12 de jan de 2012

Coletivo Nefelibata - uma nova proposta para Joaçaba e região.

1, 2, 3 i JÁ!

Na última sexta-feira (06/01), no Café Retrô, o Coletivo Nefelibata (CN) organizou o que pode ser considerado a sua primeira ação no meio-oeste catarinense: um bate-papo informal com "a intenção de quebrar a parede virtual" e colocar à mesa as ideias previstas para os anos de 2012 e 2013. Sim, um planejamenjo à médio e longo prazo com o objetivo de torná-las "elásticas", "moldáveis", ou, simplesmente adaptáveis, principalmente, por tratar-se de anseios coletivos.

por Vittorio di Milano

Corrupção vindo da esquerda ou da direita; obras inacabadas no município de Joaçaba; vereadores com aumento de salário aprovado, ou, 2012 como o ano de eleições municipais, não foram os temas apresentados por Rodrigo Bernardi, artista e pesquisador independente, nascido em Niterói (RJ) e morador há um ano no município de Herval D' Oeste. Desde 2003, viaja pelo interior de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, realizando intervenções acerca do ensino e processo criativo em dança. Em 2007, esteve pela primeira vez em Joaçaba à convite da bailarina e professora Ingrid Lima. Nas palavras do próprio: "o Coletivo Nefelibata é a extensão metodológica de um grupo de ações que pude participar com o Grupo Cultural Afroreggae; é também um conjunto de demandas que pude observar nas instituições de artes pelas cidades que visitei e, sobretudo, por conta do choque cultural que obtive desde que assumi minha permanência na região". Segundo ele, o momento crucial para alavancar as ideias do Coletivo, foi a oportunidade por meio de um curso de "Escrita e Poesia" com a professora Rôse Maria Makowski: uma das pessoas que mais o influenciou para reunir os artistas e produtores culturais das cidades de Herval D' Oeste e Joaçaba, visando a problematização acerca dos paradigmas sociais que emperram o desenvolvimento da cultura e das artes. Inicialmente, foram 3 meses de reuniões semanais entre Rôse e Rodrigo para que chegassem a ideia da realização do Mercado Nefelibata, o qual, conceitualmente, transita no eixo arte-educação-consciência ecológica, contemplando crianças e jovens que encontram-se sob os cuidados de instituições sociais e casas de recuperação de dependentes químicos.

No encontro da última sexta feira esteve presente: Bete Vieira - advogada e ativista socioambiental - presidente da ONG Amigo dos Animais; Lori Camargo, historiador licenciado pela Unoesc; Carolina Frozza, cantora, que recentemente aportou no município de Joaçaba; o Secretário de Planejamento do Município de Herval D' Oeste, Davi Frozza e o Vereador Ademir Zanchetta. A partir da experiência de cada participante, fora possível trocar ideias e vivências sobre o panorama artístico-cultural da região.

Esperava-se um número maior de participantes tendo em vista o interesse manifestado em redes sociais e devido a amplitude dos temas antecipadamente expostos na rede.

Para Bete Vieira, o conceito do CN é semelhante as ações da Casa Mafalda (SP) que "une arte, entretenimento e vida noturna" (http://migre.me/7sOmD). Inclusive, esta noção de "coletividade nefelibata", pelo qual o processo criativo e as ações, a priori, são desenvolvidas por um grupo com afinidades em comum - não é novidade alguma - basta identificarmos na história da arte moderna (início do século XX), o Dadaísmo, pelo qual foi formado por um "grupo de refugiados da Primeira Guerra Mundial [e] sua principal estratégia era denunciar e escandalizar" (Cf. STRICKLAND, Carol. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004, p. 148-151). Portanto, arte, política e sociedade, principalmente nas obras publicadas a partir do ano de 1963 [1], o momento em que houve uma mudança peculiar no comportamento da sociedade ocidental, mostrou-se, sobretudo, como símbolo do enfrentamento da classe artística diante os conflitos sociais, a saber, como a luta pela igualdade racial nos Estados Unidos e a ditadura nos países da América Latina. Produziu-se, assim, na obra dos artistas, discursos que ecoaram em diversos contextos da sociedade e na cultura pós-moderna. É, no entanto, que por este viés, a atividade do artista engajou-se criticamente na luta por modificar o sentido da vida do sujeito e o modus operandi da sociedade. 

Voltemos ao bate-papo no Café Retrô. 

Para tornar claro o que seria o Mercado Nefelibata, evento previsto para um dia inteiro, Rodrigo propôs os seguintes temas, ou eixos temáticos, como prefere chamar, situando seu posicionamento crítico-reflexivo sob o prisma da pedagogia do educador humanista Paulo Freire:
  1. Feira de troca de objetos: moedas, selos, LPs, roupas, fotografias, etc;
  2. Arte-educação: oficinas, palestras e mostra de cinema infantil.
  3. Sustentabilidade;
  4. Entretenimento.
Um dos temas que mais rendeu entusiasmo dos participantes foi sustentabilidade:
  1. Consciência ecológica: criação de uma ecovila;
  2. Reciclagem: ampliação de ecopontos;
  3. Intervenção: Eco In’ Cena (arte + ativismo ambiental);
  4. Stand In’ formação: palestras, talk show e mostra de filmes sobre ecologia e sustentabilidade.
Além desses assuntos, é válido mencionar que o tema entretenimento teve sua devida atenção por parte dos participantes - em especial pela cantora Carolina Frozza dando seu depoimento sobre os eventos em que contribuiu em São Paulo - e por conta da necessidade de potencializar um espaço que integre atividades artísticas (artes plásticas, dança, música, poesia e teatro) com os temas sobre conscientização ecológica; no período da noite, dedicaremos à participação de músicos, e abriremos a pista de dança para os visitantes balançarem o esqueleto ao som de dee-jays . Freak out! Claro que para isso tudo acontecer (além da burocracia e resistência, culturalmente, típica de cidades "pequenas" e retrógradas) não poderemos deixar de lado a gastronomia, não é? Hummm, curtiu, agora, não é?

O próximo encontro será no dia 20/01 as 19h.

Quer saber mais?
coletivonefelibata@yahoo.com.br

Leitura de apoio:

[1] BANES, Sally. Greenwich Village 1963: avant-garde, performance e o corpo efervescente. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. 

STRICKLAND, Carol. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

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