1 de out de 2011

A (I)responsabilidade no trânsito:

(publicado no Jornal Cidadela em 30.09.11)

Era uma vez uma linda jovem que freqüentava os últimos anos das faculdades de Direito e de Filosofia, tinha 23 anos e uma vida inteira pela frente. Seu pai, por trabalhar no DETRAN e saber dos fatos e números que envolvem o trânsito nosso de cada dia, sempre a buscava nas festas para evitar o risco de alguma carona perigosa. Uma madrugada ela telefona para o pai dizendo que não se preocupasse que “racharia” um táxi com um amigo. Minutos depois o telefone toca informando que a bela jovem havia perdido a vida num cruzamento... Um bêbado ao volante acertou em cheio o táxi que levava a jovem “em segurança” para casa...

Esta jovem tinha nome, chamava-se Carolina, uma prima amada que convivi e aprendi a amar como uma irmã mais nova. Hoje é apenas uma lembrança e um número na triste estatística do trânsito brasileiro. Uma família desfeita e sofrendo, um futuro interrompido... Depois disso muitos de nós mudamos de atitude, passamos a nos vigiar a vigiar os demais motoristas. Eu, pelo menos, me tornei uma “fiscal” nas rodovias: telefono para a Polícia Rodoviária, paro nos postos de estrada, entro em contato com as ouvidorias para denunciar os loucos que vemos pelas estradas.

Dia 13 de setembro passado, voltando de Joinville, próximo à entrada da cidade de Itaiópolis, nos deparamos com um Palio branco da Prefeitura de Videira sendo dirigido por um insano que praticou em poucos minutos um sem número de barbaridades. Na verdade eu não acreditei que sequer chegaria inteiro, nem ele e nem a senhora que ia no banco de trás. Temi pela vida deles e de outros inocentes que porventura fossem vítimas da imprudência daquele motorista.

Fiz uma denúncia  (via e-mail) junto ao Gabinete do Prefeito e à Câmara de Vereadores de Videira. Pouco tempo depois recebi um telefonema dando ciência da abertura de uma sindicância para a apuração dos fatos. Perguntaram da possibilidade da gente depor. Fizemos isso na sexta-feira passada, onde fomos informados de que todas as denúncias se transformam neste tipo de processo, que faz parte da gestão daquele município.

Reiteramos os fatos narrados no e-mail e descobrimos que o dito motorista faz parte da Secretaria de Saúde daquele município e que a senhora em questão estava com problema de coluna. Nisso meu marido fez uma brincadeira, pois se ela estava ruim quando entrou no carro ele não queria saber como ela saiu dele... Voltamos à Joaçaba satisfeitos de termos colaborado para evitar algum futuro acidente e mais surpresos com a responsabilidade do gestor que tratou de tomar as providências necessárias.

Em Joaçaba não sei se existe este tipo de atitude, de ouvir as denúncias e providenciar algum tipo de maneira de tentar mudar a situação. Graças a Deus nunca precisei denunciar nenhum motorista daqui. Ou melhor, de Joaçaba eu conheço um exemplo a ser seguido: Sr Aquiles – também motorista da Secretaria de Saúde, que leva e trás doentes nesta nossa “ambulancioterapia” de cada dia. Certa vez viajei com ele (em 2009 numa circunstância que não convém descrever agora), fui e voltei num “bate e volta”, do seu lado e pude ver que dirige com a responsabilidade de quem sabe que leva vidas.

Semana passada, em conversa com um amigo, veio o nome do Sr. Aquiles. Ele também já viajou com ele a impressão que teve foi a mesma que a minha. Que bom! Bom saber que há pessoas que sabem da sua responsabilidade! Dos demais não sei dizer, não os conheço. Só espero que o bom exemplo deste senhor sirva para que todos os demais se espelhem e tenham as mesmas atitudes nas estradas que percorrem todos os dias.

Engraçado é que estes acontecimentos (os do caso do motorista imprudente de Videira) ocorreram bem nos dias em que o Trânsito é assunto em todos os lugares, em todas as praças, em todas as mídias. Nestes dias muita gente se lembra de quem partiu por conta de acidentes, outros devem ficar um tanto amargos por estarem por aí vivos, mas carregando seqüelas de fatos que preferiam esquecer. Eu particularmente me lembro da prima amada e peço a Deus que não existam mais “Carolinas” para chorarmos...

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