16 de mai de 2012

CARTA ABERTA A POPULAÇÃO E AUTORIDADES [sobre a violência contra a mulher em nossa região)

Carta aberta da APROSSMOSC lida na Audiência Pública ocorrida em  14.05.12:

Nós, Assistentes Sociais, vimos publicamente nos manifestar, envolvidas em sentimento de profunda tristeza, revolta e indignação, diante de mais um ato de extrema violência, cometido contra uma família, por uma pessoa adulta, membro desta família, mais um ato de violência doméstica.

O episódio ocorrido no município de Jaborá no último dia 12 de abril, que vitimou Fernanda Cristina Fávero, sua filhinha de 04 anos, sua mãe e seu pai, não pode ser esquecido, pois nós, sociedade, mulheres e homens, não podemos mais tolerar atos desumanos, irracionais,  como este, onde um esposo é capaz de atirar contra a própria companheira, contra seus sogros. E é impensável também o fato de ter atirado contra sua própria filha de 04 anos, além de ter colocado em risco a vida de seu filho de apenas 2 meses de idade.

Não!  Não podemos mais admitir estas atrocidades em nosso meio. Não podemos mais permitir crimes contra as mulheres, crimes contra as crianças, cometido por pessoas que deveriam estar protegendo sua família, protegendo seus filhos.

Nenhuma violência deve ser tolerada, não se pode conviver com atos de loucura como este que hoje tristemente acompanhamos. De todo nosso desalento, diante do sofrimento da família de Fernanda, manifestamos nossa indignação para dizer que repudiamos todas as formas de violência contra mulheres e crianças, seja ela verbal, psicológica, física, seja ela enquanto abandono ou negligência.

Quantas Fernandas precisarão ser atingidas para que estes episódios sejam duramente punidos pela nossa justiça?
Quantas Sabrinas* precisarão ser mortas para que isto tenha um fim?
Quantas Carlas** precisarão ser assassinadas de forma violenta para que homens como esses possam resolver  questões com suas mulheres, companheiras e esposas sem violência, sem atrocidades, com diálogo e respeito?

Quantas crianças ou adolescentes, como a Roseli *** de 15 anos, morta após ser violentada sexualmente, cujo principal suspeito do crime é o pai?
Estamos esperançosas de que a Lei Maria da Penha, hoje a legislação mais avançada no mundo para a prevenção da violência contra a mulher e a punição do agressor; possa ser aplicada de forma exemplar, pois atos como estes precisam ser duramente punidos para que novos episódios de violência não frutifiquem em mentes criminosas de determinados homens, pais, esposos, companheiros, que utilizam a violência contra as mulheres como estratégia de dominação e de controle das relações entre homens e mulheres.

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