10 de set de 2011

Sai da aba!

(publicado no Jornal Cidadela em 09/09/11)

Quem não lembra daquele pagode que faz sucesso até hoje: “Sai da minha aba / Sai pra lá / Sem essa de não poder me ver / Sai da minha aba / Sai pra lá / Não aturo mais você”. Se virou tema de música é porque espertinho tem em todo lugar e em todas as situações, logo na política não seria nada diferente, não é mesmo?

Esta semana me surpreendi com uma notinha num jornal local onde dizia “PRONATEC do Jorginho” e em seguida mencionava a aprovação do Projeto de Lei (PL) - que tem com o objetivo de aumentar a oferta de cursos profissionalizantes e de qualificação - junto à Câmara dos Deputados. De pronto pensei “Virgem Nossa Senhora! Como andou rápido este PL!”. Fui pesquisar, me interessei pelo tema por se tratar de mais uma política de inclusão social.

No site oficial, onde constam todas as movimentações, verifiquei que o tal PL nasceu bem antes da posse do Deputado em questão e que é de autoria do Poder Executivo, cabendo ao parlamentar somente a “relatoria”. Não se pode nem de longe confundir os conceitos: Autor – “Aquele que está na origem de, que é a causa de. Aquele que é responsável”. Relator – “Aquele que é encarregado de relatar os incidentes de um processo, de um projeto de lei, de uma investigação etc”.

Entendi, tratava-se só de mais uma “aba” muito bem utilizada pela assessoria, coisa pra trazer o nome do político em evidência; pra mostrar serviço. Não foi a primeira vez, na questão do terreno do Lar do Idoso foi igual, tratou logo de emitir nota e mandar assessor sair na foto. Depois a assessoria se encarregou de divulgar tudinho. É... Eu sei de “tudinho” e na minha aba malandro não se cria, entrego meu cargo, mas saio com a consciência limpa. Essa de ficar quieto para não se indispor com A ou B não combina comigo, respeito as outras opiniões, mas eu estou fora. Na minha aba, não!

Nessa onda de “aproveitar a oportunidade” vejo o suplente de vereador – Tuti - aqui em Joaçaba agradecendo a execução das benfeitorias solicitadas por ele há poucos dias. Decerto o suplente em questão não acompanha os trabalhos daquela casa. Há anos vejo os vereadores apresentando pedidos idênticos junto ao Executivo. Das duas uma: ou ele deu uma baita sorte e as obras estavam agendadas para agora (e daí esta “aba” veio a calhar) ou havia um combinado das obras só acontecerem após a sua atuação naquela Casa (daí a “aba” é beeeem maior).

Mas esta mania de “ir na aba” é uma praga! Olha só: algumas vozes se levantaram contra a corrupção no Brasil. No começo se falava em corrupção num sentido genérico, coisa de povo, da voz do povo. Daí alguns canais da imprensa “isentos e bem pagos”, partidos políticos (com fartos históricos de corrupção) e organizações como a OAB e CNBB trataram de subir nesta “aba” e focar o movimento somente contra a corrupção no governo. Oposição, Judiciário e Igreja estavam de fora como se não tivessem este tipo de problema.

Ocorre que o povo não é besta, percebeu que estava sendo usado e a nova versão da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” – a Marcha Contra a Corrupção que aconteceria neste dia sete de setembro - foi um tiro no pé. Um grandessíssimo fiasco. Alguns poucos compareceram, muitos deles logo após usaram as redes sociais para mostrar a indignação com relação à manipulação ocorrida. O evento foi desvirtuado, não era um movimento legítimo, saído do povo, um grito contra tudo de errado que tem por aí. Virou uma briga partidária e com o único objetivo de enfraquecer o governo Dilma.

Para desespero de uns, o povo está se informando, a manipulação de 1964 não serve mais, está rota, mofa e mal cheirosa. Da mesma forma que se mobilizaram se desmobilizaram e políticos como o Senador Álvaro Dias ficaram falando quase sozinho. Deviam ter deixado o povo sair às ruas e fazer seu protesto que era legítimo, mas só o povo, sem corruptos e corruptores na “aba” deste protesto. Daí restou ao Brasil inteiro cantar para eles: “Sai da minha aba / Sai pra lá / Sem essa de não poder me ver / Sai da minha aba / Sai pra lá / Não aturo mais você”...

Não adianta uma hora a casa cai para os espertinhos de plantão. Cedo ou tarde a casa cai! Anotem isso nos seus caderninhos.



Nenhum comentário:

Postar um comentário