3 de fev de 2012

Decisões Erradas e Arrogância dos Administradores Públicos Tem Comprometido a Saúde Financeira do Hospital de Água Doce/SC

(Publicado no Jornal Cidadela em 03/02/2012)

Por Mário Ernesto Canseco

O hospital de Água Doce está com a saúde financeira debilitada há muito tempo. Mais ou menos por 1998 a 2000 esteve praticamente na UTI, quando então num esforço de todo o conjunto os funcionários aceitaram uma redução de salário pela metade por um ano, a Drª Iolanda como responsável pala farmácia do hospital ficou um longo tempo sem receber salário, a diretoria deixava seus afazeres particulares para administrar o hospital até que passou o sufoco. Conseguiram até instalar um aparelho novo de raio X, entre outras reformas e melhorias. Depois voltou a decair.

Agora existem rumores de que vai fechar, a Prefeitura está em manobras preparatórias para conduzir a um processo de extinção da entidade.
Por último a Prefeitura invadiu o espaço conhecido como ala nova, montou seu posto de saúde, fez mudanças com dinheiro do próprio Hospital e dizem que devolveram em prestações, mas ninguém tem a informação certa. Dizem os entendidos em política e administração que foi um aluguel, porém não se tem notícias de ter sido pago um centavo até agora. Continuam tomando ainda mais os espaços do hospital.

A Prefeita mandou os seus de confiança tomarem conta e a arrogância, a prepotência e a embriagues de poder substituiu a decisão coletiva e debatida.
O Secretário da Saúde se apossou do Hospital como se fosse da Prefeitura, como se fosse seu.

Falta inteligência, experiência e falta de visão dos efeitos do tempo para o futuro, de cada atitude arbitrária que se toma em relação ao hospital.

Quando existe decisões ditadas por uma única pessoa por um grupo restrito, se desmobiliza a comunidade  e esta deixa de participar das decisões, ninguém mais colabora com a manutenção da entidade com doações, leilões e convênios como existia há algum tempo e dai os aproveitadores tomam conta. 

Quando não conseguem mais resolver o problema partem sempre para a decisão mais fácil e medíocre: - fechar o hospital, alugar, vender levar todo mundo de carro da saúde para outros municípios. Assim se perde o lugar onde podemos tratar mais de perto os parentes os idosos e os casos possíveis, sem muito deslocamento e com menor sofrimento, tanto do paciente como da família.

Em outros centros de saúde ocorre a demora no atendimento, o comprometimento e agravamento da condição do paciente, aumenta o sofrimento e se retarda ou se dificulta a recuperação.

Um hospital como o de Água Doce deve ser mantido com o dinheiro coletivo, do Poder Público e não ser atrapalhado pela Prefeitura, o que vai ser melhor do que ficar jogando 650 mil reais em praça e outras futilidades.

A Prefeitura está tomando decisões equivocadas conforme o gosto pessoal e individual de quem está no poder. Decisões sem inteligência, sem estratégia, de forma egoísta e imposta, afastando pessoas boas e de boa vontade que poderiam colaborar.

Quando você impõe uma ordem sem discutir com a comunidade você mata toda a capacidade de envolvimento, decisão e participação popular.

O hospital foi construído pela comunidade com a ajuda de várias famílias colonizadoras, participação da igreja, trabalho obstinado das freiras e das diretorias.

Na feira do terneiro de Água Doce sempre tinha uma doação em favor do hospital, o clube de mães trabalhava para ao hospital e o políticos de fora também colaboravam.

O hospital nasceu e se desenvolveu pelas mãos da comunidade. Agora uma administração pública, com extrema arrogância decide sozinha, dispensa todo mundo e elimina a participação e a crítica. Quando faltar a prefeitura, a comunidade estará desmobilizada, frustrada e o serviço do hospital que atende nossa população, ao menos nas ultimas horas de vida quando não mais resta recursos da medicina e a pessoa quer ficar perto de seus familiares, não existirá mais.

Também tem a teoria e orientação mais recente da medicina e do SUS que para a eficiência do atendimento emergencial ele deve ser mais presente possível, mais próximo possível do local do acidente, então se descentraliza o atendimento ao invés de ficar concentrando em hospitais regionais superlotados. Com isso os hospitais pequenos ganharam importância, porque estão mais próximos dos cidadãos e a eficiência de atendimento pela agilidade é maior, basta aparelhar e investir.

A eficiência na recuperação do paciente, segundo o Ministério da Saúde, através de estatística, depende do rápido atendimento inicial, para o que dependemos dos hospitais do interior. Na contramão disso a prefeitura manda tudo para outras cidades e centros médicos e desmobiliza o hospital de Água Doce, compromete a saúde financeira do nosso hospital. A curto prazo as coisas se resolvem a longo prazo se complicam.

Existem erros que podem ser revertidos, existem outros erros que são irreversíveis e causam grandes prejuízos ao Município.

Está na hora da Câmara de Vereadores acordar e tomar providências.

O Conselho Municipal de Saúde deve ser mudado já que não toma decisões como deve ser e deixa o Secretário impor.

É necessário a Assembleia do Hospital se reunir, discutir o assunto sem a interferência da Prefeitura ou do Secretário da Saúde e tomar de volta o controle do Hospital e decidir como deve ser conduzido, antes que seja tarde; escolher pessoas de bem que queiram colaborar e mudar os rumos da administração do Hospital.

O Hospital é da Comunidade e é útil a População.

(publicação autorizada pelo autor)

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