28 de mai de 2011

Médicos:

(publicado no Jornal Cidadela em 27/05/11)

Este final de semana passei um sufoco com um dos meus gatos, tive uma urgência médica e senti na pele o que é ter nos braços um ser em sofrimento e não ter como conseguir atendimento imediato. Era um animal, mas as lágrimas corriam no meu rosto toda vez que eu pensava que ali podia estar uma filha minha. Uma noite sem dormir me fez refletir muito sobre o atendimento médico (ou a falta dele). Não em refiro aos médicos veterinários, Joaçaba não possui um hospital, entendo não ser possível não ser atendida durante à noite, falo dos atendimentos a humanos, estes sim possuem uma rede bastante ampla para atendimentos de urgência ou emergência.

Lembrei das matérias que vemos nos telejornais de hospitais sem médicos, de prefeituras desesperadas por profissionais. Não sei se faltam profissionais, se as universidades existentes não os formam em quantidade suficiente para toda a demanda do país. Só sei que para muitos médicos são oferecidos salários que muitos professores não ganham com um ano de trabalho. E mesmo assim eles se acham no direito de torcer o nariz e esperar por uma proposta melhor. E assim as pessoas vão morrendo nas cidades do interior deste Brasilzão... Quem sabe se o estudante de universidade pública fosse obrigado a prestar serviço nos primeiros anos em prefeituras do interior isto não amenizaria o problema? O povo pagou para eles estudarem, custa eles darem um pouco de si?

Posso estar escrevendo uma porção de asneiras, mas se no meu colo estivesse uma filha minha por certo eu iria virar um leão, partiria pra cima de quem fosse que lhe negasse atendimento. Agora entendo quando vez por outra sabemos de cidadãos que promoveram uma quebradeira aqui e ali... É impossível para uma pessoa com um mínimo de sangue nas veias suportar a dor e sofrimento de um ente querido. As pessoas acabam despejando sua raiva no SUS, acreditando ser ele o culpado. Eu penso diferente, o SUS é ótimo, péssima é a gestão e esta é feita por pessoas muitas vezes tão gananciosas que não se importam em pegar para si um dinheiro que é almadiçoado, vem da morte de muitos.

E o que dizer dos médicos que faltam plantões e sequer se dão ao trabalho de avisar alguém para que se possa fazer a substituição? Enquanto ele passeia, bebe com amigos, namora, outros seres iguais a eles padecem sem ter a menor condição de reagir ou buscar outros meios. O que acontece com este tipo de profissional? Nada? Nem uma dorzinha na consciência por ter ajudado a acelerar a morte (quando não ser o responsável por ela)? Uma ressaca talvez, moral etílica sei lá... É muito pouco!

E aqueles médicos que possuem dois trabalhos (fontes de renda) e acreditam ter superpoderes de conseguir atender a dois pacientes na mesma hora? Faltam num, vão noutro. Salva um aqui, mata um lá. Sim, eu digo “mata”, pois ele sabia que não poderia estar em dois lugares, então por que “inventou a moda”? Se são dois trabalhos do tipo em turnos diferentes, como um pela mannhã outro à tarde, tudo bem. Uma renda completa a outra, mas e quando ele está ganhado dos dois lugares como se lá estivesse o tempo todo? Além de irresponsável é ladrão. Ganha para estar aqui e ali, mas não está aqui e ali.

Existem excelentes profissionais e acredito piamente que eles são a maioria. Profissionais que sabem o peso da profissão escolhida e que têm a exata medida de sua responsabilidade no meio em que está inserido. Uns fazem o “feijão com arroz”, outros vão mais além e conseguem discernir que eles podem e são, muitas vezes, a diferença entre estar vivo ou morto, estar são ou doente. Médico é assim, não tem jeito, é visto como um semideus, está um grau acima. Só lamento que para alguns isto lhes suba a cabeça e passam a acreditar que é verdade, agindo com arrogância e desdém diante de missão que assumiu para a sua vida....

Para os bons, meu respeito. Para os demais vai uma lembrança do que foi dito no dia da colação de grau: “Prometo que ao exercer a arte de curar, me mostrarei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados os quais terei como preceito de honra; nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu a minha vida e a minha arte com a boa reputação entre os homens e para sempre; se dele me afastar ou infringir suceda-me o contrário. (Hipócrates – 460 AC).”

E pensar que coisas ruins deste tipo que descrevi também acontecem na nossa pequena Joaçaba...

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