30 de abr de 2012

O choque ético necessário: tudo a ver com a corrupção.



(Publicado no Jornal Cidadela em 27.04.12)

O título aí não é criação minha, trata-se do recente livro do Promotor de Justiça, Dr. Miguel Luís Gnigler, atualmente lotado em Florianópolis. Lembram-se dele? Trabalhou uns cinco anos em Joaçaba, aproveitou a oportunidade e reuniu subsídios para a obra. O livro lança um olhar diferente sob o tema “corrupção”, joga luz para a que acontece no seio do Judiciário e do Ministério Público.

Pra bom entendedor pingo é letra. Alguns exemplos reais apresentados na obra nos mostra que não basta (e não resolve nada) ficarmos martelando no tema e lembrar somente do meio político, esta praga está em todo o lugar. E se o Judiciário está contaminado de nada adianta denunciar o político ou empresário corrupto. O processo estará fadado a “morrer no ovo” ou se arrastar por décadas nos escaninhos dos fóruns onde o interesse particular de que não seja julgado sobrepõe ao grito por Justiça de toda a sociedade.

Demorei a ler todo o texto, era muita coisa para minha bílis, meu fígado ficou estragado algumas vezes. O ato de coragem do autor me fez ligar alguns pontos e nestas horas umas coisas “fecharam”. Bingo! Como eu não pensei nisso antes!? Daí eu dou graças a Deus por não advogar mais, só serviço voluntário. Fui feliz em minha decisão, estou um pouco mais longe de tudo isso que corre de boca em boca, mas que é rara a voz a se erguer para nos alertar.

Um dos capítulos levou o nome de “O calvário para a efetivação de interesses difusos e coletivos em juízo – casos concretos” é um primor!  A riqueza de detalhes é tão grande que qualquer leigo entende como correm algumas ações no Judiciário, e quando encontra amparo em um Ministério Público alheio a suas atribuições e obrigações aí é que vai “o boi com a corda e tudo pro brejo”! E a sociedade fica refém, vira duas vezes vítima. Só resta reclamar com o Bispo e este não anda mais com aquela bola toda...

O Promotor autor clama para que as prerrogativas do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público sejam respeitadas, eles é que têm o efetivo poder para mitigar a corrupção nestas esferas. Também tece uma análise muito interessante sobre a campanha “O que você tem a ver com a corrupção?” lembra que as mudanças devem se dar de dentro pra fora das instituições, o tal “choque ético”. Pois somente se pode cobrar ou aconselhar boas práticas, com autoridade e legitimidade moral, quando as ações de quem faz a campanha são pautadas em bons exemplos e padrões éticos aceitos por todos.

Para nós joaçabenses a leitura tem um “quê” especial, o que torna a leitura muito mais interessante e prova que Bill Gates tem razão quando diz Antes de tentar arrumar o mundo tente arrumar seu próprio quarto”. Não adianta voltar os olhos para Brasília e esquecer que o nosso “quarto” precisa urgentemente de uma faxina geral, daquelas que não escapa nenhum cantinho bolorento...

O livro está à disposição no site da Livraria Baraúna – www.livrariabarauna.com.br – recomendo, é leitura indispensável para olharmos com outros olhos o que nos cerca e entendermos melhor porque as coisas acontecem como acontecem por aqui... Boa leitura!

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