17 de fev de 2012

A falta que faz um CEREST em Joaçaba (Herval d’Oeste e Luzerna)!

(publicado no Jornal Cidadela em 17.02.2012)

“Os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) promovem ações para melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida do trabalhador por meio da prevenção e vigilância. Existem dois tipos de CEREST: os estaduais e os regionais. Cabe aos CEREST capacitar a rede de serviços de saúde, apoiar as investigações de maior complexidade, assessorar a realização de convênios de cooperação técnica, subsidiar a formulação de políticas públicas, apoiar a estruturação da assistência de média e alta complexidade para atender aos acidentes de trabalho e agravos contidos na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho e aos agravos de notificação compulsória citados na Portaria GM/MS nº 777 de 28 de abril de 2004.” 
(http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=30427&janela=1)

Terça-feira uma fotografia “bombou” no Facebook: era a imagem de um homem instalando algum apetrecho para o desfile das Escolas de Samba, o detalhe que chamou a atenção, que levou a alguém a fotografar, foi o fato deste trabalhador estar erguido por uma empilhadeira na altura das sinaleiras e sem nenhum equipamento de segurança. A postagem da foto veio justamente com esta indagação: “Isso não é perigoso?” É, e muito! Assim como muitas outras atividades laborais que exigem extrema cautela e boas práticas. A imagem mostrou até onde vai a irresponsabilidade... Se do trabalhador ou do empregador não se pode adivinhar pelo flagrante.

Algum tempo atrás, conversando com a minha cunhada que trabalha no CEREST de Joinville, constatei que é urgente a criação de um em nossa região. O número de mutilados foi uma das coisas que me espantou quando cheguei aqui, logo descobri que grande parte é fruto das indústrias, a agroindústria em especial. Fato este confirmado pelas notícias que circulam nos meios de comunicação (Internet, não os locais). Mas não é só a falta de algum membro que elas geram. Há um sem número de pessoas afastadas por LER/DORT. Algo precisa ser urgentemente pensado para monitorar e mudar esta situação.

Sei que no Conselho Municipal de Saúde há a CIST (Comissão Interna da Saúde de Trabalhador), mas devo confessar que não sei até onde suas atividades alcançam esta realidade que nos cerca. Parece que é pouco e a foto de terça-feira é a prova cabal de que é mais do que insuficiente! CIPAs (Comissões Internas de Prevenção de Acidentes) são para empresas com mais de 20 funcionários (inclusive órgãos públicos). Não sei se a empresa do moço “pendurado” deveria ter uma. Cipeiro eu sei que a lei manda ter, mas isso também mostrou não ser suficiente.

Lógico que a existência de um CEREST irá acarretar um melhor monitoramento dos acidentes ocorridos com os trabalhadores da região, inclusive os “esquecidos” acidentes de percurso; as CATs (Comunicações de Acidente de Trabalho) terão que existir e serem cadastradas junto ao INSS (e algumas empresas terão suas contribuições aumentadas para compensar os doentes que produzem). Haverá mais informação para os empregados, eles saberão o que devem, podem e como executar suas atividades. Por certo haverá melhor controle e isso não agrada muita gente por aí...

Mas, enquanto esperamos uma decisão proativa de algum gestor de peito, vamos nos utilizando das instâncias de Controle Social, inclusive a mais nova e que tem mostrado uma eficiência de dar inveja a qualquer Conselho ou órgão fiscalizador: as Redes Socias. À tarde uma jornalista passou pela região da XV de Novembro e constatou que os trabalhadores estavam todos com os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). Naquela mesma tarde outra foto também correu a Rede, agora com o trabalhador devidamente protegido e livre de se tornar mais um na triste estatística dos acidentes de trabalho. [pelo visto não sou a única “chata de plantão” – ainda bem!].

Um comentário:

  1. O Carnaval de Joaçaba é improvisado: O local é improviisado, as arquibancadas são improvisadas, a iluminação é improvisada, uma rodovia de utilização regional é interrompida, recursos públicos são aplicados no evento e o ingresso é cobrado. Nesses tempos de população com acesso à informação, fica difícil explicar o inexplicável!

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