23 de out de 2011

As autoridades:

(publicado no Jornal Cidadela em 21.10.11)

Vocês já perceberam o que o poder faz com as pessoas? Estou falando daquele poder que dá a alguns o condão de se acreditarem melhores que os demais por conta de algum título ou cargo, aquele que cada um de nós tem em determinada situação: é o porteiro que ocupando seu posto se infla ao negar o acesso de alguém, é o segurança da boate que dentro da sua camiseta preta colada ao corpo está certo de quem tem direito de dar uns safanões no cliente que passou da conta na bebida. E se a gente for falar daqueles que dia e noite carregam o “título” de autoridade a coisa degringola de vez, alguns misturam alhos com bugalhos e passam da conta no exercício de sua função de autoridade, ou até mesmo fora deste “exercício”.

São comuns casos de pessoas com esta característica que são flagradas em situações irregulares e que usam do famoso “sabe com quem você está falando?”. Faz mau uso da autoridade que tem para impor o medo em outra autoridade menos poderosa. Quem não se lembra do caso da desembargadora em Florianópolis que pra livrar a cara do filho numa blitz “partiu para a ignorância”? Também se sabe de outros casos. Eu mesma lembro-me de ter vivenciado uma destas cenas terríveis que deixam qualquer um que tem um pouco de bom senso rubro de vergonha. Isso parece uma doença que pega e não tem vacina!

Esta semana soube de uma autoridade da cidade que, durante o atendimento a um cidadão local, perdeu as estribeiras e deu provas de que o poder pode estragar toda uma relação com a comunidade. Fama de grosseiro ele já tem, tanto que muitos se negam a chegar na sua presença. Outros muitos já foram escorraçados da sua sala. Está virando figura folclórica na cidade. Logo o temor vai se transformar em rancor. E isto não é bom nem para um lado nem para outro.

Ouvi a história só de um lado, me contaram que bastou a autoridade ouvir do cidadão que este procuraria a Corregedoria para aquele se levantar aos gritos e expulsar o senhor sob a ameaça de ser escoltado pela polícia. O dito cidadão, do alto dos seus cabelos brancos e rugas profundas (e conhecedor de que nada de criminoso havia feito) conseguiu manter o controle e mostrar que o poder nem sempre serve como arma de intimidação. Até porque onde já se viu alguém ser admoestado por declarar que fará uso de um direito que lhe é legítimo?

Poder e equilíbrio é a fórmula para o sucesso nas relações, ninguém é melhor que ninguém. Podem até ser diferentes, mas nunca melhores. A autoridade daqui por certo vai precisar dos préstimos do mecânico, da copeira, do trabalhador braçal dali. Há quem não saiba bater um prego! Daí chama “a autoridade”, o “faz tudo” que em segundos mostra o quanto tem poder sobre o martelo e a técnica de colocá-lo na parede... Cada um com sua função, todos trabalhando para exercê-la da melhor maneira possível e lembrando que respeito é bom e todo mundo gosta!

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