6 de jan de 2012

Respeitável (?) Público [e o Cineclube de Joaçaba]

Terça-feira estive no Cineclube. Eu e mais duas pessoas... Depois os joaçabenses enchem o saco dizendo que aqui tudo fecha!  E não venham dizer que o filme não é do seu agrado, pois o Bolinha, além de variar pede sugestão! Eu vi Dr. Givago na telona (coisa inimaginável pra mim)!



Todas as terças-feiras, às 20:15h, o teatro se rende à Sétima Arte...

(matéria publicada no Jornal O Pauta do dia 18.11.2011)

O público apaixonado pela sétima arte está cada vez menor nas salas de cinema. Em Joaçaba, a
projeção de filmes nacionais e internacionais de renome é agrado para poucos.

A platéia no dia 29 de outubro lotou os lugares no Teatro Alfredo Sigwalt, em Joaçaba. Antes da apresentação do comediante Diogo Portugal, o presidente da SCAJHO, Antonio Pereira, mais conhecido como Bolinha, recebeu o público como de costume. Após o anúncio dos apoiadores do evento, Bolinha convidou a todos para a sessão de cinema alternativa na terça-feira, dia 1º de novembro, às 20h15m. A atração era a versão original de “11 homens e um segredo”, película datada de 1960. Diogo Portugal agradou a platéia polvorosa, se travestiu de inúmeros personagens e fez graça com algumas desgraças de Joaçaba e Herval d’Oeste.

Na terça-feira, às 20h17m, havia somente uma garota no canto direito da sala. Bolinha ainda estava preparando os ajustes finais para dar início à sessão e esperar mais alguém aparecer.  Por fim, a sessão iniciou com somente uma pessoa na platéia. Os resquícios da sétima arte como um segmento que anda em aparente crise estão mantidos nas poltronas do teatro e pela projeção montada por DVD. O projeto Cine Mais Cultura, promovido pelo Ministério da Cultura selecionou entre 40 municípios de Santa Catarina a cidade de Joaçaba para oferecer à população filmes importantes e significativos na história do cinema.

Os selecionados recebem kits com equipamentos de projeção digital, incluindo uma câmera MiniDV, obras do acervo da Programadora Brasil e oficinas de exibição. São filmes históricos e contemporâneos, curtas, médias e longas-metragens, de todos os gêneros. Os Cines exibem por ano 60% de conteúdo nacional, podendo ser ou não da Programadora Brasil, com total liberdade de escolha dos títulos das suas sessões. São filmes que fizeram escola e influenciaram gerações de cineastas, mas que parecem não interessar mais à população em geral. O Carteiro e o Poeta, Cinema Paradiso, Macunaíma, entre outras obras conceituais já passaram pelas sessões.

“As pessoas querem ver os filmes que estão bombando e também as novas tecnologias, como o 3D. Aqui é um cinema alternativo. Apesar do público restrito, o teatro tem muito orgulho de estar suprindo em parte essa lacuna”, conta Bolinha. Lotar a casa - 459 lugares - não é fácil. O filme é o fator primordial para a presença de público, já que o preço de entrada de valor simbólico – R$ 5,00– é acessível e está aberto a todos. “Filmes do Mazzaropi atraem as pessoas. Elas ainda guardam um apreço por ele. Na nossa estréia, passamos O Corintiano, o teatro lotou e mais recentemente A tristeza do Jeca trouxe 79 pessoas, que para nós é um público relativamente grande”, atesta ele.

O espaço para as sessões permite algumas peculiaridades. Em uma sessão, a ideia surgiu de um espectador em assistir ao filme nacional com legendas em espanhol. Acontece de uma sessão ou outra dar tempo de ver os Extras, para os aficionados em produção cinematográfica. A divulgação dos filmes é tímida, no site http://www.teatrojoacaba.org.br/. Horários alternativos não são possíveis devido aos finais de semana estarem previamente agendados para outras apresentações. Diante de tantas tecnologias e meios alternativos que se tornam obstáculo para apreciar uma sessão no cinema, é difícil encontrar entusiastas da cultura cinematográfica. Casa cheia? Talvez na próxima apresentação de um comediante.

Um comentário:

  1. Incrível o seu Blog. Sou Joaçabense de nascença e tenho a região toda no coraçã. Conheci o Cinema e o teatro em Joaçaba quando ainda morava aí, aos poucos as pessoas foram indo embora, muita coisa foi se perdendo e por fim, o Cinema fechou, para minha infelicidade e decepção. Felizmente temos agora a oportunidade de ter algo alternativo em Joaçaba, não importa o público atingido, seja uma ou 500 pessoas, o importante é levar a cultura a quem quer e precisa dela. Parabéns pelo Blog.

    ResponderExcluir