9 de mai de 2011

Crucifica-o! Crucifica-o! Crucifica-o!

(publicado no Jornal Cidadela em 06/05/2011)

Conta a história (bíblica) que num certo dia o povo foi incitado a fazer uma escolha, tinham que decidir entre duas pessoas qual seria crucificada. De um lado um ladrão e do outro um homem em que sua existência e postura diante das coisas incomodavam uns poucos que se mantinham no poder. Escolheram crucificar o inocente, talvez nem por vontade própria, havia outras circunstâncias que levaram a este desfecho.

Uma das teorias sobre as tais circunstâncias diz respeito ao fato de Barrabás (o ladrão em questão), ser um zelote, quase um guerrilheiro, este tinha um grupo muito bem organizado se que articulou entre a massa a ponto de levá-la a decidir por seu parceiro. Seus gritos ecoavam mais alto, com mais firmeza, e isto levou todos a acreditar que por terem mais voz eram o que estavam certos.

Outra lembra que tal decisão se deu durante a celebração da Páscoa, quando a maioria dos judeus estava reclusa em suas casas, como mandava a tradição. Então quem estava ali para escolher entre Barrabás e Jesus não era exatamente o povo judeu, e sim um pequeno grupo ligado ao Sinédrio, comandado por Caifás.

Seja lá como for a decisão se deu, ou pelos os que votaram e estavam sob má influência, ou pela omissão dos que não se fizeram presentes... Ou as duas coisas juntas. E o Homem fora crucificado...

Todos os anos por conta dos festejos da Páscoa esta história é relembrada, eu já a ouvi umas 39 vezes (são 39 Páscoas em minha vida). O que eu acho mais engraçado é que o povo ouve a história e não aprende nada com ela, não reflete, não a traz para a sua vida. Talvez porque ao final o injustiçado ressurge (ou ressuscita) e perdoa a todos. A besteira feita fora consertada e ficou o dito pelo não dito.

A história não é linear os fatos tornam a acontecer, em maior ou menor escala, nada do que acontece é inédito, um dia em algum lugar, de alguma forma parecida já aconteceu ou acontecerá. Tudo é cíclico e nós não somos originais em nada, Pelo visto nem em crucificar inocentes. Continuamos ouvindo as pessoas erradas, continuamos ficando em casa e deixando para os outros decidirem pela gente, transferindo assim a culpa pelo resultado.

Nas últimas semanas pude presenciar algo muito semelhante no nosso “microcosmos”, coisa que me envergonha e me faz acreditar que o ser humano tem muito a aprender ainda. Encheram nossos ouvidos com meias verdades e com boatos sobre uma determinada pessoa. Falaram, falaram e nada trouxeram para comprovar o que diziam. Mas como o povo daqui adora uma fofoca, foi logo repercutindo o que a “imprensa isenta e bem paga” divulgava.

Nem se pode culpar o populacho, afinal de contas usaram bons instrumentos para levar todos ao engano. Se eu fosse uma agricultora “do pé rachado” e ouvisse um advogado falando também iria acreditar que se trata da mais pura verdade. Contudo sei bem o que se passa por detrás dos processos. Em Direito se diz que são sete as verdades... Ele usou a dele.

Só um ingênuo para não perceber que todo este barulho tinha uma razão de ser: a eleição da nova diretoria da CREDIRIO que ocorreria no dia 30 de abril. Tanto que ela aconteceu e já na segunda-feira não se ouviu mais nada sobre o rombo de milhões. Sumiu o rombo ou a necessidade de alardeá-lo? Ah tá... Pleito decidido, melhor se calar, afinal a Verdade (com V maiúsculo) pode vir à tona, não é mesmo?

Não sou muito entendida de Bíblia, mas lembro bem que o grande ato de ousadia escancarada do Homem de Nazaré foi “chutar o pau da barraca” numa feira onde os oportunistas vendiam de tudo em proveito próprio. Ou seja, rebelou-se contra usurpadores. Daí me vem à cabeça que nosso homem daqui de Joaçaba também “chutou o pau da barraca” e tinha tudo para acabar com a alegria dos “feirantes” da nossa região. Melhor mesmo aniquilá-lo, melhor ainda se conseguir dar um jeito de fazer de conta que foi a vontade popular.

Dito e feito. Foi bem isto que aconteceu! Tal e qual nos tempos do Homem da Galiléia o povo decidiu por quem já tinha um histórico desabonador. Preferiu acreditar nos gritos dos aliados ou se manter em casa optando pela abstenção (naquele tempo era uma questão de tradição, aqui a história parece que foi um pouco diferente...). E que não venham dizer que estou mentindo, pois ouvi a própria pessoa em questão dizendo que sua pena junto ao BACEN havia sido cumprida em fevereiro deste ano.

Eu tenho conta corrente em uma Cooperativa e nunca votaria em quem tem este histórico: “Recurso 5778 - 0101076647 - Assunto: Concessão de empréstimos acima da capacidade creditícia do tomador – Falta de adoção de procedimentos para a respectiva cobrança. Decisão (Lei 4.595/64, art. 44, §§ 2º. e 4º.). Multa pecuniária no valor de R$ 10.000,00 e Inabilitação individual por 2 anos para o exercício de cargos de direção na administração ou gerência em instituições na área de fiscalização do BACEN. [http://www4.bcb.gov.br/crsfn/recursos/j20090127295.htm] Votaria de olhos fechados em quem nunca fora processado.

O certo é que os cristãos daquela época não contavam com os mecanismos que hoje temos para que a Verdade venha à tona. Contavam apenas com a comunicação verbal e um que outro escrito. Hoje temos Internet, Banco Central, Super Receita, Polícia Federal. E devemos tudo isto aquele Inocente crucificado lá nos tempos idos. Amém.

Um comentário:

  1. Parabéns pela contextualização Bete. Infelizmente algumas pessoas ainda preferem acreditar nas primeiras notícias, mesmo não sabendo se elas atendem a interesses alheios. Ex disso foi o q aconteceu com o colega de Videira. Estão crucificando o cidadão sem aguardar o contraditório.

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