2 de jan de 2012

Os salários e a demagogia:

(publicado no Jornal Cidadela em 30.12.11)

Juro que não era esta a pauta da minha última coluna do ano. Juro que outro texto mais ameno e com gostinho de confraternização havia sido alinhavado dentro do carro na minha volta à Joaçaba, só faltava os arremates finais e enviar para o Mário publicar neste espaço que, há dois anos me é franqueado. Mudança de planos! Bastou chegar à aldeia para ver os aldeões em pé de guerra, nunca imaginei que haveria algum assunto envolvendo a política local entre o Natal e o Ano Novo, e muito menos que este seria o assunto em praticamente todos os lugares em que passei nesta quarta-feira. A fixação dos salários dos vereadores, prefeito, vice e secretários para a legislatura 2013/2016 deu o que falar!

Semana passada ouviu-se o prefeito dando entrevistas dizendo que está satisfeito com o seu salário e que por isso vetou a lei do aumento. Nossa! Ele vê o futuro? Sabe que será prefeito entre 2013 e 2016? Está dando pitaco na legislatura futura? Menos, né!? Pode vetar, é um direito dele, mas ir a público posar de bom moço já é demais... Vetou e “se empirulitou”, tendo sido uma lei aprovada por unanimidade (inclusive pelos seus vereadores de Partido: Chico e Mário) a derrubada do veto era algo inevitável. Uma oportunidade imperdível para um “mise-en-scéne”, depois seria só colocar o homem do chapéu na prefeitura e deixar por conta dele a “triste função” de sancionar a lei...

O mais hilário é ver os tons dos debates acusando a pessoa da presidente da Câmara como a responsável pelo dito aumento. Num primeiro momento até pensei que se era algum tipo de decreto assinado única e exclusivamente por ela. Descobri que se tratava de projeto de lei aprovado por unanimidade (8 votos – a presidente só vota em caso de empate). Votaram pelo aumento e derrubaram o veto do prefeito visionário: Mário (PSD), Elói (PSBD), Junqueira (PMDB), Vastres (PMDB), André (PV), Chico (PSD), Fabiano (PV), Ademir (PT). Situação e oposição do mesmo lado.

Semana passada circulou pela grande rede um texto chamando o Chico de traidor por não ter votado no Mário para a presidência da Câmara, estou esperando a metralhadora giratória ser disparada contra os vereadores aliados do prefeito que o “traíram” ao derrubar o seu veto. Serão, no mínimo, cinco tiros. Cinco foram os “traidores”. O prefeito passa por homem idôneo preocupado com o dinheiro público (ainda não sei se devolveu o dinheiro daquele processo que o condenou) e os vereadores se escondem atrás das saias da presidente da Câmara. Tudo ensaiado como uma peça de má qualidade, teatrinho de quinta.

E misturar as funções e orçamentos é a maior das besteiras que tenho lido e ouvido por aí. Estudar um pouco antes de deixar registrada a ignorância seria muito salutar. Abrir a boca só quando se tem certeza é uma dádiva. Vereador não tapa buraco, não faz asfalto, não faz obras. Vereador legisla. O orçamento da Câmara de Vereadores é da Câmara de Vereadores! Ou você é do tipo que gasta todo o seu salário e depois vai meter a mão na economia que seu irmão fez? Só assim pra entender este olho comprido da PMJ para o bolso da CMJ!

Quanto ao aumento, até a agora não descobri qual a percentagem correta, ouço falar de 62%, 28%, 42% o que só prova que esta história de Matemática ser uma ciência exata é uma “pinóia”! Não cheguei ao valor real, nem me interessa. Qualquer valor que supere o aumento que servidores e demais trabalhadores receberam já é questionável. Teria sido de bom tom que isto tivesse sido levado em conta. Em compensação tem que apanhar na cara o primeiro deputado federal ou senador que inventar de fazer discurso demagógico por aqui, são eles que dão os maus exemplos, abaixo deles todos se sentem no direito de dar sua mordida.

Agora fica a dica: se cada um dos indignados das redes sociais de desse ao trabalho de fazer algo mais além de “xingar muito no Twitter” por certo haveria muito mais valores a serem devolvidos aos cofres públicos. Uma andorinha sozinha não faz verão. Todos precisam fazer algo mais no mundo real, mas daí muito “indignado” por aí ver perder sua “tetinha” (ou de algum parente próximo)... daí a coisa complica... melhor esperar que o outro faça... Quantos destes indignados freqüentam a Câmara de Vereadores? Quantos buscam o diálogo com o seu vereador? Menos “palavrório” e mais ação, é disso que Joaçaba precisa!

Este caso do aumento dos salários não foi a primeira lei polêmica e nem será a última. Cabe a nós votar com consciência e levar mais a sério a Democracia que temos.

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