6 de jun de 2011

Algumas considerações sobre mim...

(publicado no Jornal Cidadela em 03/06/11)

Quem é Bete Vieira? Esta foi a pergunta feita pelo prefeito de Joaçaba numa entrevista que deu à uma rádio local, após ter sido inquirido sobre umas promessas de campanha não cumpridas. Num rompante de destempero não se limitou a responder o que lhe fora perguntado, partiu para a agressão demonstrando assim o que todos descobrimos: não tem preparo para ser prefeito. Um político astuto nunca partiria para um discurso como aquele... Constrangimento geral.

Apesar de eu acreditar na lição do Mestre que diz “Guardai-vos, não façais as boas obras diante dos homens, com o fim de serdes visto por eles, de outro modo não recebereis a recompensa de vosso Pai que está nos Céus”; sinto que se faz necessário falar sobre quem é Bete Vieira:

Meu nome completo é Elisabete Margot Vieira, nasci em Joinville/SC aos 28/02/1972. Sou casada com um “joaçabense nato” e mãe de duas filhas que estudam fora. Sou advogada de formação e empresária por opção. No âmbito do serviço voluntário sou Presidente da ONG Amigos dos Animais, membro do Conselho Municipal de Assistência Social, membro da Rede de Proteção Social, membro da Comissão de Acompanhamento PROUNI – UNOESC, associada da ASSAJHOL, 1a. Secretária do Lar do Idoso Frei Bruno e atuo em outras entidades das quais participo esporadicamente. Também sou blogueira e tuteira – nestes espaços procuro atuar como ativista social e ambiental interagindo com o resto do mundo através da Grande Rede.

Creio que agora estamos esclarecidos sobre a questão levantada de eu em nada contribuir para a cidade, não é mesmo? Meu dia tem as mesmas 24 horas do que a de todos os demais mortais... Faço o que posso e que acho que devo... Vamos agora ao restante do discorrido, afinal de contas não me foi dado o direito de réplica e as últimas palavras ouvidas ficaram como verdadeiras. O que não condiz com a realidade.

Levantei a questão do prefeito se dizer defensor dos direitos dos animais e ter trazido circo e rodeio para nossa Joaçaba. Respondeu-me que não há lei que os proíba e que em Herval d’Oeste também há um circo. Realmente, leis proibitivas que tratem diretamente do assunto não existem, mas há outras que podem ser bem usadas. Assim o fez o prefeito de Luzerna no ano passado e o prefeito de Herval d’Oeste este ano. Nestas cidades imperou o bom senso e animais foram poupados dos maus tratos. Ou seja, faltou vontade do prefeito de Joaçaba. Ou melhor, sobrou vontade! Ano passado chegou ir à capital para ajudar a desvencilhar umas licenças... Só lamento que não tenha aproveitado o ensejo e dado uma passada na Delegacia do Patrimônio da União para dar uma força também para o Lar do Idoso Frei Bruno que até hoje não saiu do papel...

Outra inverdade foi o fato do atual prefeito dizer que não pediu meu apoio. Pois bem: o que foi que eu e alguns amigos fizemos lá no Comitê do DEM no dia 30/07/2008, às 19:15h? Pelo o que tenho anotado na minha agenda foi uma reunião onde o então candidato Rafael Laske ouviu nossos anseios, se comprometeu em atendê-los e pediu nosso apoio. Lembro também de ter ido a três comícios nos quais ele fez questão de mostrar que eu o apoiava. Pediu voto e apoio e agora nega tudo isto? Pra quê? E pra quê diz que me convidou para conhecer sua casa se o fez no mesmo dia da ora negada reunião? Convite genérico do tipo “passa lá em casa uma hora dessas”, daqueles para ser educado. Neste ponto sou bem “curitibana”, só vou se o convite for expresso, fornecendo dia, hora e local (até hoje só sei a rua onde o prefeito mora, mas não tenho ideia de qual casa se trata).

Tudo acima exposto já seria mais do que suficiente para que a minha indignação alcançasse um patamar suficiente para esta minha manifestação de agora, porém o que mais me chocou (a mim e a algumas pessoas que também ouviram a dita entrevista) foi o tom xenofóbico usado para tratar da minha origem, para deixar claro que eu não sou joaçabense... Mas que culpa tenho eu se não fui parida aqui? E que culpa tenho eu se, igualmente à primeira dama, me apaixonei por alguém de Joaçaba? Que diabos tem esta cidade que faz os nascidos aqui pessoas de um naipe melhor dos que os não nascidos? O que dizer de todos os não joaçabenses que vêm para a cidade? E o que dizer dos incontáveis joaçabenses que na primeira oportunidade vão-se embora desejando nunca mais voltar? Enquanto isso as cidades do entorno abrem os braços para os “forasteiros”... E Joaçaba, com este discurso excludente, só vai perdendo empresas, cabeças pensantes, oportunidades...

No mais, peço desculpas aos amigos leitores se neste meu texto fui pedante, mas é que vejo pessoas que, ao se depararem com outras que se negam a serem coniventes com seus desmandos, tratam logo de lhes impor a pecha de “inimigo número um da comunidade”. Para mim esta carapuça não serve! Este tipo de atitude é uma estratégia (burra) de defesa que em nada contribui para a mudança da triste realidade à nossa volta. Inércia e conformismo definitivamente não é o caminho, portanto refletirei com muita calma sobre o conselho dado quanto a candidatar-me a algum cargo eletivo. Não havia pensado nisso. Foi um bom conselho. Obrigada.

2 comentários:

  1. A sociedade luta por novos interesses, desconhece normas antigas, tem novos parâmetros morais (almejar sucesso. evidenciar ostentações) é o egoísmo sobressaindo. O ser humano perdeu o sentido de responsabilidade social, ele tende a buscar em fatos, eventos materiais etc... as justificativas de suas intenções éticas. O cidadão que segue as leis cumpre suas obrigações e não barganha direitos e favorecimentos é visto atualmente como otário. Cada vez mais aumenta a deterioração da rede social em relação ao respeito com o semelhante, mais por cinismo do que por ignorância. É o altruísmo sendo superado pelo egoísmo, isto gera um comportamento que permite desconsiderar o procedimento das pessoas, pois a mente conforme a situação constrói a sua própria verdade, e esta emoldura e cria o certo e o errado.

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  2. Concordo com a Bete e o Rico.
    Observando e conversando com pessoas de Joaçaba sinto na pele uma dose nada homeopática de egoísmo. Estou chegando aos poucos e como aqui ainda sou "um zé ninguém", prefiro agir na invisibilidade e intervir/rizomando na calada da web e aprendendo nos tropeços.

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