11-1-01” - Atividades de vigilância e segurança patrimonial. Outra obrigatoriedade é o da empresa ser registrada junto à Polícia Federal e lá verifiquei que “o CNPJ não é autorizado pela Polícia Federal”. Então que tipo de profissional temos lá guardando a segurança de um bem público? E se acontecer algo com o dito “vigilante”? Como ficarão as questões legais?

E por que da dispensa de licitação? Serviços deste tipo são prestados por várias empresas não importando se de porteiro ou vigilante, ia sobrar gente na licitação... Urgência? Se nem na “rodoLONAviária” contrataram uma empresa em caráter emergencial para tapar o buracão?! Não entendi o motivo, não consta nos extratos publicados via “on line’. Preferi encaminhar tais informações ao Ministério Público, ele tem prerrogativa e meios de verificar tudo isto.

Pois bem, mais uma vez me dirigi ao Promotor de Justiça responsável pela moralidade administrativa e, em 05/05/11, foi protocolado o pedido de investigação e demais documentos públicos que acessei. Agora é esperar, pois no caso da empresa “Alexsandra dos Santos Ltda.” minha denúncia se tornou uma Ação Civil Pública. Mas o prefeito não precisa ficar preocupado, afinal ele disse em entrevista que CPI “não dá nada”... Quem dirá uma “fofoca” a mais no MP... Então tá!

16 de mai de 2011

Ao amigo Sr. Ruy:

(publicado no Jornal Cidadela em 13/05/2011)

Hoje eu vou me dar ao direito de usar este espaço para homenagear um querido amigo e leitor assíduo deste meu espaço semanal, Sr Ruy Klein Hommirch, que partiu para a pátria espiritual na noite de terça-feira. São 13:23h da quarta-feira e qualquer outro assunto que por ventura tentasse desenvolver não sairia a contento, nem para mim, nem para aquele leitor crítico que toda a vez que me encontrava dava seus “pitacos” nos assuntos expostos.

Não lembro direito como conheci o Sr Ruy, acho que foi por intermédio da Mônica, sua filha mais nova e uma grande amiga minha. Lembro de ter sentado por tardes inteiras vendo antigas fotos e “bebendo na fonte’ da história de Joaçaba. Seu acervo de imagens e recortes de notícias antigas era algo fora do comum. A organização com que mantinha as fotos (quase a maioria com legenda na verso) fazia com que qualquer um tivesse condições de entender a linha do tempo, de uma vila empoeirada para uma cidade.

Ele foi um dos grandes personagens desta história, sua passagem pela Prefeitura deixou marcas que a todo o momento vemos pela cidade. Foi o Prefeito mais novo que Joaçaba elegeu, com apenas 32 anos mudou o rumo da cidade para melhor. Apesar de novo, mostrou garra e determinação. Ou seria teimosia de gaúcho? Seja lá como for este “forasteiro” veio para fazer a diferença.

Não era cidadão nato de Joaçaba, era gaúcho de Soledade. Quando eu o conheci soube que carregava uma mágoa lá no seu íntimo: nunca fora lembrado para receber o título de cidadão honorário. Orgulhava-se sem cerimônia ao falar de tudo o que fizera pela cidade, encolhia-se ao se ver esquecido pelos mais novos. Ele era um exemplo de que para trabalhar por Joaçaba nascer aqui não é condição “sine qua non”, basta amar a cidade. E foi ele uma das pessoas que me mostrou bons motivos para amá-la também.

Em dezembro de 2008 ele recebeu o tão sonhado título de cidadão honorário. Seu discurso emocionou a todos que se fizeram presentes àquela cerimônia. Sem texto escrito deixou vir à boca todo o sentimento e ressentimento que tinha em seu coração. Eu entendi cada palavra, sabia da importância daquele momento para ele. Confesso que temi pelo seu coração. Creio que foi o dia em que vi o Sr. Ruy mais feliz. Sim, dos dias que convivi com ele aquele fora o mais feliz.

Em 2008 estive muito próxima a ele, foi no tempo da campanha. Política era uma de suas grandes paixões. Falava do passado sempre preocupado com o futuro. Via com preocupação os dias vindouros, mas torcia pela cidade, esperava que Joaçaba tivesse tempos áureos como no passado. Não se conformava com o que via à sua volta, ansiava por melhorias. Algumas vezes senti que se ele pudesse (se a lei e a saúde lhe permitisse), pegaria as rédeas e começaria a dar ordens aqui e acolá, trazendo assim Joaçaba para os trilhos novamente.

Um dia eu perguntei sobre seu afastamento da política, como uma pessoa que ama tanto este meio pode ter ser afastado. A resposta foi acompanhada de um traço de tristeza: “Em política há mais com o que se decepcionar do que com o que festejar. Um dia você vai entender...”. Optei por dar o assunto por encerrado, não seria eu quem iria abrir aquela ferida tão doída. Contudo não se passaram três anos e já bastou para eu entender aquela resposta em sua essência. Tive a confirmação num encontro casual em que falávamos dos dias atuais. Ele mesmo me puxou pela memória e falou sobre a conversa. Lembramos do que foi dito sobre “decepcionar-se”...

Nosso último encontro foi no Sarau Literário que teve no Teatro. Ele recitou (ou tentou bravamente recitar) o Navio Negreiro. A memória já falha entrecortou o gigantesco poema, mas estava lá. Onde houvesse Cultura ele sempre gostou de estar. No final da noite conversamos descontraidamente sobre tudo e eu expus meu novo objeto de estudo: Paulo Stuart Wright. Sabia que haviam sido contemporâneos, queria ouvir dele sobre desaparecido político.

“Ih! Eu tentei colocar ele como meu Secretário, mas não deu certo.” Lógico! Eu sabia que era pouco provável que esta dobradinha desse certo, um esquerdista no governo de um Prefeito de extrema Direita, há paradoxo maior que este? Era justamente sobre isto que eu queria saber; como Sr. Ruy via a figura de Paulo Wright? Marcamos um café, ou melhor, uma tarde inteira para conversarmos sobre o assunto. Com o Sr. Ruy era assim, nada de conversas e visitas rápidas. Pessoas com conteúdo demandam tempo. Ficou para a quarta-feira seguinte.

Pouco tempo depois a Mônica me telefona avisando que ele fora encaminhado para Chapecó, mas que pediu para me informar que só haveria um adiamento na nossa conversa. Eu esperei, acompanhei de longe sua luta. Recebia notícias daqui e ali, torcia por ele. Quantas vezes ele me disse que não e entregaria tão facilmente? Perdi as contas. Precisou o destino literalmente lhe dar um tombo para que ele caísse.

Agora estou aqui escrevendo e lembrando dos bons momentos que passamos juntos. Lembro de como eu pegava no pé dele dizendo que em algumas fotos antigas ele parecia um galã de cinema, mas que em outras era “escrito” o Amigo da Onça, aquela personagem da revista O Cruzeiro. Ele ria, era inegável que havia semelhança! Daí ríamos mais ainda pelo fato de décadas nos separarem e isto não ser motivo de não termos assunto para conversar.

E o café foi adiado. Fica para a próxima, querido amigo...

12 de mai de 2011

18 de maio - Dia do Branco pela não violência - CREAS Joaçaba/SC

O CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social de Joaçaba, através da Secretaria de Ação Social da Prefeitura, que atende pessoas que tiveram direitos violados e vítimas de violência, está preparando a campanha de prevenção para marcar o Dia Nacional de Enfrentamento à Violência, Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O Dia 18 de Maio, próxima quarta-feira, foi instituído pela lei Federal nº 9.970, foi escolhido em razão do crime Araceli, (Saiba mais: http://www.diganaoaerotiz...-da-violencia/) em que uma menina de oito anos foi cruelmente assassinada, após ter sido estuprada e drogada em Vitória, no Espírito Santo.

Segundo Rozane Martins Schmautz, Coordenadora CREAS, neste ano toda a sociedade está sendo convidada a sair as ruas usando roupas brancas, em sinal de mobilização e repúdio a tantos atos cometidos contra as crianças e adolescentes.

“Através da Secretaria de Ação Social, o CREAS tem a intenção de destacar esta data para mobilizar e convocar toda a sociedade a participar desta campanha de prevenção da violência contra crianças, adolescentes, mulheres e idosos. Esse dia é para lembrar o passado, dia de assumir um compromisso com uma sociedade mais humana, fraterna, justa. Dia de arregaçar as mangas e trabalhar no presente para colher frutos de PAZ no futuro”. Explica.
Rozane complementa que a mobilização depende do apoio da comunidade.

“Chamamos a atenção da sociedade joaçabense para que neste dia 18 de maio se vista de branco, coloque na janela de sua casa, de sua escola, de sua empresa, um pano branco. Coloque em seu carro uma fita branca. Coloque na porta de seu estabelecimento comercial balões brancos”.

Mateada Pela Vida

Outro evento para marcar a data acontecerá no dia 22, domingo. Será a IV Mateada Pela Vida de Joaçaba. No dia acontecerá a distribuição de panfletos alusivos a data, piscina de bolinhas, cama elástica, futebol de sabão, touro mecânico e oficina de artes para as crianças, entre outras atrações.
A programação será das 14h às 18h, na Praça Adolfo Konder.

Sua empresa, entidade, escola, ou comunidade vai participar do Dia Branco? Confirme aqui, ou no e-mail: jornalismo@ederluiz.com. Criaremos um álbum de fotos especial no dia e daremos destaque a quem participar aqui no ederluiz.com

9 de mai de 2011

Crucifica-o! Crucifica-o! Crucifica-o!

(publicado no Jornal Cidadela em 06/05/2011)

Conta a história (bíblica) que num certo dia o povo foi incitado a fazer uma escolha, tinham que decidir entre duas pessoas qual seria crucificada. De um lado um ladrão e do outro um homem em que sua existência e postura diante das coisas incomodavam uns poucos que se mantinham no poder. Escolheram crucificar o inocente, talvez nem por vontade própria, havia outras circunstâncias que levaram a este desfecho.

Uma das teorias sobre as tais circunstâncias diz respeito ao fato de Barrabás (o ladrão em questão), ser um zelote, quase um guerrilheiro, este tinha um grupo muito bem organizado se que articulou entre a massa a ponto de levá-la a decidir por seu parceiro. Seus gritos ecoavam mais alto, com mais firmeza, e isto levou todos a acreditar que por terem mais voz eram o que estavam certos.

Outra lembra que tal decisão se deu durante a celebração da Páscoa, quando a maioria dos judeus estava reclusa em suas casas, como mandava a tradição. Então quem estava ali para escolher entre Barrabás e Jesus não era exatamente o povo judeu, e sim um pequeno grupo ligado ao Sinédrio, comandado por Caifás.

Seja lá como for a decisão se deu, ou pelos os que votaram e estavam sob má influência, ou pela omissão dos que não se fizeram presentes... Ou as duas coisas juntas. E o Homem fora crucificado...

Todos os anos por conta dos festejos da Páscoa esta história é relembrada, eu já a ouvi umas 39 vezes (são 39 Páscoas em minha vida). O que eu acho mais engraçado é que o povo ouve a história e não aprende nada com ela, não reflete, não a traz para a sua vida. Talvez porque ao final o injustiçado ressurge (ou ressuscita) e perdoa a todos. A besteira feita fora consertada e ficou o dito pelo não dito.

A história não é linear os fatos tornam a acontecer, em maior ou menor escala, nada do que acontece é inédito, um dia em algum lugar, de alguma forma parecida já aconteceu ou acontecerá. Tudo é cíclico e nós não somos originais em nada, Pelo visto nem em crucificar inocentes. Continuamos ouvindo as pessoas erradas, continuamos ficando em casa e deixando para os outros decidirem pela gente, transferindo assim a culpa pelo resultado.

Nas últimas semanas pude presenciar algo muito semelhante no nosso “microcosmos”, coisa que me envergonha e me faz acreditar que o ser humano tem muito a aprender ainda. Encheram nossos ouvidos com meias verdades e com boatos sobre uma determinada pessoa. Falaram, falaram e nada trouxeram para comprovar o que diziam. Mas como o povo daqui adora uma fofoca, foi logo repercutindo o que a “imprensa isenta e bem paga” divulgava.

Nem se pode culpar o populacho, afinal de contas usaram bons instrumentos para levar todos ao engano. Se eu fosse uma agricultora “do pé rachado” e ouvisse um advogado falando também iria acreditar que se trata da mais pura verdade. Contudo sei bem o que se passa por detrás dos processos. Em Direito se diz que são sete as verdades... Ele usou a dele.

Só um ingênuo para não perceber que todo este barulho tinha uma razão de ser: a eleição da nova diretoria da CREDIRIO que ocorreria no dia 30 de abril. Tanto que ela aconteceu e já na segunda-feira não se ouviu mais nada sobre o rombo de milhões. Sumiu o rombo ou a necessidade de alardeá-lo? Ah tá... Pleito decidido, melhor se calar, afinal a Verdade (com V maiúsculo) pode vir à tona, não é mesmo?

Não sou muito entendida de Bíblia, mas lembro bem que o grande ato de ousadia escancarada do Homem de Nazaré foi “chutar o pau da barraca” numa feira onde os oportunistas vendiam de tudo em proveito próprio. Ou seja, rebelou-se contra usurpadores. Daí me vem à cabeça que nosso homem daqui de Joaçaba também “chutou o pau da barraca” e tinha tudo para acabar com a alegria dos “feirantes” da nossa região. Melhor mesmo aniquilá-lo, melhor ainda se conseguir dar um jeito de fazer de conta que foi a vontade popular.

Dito e feito. Foi bem isto que aconteceu! Tal e qual nos tempos do Homem da Galiléia o povo decidiu por quem já tinha um histórico desabonador. Preferiu acreditar nos gritos dos aliados ou se manter em casa optando pela abstenção (naquele tempo era uma questão de tradição, aqui a história parece que foi um pouco diferente...). E que não venham dizer que estou mentindo, pois ouvi a própria pessoa em questão dizendo que sua pena junto ao BACEN havia sido cumprida em fevereiro deste ano.

Eu tenho conta corrente em uma Cooperativa e nunca votaria em quem tem este histórico: “Recurso 5778 - 0101076647 - Assunto: Concessão de empréstimos acima da capacidade creditícia do tomador – Falta de adoção de procedimentos para a respectiva cobrança. Decisão (Lei 4.595/64, art. 44, §§ 2º. e 4º.). Multa pecuniária no valor de R$ 10.000,00 e Inabilitação individual por 2 anos para o exercício de cargos de direção na administração ou gerência em instituições na área de fiscalização do BACEN. [http://www4.bcb.gov.br/crsfn/recursos/j20090127295.htm] Votaria de olhos fechados em quem nunca fora processado.

O certo é que os cristãos daquela época não contavam com os mecanismos que hoje temos para que a Verdade venha à tona. Contavam apenas com a comunicação verbal e um que outro escrito. Hoje temos Internet, Banco Central, Super Receita, Polícia Federal. E devemos tudo isto aquele Inocente crucificado lá nos tempos idos. Amém.

1 de mai de 2011

O trabalho pela vida – não a vida pelo trabalho

(publicado no Jornal Cidadela em 29/04/2011)

Quando você estiver lendo esta coluna o evento cujo título tomei emprestado para a minha coluna já deverá ter ocorrido, são as barreiras da imprensa escrita, esta que insiste em lutar para se manter (e graças a Deus tem vencido as batalhas). Fazia dias que vinha matutando de escrever algo sobre o assunto, coisa de um mês, quando meus rins tornaram a me lembrar que foram maltratados em tempos passados. Eles fazem companhia ao meu ombro que também foi vítima de uma relação de trabalho não muito saudável.

Quando era criança acreditava ser glamuroso trabalhar em banco, as mulheres sempre arrumadas e com a maquiagem em dia por conta do ar condicionado e do ambiente sóbrio dos escritórios. Andavam de salto alto e estavam sempre bonitas. Eu achava o máximo ir ver minha mãe trabalhar, amava o ambiente. Naquela época todos ficavam às voltas com papéis, era bonito de ver e bom de se sonhar com um futuro parecido...

Anos depois a vida me colocou dentro de um banco. Já não eram mais os papéis que nos cercavam, no máximo uma tela fria e um teclado para a operacionalização das tarefas. Papel até havia, mas era coisa pouca. Todos os dias usando sem cessar a mão direita, fazendo uso das teclas numéricas. Todos os dias com hora para sentar, mas sem hora para ir ao banheiro. Se não pode ir ao banheiro, melhor nem tomar água. Para dar conta da pressão o jeito era economizar nas atividades “supérfluas” e assim os dias iam se passando.

Com o passar do tempo as idas e vindas aos médicos passaram a ser constantes. As guias que encaminhavam para a fisioterapia ou para o afastamento da atividade eram ignoradas e colocadas no fundo da bolsa. Não se podia cogitar em perder o emprego quando se precisava dele para sustentar as filhas. Afastamento só quando o trato urinário resolvia pifar e a internação era compulsória. Nunca esqueço que numa das receitas veio a seguinte instrução: “beba água, mesmo durante o expediente”. Eu ri. Ou não bebia por não ter tempo, ou não bebia para não perder tempo.

Depois de alguns anos com um ritmo alucinante entre banco (com rotinas de mais de oito horas diárias – sim, os bancários trabalham bem mais do que o tempo que a agência fica aberta) e uma faculdade em fase final cheguei a um nível de estresse que desaprendi a ler. Olhava pra a tela, mas nada de conseguir decifrar o que nela estava escrito. Nove meses afastada. Dormi tudo o que não havia feito nos últimos cinco anos. Refleti sobre a importância de ter um trabalho e não ter mais qualidade de vida. Na volta pedi a conta.

Sei que me alonguei falando de mim, mas não podia me furtar de compartilhar a minha experiência com o trabalho que adoece. Na minha vida isto são águas passadas. Apenas volta e meia uma dorzinha aqui outra acolá. Nada que preocupe, apenas meras lembranças de um passado que não tenho saudades. Hoje eu estudo para evitar este tipo de coisa, até estou freqüentando um curso de CIPA para me inteirar melhor sobre o assunto. O curso trata mais de acidentes, mas já aprendi que muitos deles ocorrem pela fadiga do trabalhador. Uma coisa leva à outra.

Uma vez ouvi um empresário falando de seus funcionários; na realidade estava me relatando uma discussão que teve com um deles. Lá pelas tantas ele conta que disse para um dos moços: “se não está satisfeito, vá procurar trabalho lá na ...” (mencionou o nome de uma agroindústria bastante famosa). Ele ponderou que pagava “tudo nos conforme”, e que não ia tolerar abusos. Pra mim serviu a observação feita sobre ir para a outra empresa. Sabia do que ele estava falando. Este tipo de indústria é famoso pela produção de pessoas aleijadas física e mentalmente. Venho constatando isto pelo o que tem me chegado às mãos. Saúde do trabalhador tem sido um dos assuntos que têm me atraído nos últimos tempos.

Se os leitores assistirem ao documentário “Carne, Osso” - que trata do duro cotidiano de trabalho nos frigoríficos brasileiros de abate de aves, bovinos e suínos - verão os seguintes relatos:

Danos físicos e psicológicos - “Cerca de 80% do público atendido aqui na região é de frigoríficos. Ainda é um pouco difícil porque o círculo vicioso já foi criado. O trabalhador adoece e vem pro INSS. Ele não consegue retornar, ele fica aqui. E as empresas vão contratando outras pessoas. Então já se criou um círculo que agora para desfazer não é tão rápido e fácil” – Juliana Varandas, terapeuta ocupacional do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de Chapecó (SC).

Ritmo frenético - “A gente começou desossando três coxas e meia. Depois, nos 11 anos que eu fique lá, cada vez eles exigiam mais. Quando saí, eu já desossava sete coxas por minuto” – Valdirene Gonçalves da Silva, ex-funcionária de frigorífico.

Reclamações curiosas - “Tu não tem liberdade pra tu ir no banheiro. Tu não pode ir sem pedir ordem pro supervisor teu, pro encarregado teu. Isso aí é cruel lá dentro. Tanto que tem gente que até louco fica” – Adelar Putton, ex-funcionário de frigorífico.

Problemas com a Justiça - “O trabalho é o local em que o empregado vai encontrar a vida, não é o local para encontrar a morte, doenças e mutilações. E isso no Brasil, infelizmente, continua sendo uma questão séria” – Sebastião Geraldo de Oliveira, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª região (TRT-3).

Pujança econômica - “Esse é um problema de interesse do conjunto da sociedade, não é só de um setor. O Estado tem que se posicionar. Não se pode fazer de forma tão impune ações que levam ao adoecimento e à incapacidade tantos trabalhadores” – Maria das Graças Hoefel, médica e pesquisadora.

Melhorar é possível - “Basicamente, é conscientizar essas empresas para reprojetar essas tarefas. Introduzir pausas, para que exista uma recomposição dos tecidos dos membros superiores, da coluna. Em algumas vai ter que ter diminuição de ritmo de produção. Nós estamos hoje chegando só no diagnóstico do setor. Mas as empresas ainda refratárias a esse diagnóstico” – Paulo Cervo, auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Pelo visto os processos de trabalho precisam ser revistos em todas as atividades econômicas. De nada adianta produzirmos excelentes resultados econômicos se deixamos a desejar no âmbito da saúde e social. O trabalhador precisa produzir, mas ele precisa ser alguém mais do que uma mera ferramenta desta ou daquela empresa. Ele deve trabalhar para viver e não viver para trabalhar. Estas pessoas são pais, mães, filhos... Estão muito distantes da perfeição e frieza das máquinas...

Que este dia 28 de abril - que passou a ser lembrado como dia em memória às vítimas das más condições de trabalho a partir de uma explosão ocorrida no dia 28 de abril de 1969, na mina de Farmington (Vírgínia/EUA) onde morreram 78 mineiros – sirva de “start” para mudanças emergentes nos processos de produção das riquezas da nossa nação. Aos empregadores não basta apenas agir por conta das ações dos órgãos fiscalizadores, é urgente a tomada de consciência de que do jeito que está não dá para ficar...

O evento da noite de quinta-feira é um dos primeiros passos. Que esta caminhada esteja apenas começando, pois ainda sonho com um Centro de Referência em Saúde de Trabalhador – CEREST - aqui na nossa região... Aí sim saberemos quem está, literalmente, dando a vida pelo trabalho...