25 de jun de 2011

Ao mestre com respeito:

(publicado no Jornal Cidadela em 24/06/11)

Existem dois ramos profissionais os quais tenho um respeito muito especial: Medicina e Magistério. Sobre médicos tive a oportunidade de discorrer a algumas semanas atrás. Mencionei a relevância da atividade e de que a grande maioria dos profissionais leva a sério a vocação escolhida. Teve quem não gostou, lamento. Ou não entendeu direito ou se enquadrou na minoria ali criticada. Domingo o programa Fantástico provou que eu estava certa.

E os professores? Ah! Desculpem os médicos e todos os demais profissionais, mas o Professor é o mais importante! É essencial! Nenhum outro se forma sem ter passado pela mão de um Professor! Eler é o começo de tudo, e por muitas vezes é um Professor que passou por nossa vida escolar que nos fez escolher esta ou aquela profissão (ou então ajudou a criar ojeriza de uma ou outra matéria e nos afastou de vez de qualquer atividade que nos lembrasse as tão odiadas aulas).

Só lamento que nos dias de hoje o Professor não é respeitado nem por alunos, nem por pais e muito menos pelos gestores públicos. Tenho pra mim que a falta de respeito dos dois primeiros vem (de uma forma ou de outra) do resultado da negligência com que vem sendo tratada a Profissão nas últimas décadas. “Professor é profissão de quem não tem capacidade para ser médico, engenheiro, advogado...” – é esta a sensação que me passa a forma com que os governos vêm tratando os Professores. O desprezo por parte de quem contrata gera o desprezo por parte de quem usa os “serviços”. E assim esta nefasta roda gira e o Professor cada dia mais “escanteado na nossa sociedade...

Santa Catarina é exemplo clássico. Professores em greve pedindo o mínimo, o piso salarial previsto em Lei! E o governador dizendo que se pagar mais o estado vai falir... Conta outra! Quem sabe se o Raimundo Colombo e outros tantos deputados estaduais passassem um mês com R$ 1.100.00 eles mudassem o discurso? Quem sabe se cortassem os desvios do FUNDEB e as aposentadorias esdrúxulas que temos por aqui não sobrasse dinheiro não somente para o piso, mas também para os outros acréscimos de que eles fazem jus?

As super aposentadorias já vêm nos envergonhando faz alguns meses, agora a bola da vez são os desvios do FUNDEB. Um amigo fez uma análise bastante ácida, mas verdadeira sobre este último assunto. Transcrevo na íntegra e faço dele as minhas palavras:

“Vocês sabiam??? Que o FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação) repassa verbas aos Governos dos Estados para ser aplicada na Educação? Que Santa Catarina repassa ( DESVIA) boa parte dessa verba para: 130 milhões para o Tribunal de Justiça; 52 milhões para o Ministério Público e 65 milhões para Assembléia Legislativa? Perfazendo um total de 147 milhões que a Educação não vê! Estas informações estão publicadas no jornal Notícias do Dia de 15/06/11. O Sr. Governador declarou que se ele aceitar a proposta dos professores vai causar um déficit nos cofres do Estado no valor de 108 milhões. Pense: são 147 milhões DESVIADOS da Educação. São 108 milhões que FALTAM para completar o salário dos professores. 147 menos 108... Ainda sobram 39 milhões para o Sr. Colombo DESVIAR.”

Só pelo acima transcrito dá pra ver que cada Professor em greve está coberto de razão de se manter parado até que o mínimo (não o justo porque senão não voltariam nunca para as salas de aula) lhes seja pago. Alunos perdem? Sim, perdem muito! Mas perdem muito mais com a precarização da profissão. Cada dia que passa quem tem condições de enveredar por outro caminho desiste do Magistério. Ficam os raros abnegados e outros muitos que por um motivo ou outro acabam se acomodando. Ou pior ainda, acabam indo para o Magistério aqueles que não deram certo em suas profissões e fazem “bico” nas salas de aula. Aí sim vejo a perda para os alunos!

Na esteira do que vem acontecendo vemos discurso deste tipo no seio da nossa sociedade: “Acompanho a greve pela imprensa e pelo que percebo o governo tentou negociar. Não querem, tem mais é que descontar os dias. Sou contra qualquer tipo de greve. Não está contente com salário e com o trabalho pega o boné e vai procurar outro emprego”. O que me assusta é que veio de alguém dito “formador de opinião”, mas que pelo visto não entendeu ainda que a imprensa de um modo geral não tem muito compromisso com a verdade nua e crua. E esta pessoa, com este pensamento de deixar para outro que queria trabalhar com este salário vil, na certa está preparada para no futuro próximo ter analfabetos dando aulas para os filhos de Santa Catarina, afinal de contas alguns garis estão ganhando mais do que muitos Professores.

No mais sou pela greve ampla, geral e irrestrita: que parem todos os Professores, estaduais e municipais. Vamos ver se todos “entregarem o boné” quem vai sobrar para se submeter a esta humilhação que estamos vendo em nosso estado - e por extensão ou “simetria” (palavra da moda) em nosso município. Respeito é bom e todos gostam. Chega de ver Professor contando moedas para sobreviver até o fim do mês. Chega de ver Professor sonhando com um curso de capacitação que nunca poderá fazer por conta de que comer é necessidade premente e inadiável. Queremos ver nossos filhos sendo conduzidos por pessoas satisfeitas e motivadas para trabalhar!

Sr. Governador! Pague o piso, cumpra e lei e faça valer a sua tão repetida frase “eu faço política para as pessoas”. Dá nojo, é demagoga, soa tão falso que chega a causar náuseas em quem tem um pingo de discernimento e vergonha na cara! O futuro de Santa Catarina agradece.

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