9 de ago de 2011

Sobre a corrupção:


(publicado no Jornal Cidadela em 05/08/11)

1. Ao sair de um supermercado você percebe que a caixa lhe deu R$ 10 a mais de troco. Você volta e devolve o dinheiro?
2. Você bebeu demais em uma festa e suspeita que está acima do limite legal para dirigir. Você volta dirigindo para casa?
3. Você encontrou uma brecha para sonegar Imposto de Renda, escondendo parte do seu rendimento. Você faz isso?
4. O estacionamento do shopping está lotado exceto pelas vagas reservadas a deficientes físicos. Você estaciona o carro numa dessas vagas?
5. Você descobre que é possível fazer um “gato” da sua TV por assinatura pagando apenas um ponto. Você faz isso?
6. Você precisa de envelopes e canetas em casa; você os pega na empresa em que trabalha?
7. Você encontra uma carteira na rua com R$ 100,00 sem endereço do dono. Você entrega a carteira numa delegacia?
8. Você vê o marido/a mulher de sua(eu) melhor amiga/seu melhor amigo andando de mãos dadas com um estranho. Você se sente obrigado a contar ao seu amigo(a)?
9. As toalhas do banheiro do hotel em que você está hospedado são muito bonitas e de boa qualidade. Você coloca uma delas na mala e a leva para casa?
10. Está chovendo e você espera pelo ônibus numa longa fila quando o ônibus chega, você percebe que não há lugar para todos e você não vai conseguir entrar se não passar a frente das pessoas. Você fura a fila?

Encontrei estas dez perguntas na internet e elas foram suficientes para eu entender o porquê dos brasileiros não atenderem os chamados da mídia para uma manifestação maciça contra a corrupção: o brasileiro em geral é corrupto e só não faz pior porque “a situação não fez o ladrão”. Pelo menos parece ter vergonha na cara e não exige dos outros o que não faz no seu dia-a-dia. Bem faz aquele que insiste em dizer que não existe uma pessoa meio honesta; ela é ou não é e ponto final.

Quanto à mídia, que todos os dias nos joga na cara novos casos de corrupção envolvendo políticos de várias esferas, eu fico na expectativa de nomearem os corruptores. Sim, porque se existem corruptos nas esferas públicas é porque existem os corruptores (tão sujos quanto) nas esferas privadas. Um não existe sem o outro. Mas sei que vou cansar de esperar, pois os corruptores quando não tem cotas em empresas de comunicação, são patrocinadores... Então os noticiários continuam contando os fatos pela metade nos fazendo sistematicamente de palhaços.

Pesquisando sobre corrupção encontrei uns trechos escritos pelo meu irmão apaixonado por Direito Tributário, e que deve ter sido a pessoa que inspirou o personagem Lineu Silva da série “A Grande Família”. Ele tem posição forte quanto ao combate à corrupção:

Para acabarmos com a corrupção, sugiro algumas medidas:
1. Criação do registro de pessoas (físicas e jurídicas) interligado nacionalmente.
2. Termos um único número de documento.
3. Sonegação fiscal seria crime inafiançável e imprescritível, não suspenso com o pagamento ou parcelamento.
4. Todas as compras seriam efetuadas informando o número do documento do comprador.
5. Na declaração do IRPF as notas de compra representariam créditos em dinheiro para o declarante.
6. Interligação de todos os cartórios de registros de imóveis e de todos os Detrans.
7. Criação do Imposto do Cheque, com 0,01% de alíquota, para fins de fiscalização.
8. Obrigatoriedade emissão de cheques nominais, independentemente do valor – fim do cheque ao portador.
Como se tem o registro de todas as pessoas interligados, o marido da sobrinha de um deputado, ou alguém que viva com ela e tenha filhos, e que não tenha renda, não poderia comprar um apartamento de 500 mil reais ou um carro de 60 mil reais.
Fácil não é? O problema é que as classes média e alta querem mais é sonegar, ainda mais os profissionais liberais (médicos, dentistas, advogados, engenheiros, etc) para os quais se o cliente quer recibo o preço é mais alto. Mas depois se reúnem e vão às ruas gritar CANSEI...”

“Muitos dos defensores ferrenhos do sigilo bancário são os mesmos que eram contra a CPMF, afinal pela CPMF a Receita Federal descobria as sonegações.
O ex-ministro da Saúde do governo FCH Adib Jatene, em entrevista à revista Carta Capital disse que dos 100 maiores contribuintes da CPMF 62 nunca haviam pago imposto de renda.
Assim dá para imaginar a quem interessa o sigilo bancário.”

As primeiras perguntas e as últimas observações ficam para a reflexão...

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