9 de nov de 2011

Manifestação - "sumiço" do estudante da USP:


Sou amiga do Carlos, aluno que havia desaparecido.
Devido às ações policiais na USP durante a madrugada de ontem instaurou-se um clima de tensão entre todos os envolvidos e pessoas próximas àquelas que estavam no movimento. A Polícia Militar invadiu o prédio da Reitoria mantendo a 4 portas fechadas suas ações junto aos estudantes e sem permitir qualquer cobertura de imprensa que pudesse noticiar violação aos direitos humanos.
Por horas não tínhamos notícias dos companheiros detidos e só no início da noite de ontem começamos a ter notícias de quem eram os estudantes e trabalhadores detidos. A preocupação havia se instaurado uma vez que a Polícia Militar do Estado de São Paulo junto com o Reitor da Universidade e o governador Geraldo Alckimin transformaram o espaço da Universidade em um "flashback" dos anos 60/70. A mídia independente foi censurada, estudantes detidos em ônibus separados para não terem contato com os companheiros e a lista segue.

Em meio a este clima de tensão um companheiro nosso não foi visto depois da soltura dos presos políticos. Seu pai, que vivenciou os anos de chumbo e acompanhou as notícias do dia de ontem entrou em pânico ao ver uma foto de seu filho na Universidade e depois não ter mais notícias.

A foto havia sido tirada na quinta-feira da semana passada, mas só foi divulgada no site da uol no dia de ontem gerando assim o pânico.

Segue abaixo esclarecimento do estudante:

Camaradas, amigos e conhecidos:

Antes de mais nada peço desculpas a todos pelo transtorno. Fico até envergonhado de escrever depois de ter noção do fato gerado pela minha irresponsabilidade.

Agradeço a atenção e preocupação de todos com minha pessoa. Eu sumi porque estava doente e fiquei incomunicável, isto é, sem celular e internet, durante esses dias. Inclusive, ao saber dos fatos ocorridos na USP durante esse meio tempo de ausência (de domingo até hoje pela manhã), vim correndo pra univeZrsidade.

Agora, de volta, chamo todos a organizarem a greve geral da USP. Precisamos manter o espírito de luta, a organização e defender a universidade pública. No momento, essa luta passa por defender a sua autonomia, exigindo a retirada da PM do campus e defendendo os estudantes vítimas da repressão policial na terça-feira última

Obrigada a todos que ajudaram nessa divulgação e peço que tenham compreensão com este pai que sabendo da liderança política de seu filho entrou em choque. Tenho certeza que se ontem eu não tivesse falado com a minha mãe ela também estaria me buscando como desaparecida política. Tempos de repressão têm se mostrado cada vez mais próximos e temos que nos manter unidos!

Há braços!

Amanda Monteiro


Nota da blogueira: Eu estava desde às seis da manhã com um olho na TV e outro na tela do computador. Enquanto não tive contato com a Amanda não parei de telefonar (ela pegou um celular emprestado e me ligou, conhece a mãe que tem...)

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