12 de mai de 2012

Pré-candidato: O PERSONAgem!


(publicado no Jornal Cidadela em 11.05.12)

Percebe-se logo que estamos em ano eleitoral quando pessoas que não costumamos ver por aí começam a serem vistas em vários lugares [quase] ao mesmo tempo. Ou então quando as opiniões começam a se tornar tão plásticas que mudam de acordo com o ambiente. Coisa de dar inveja a “Freis Brunos” com suas bicorporeidades e à água com sua capacidade de se moldar a qualquer recipiente...

Nas festas das comunidades chegam a se esbarrar entre si! É um tal de ir de mesa em mesa apertando mãos [ignorando qualquer regra de etiqueta ou higiene], distribuindo sorrisos e elogios até para inimigos declarados. O importante é parecer amável aos olhos dos presentes, afinal “pega mal” não cumprimentar alguém de deixar clara a antipatia.

Abraçar e beijar criancinhas também são características do pré-candidato. Às vezes eles chegam ao ridículo de puxá-las pelo braço interrompendo suas brincadeiras. Criança não conhece político e não está nem aí. É um ser do presente. Ah! Mas os pais podem estar olhando e fica simpático ver a atenção dispensada a seus pimpolhos [mesmo que estes estejam sujinhos, pois faz parte, é o preço...]

De longe as pessoas ficam se perguntando: “Onde este cara se meteu nos últimos três anos?” “Por que não veio naquela reunião que precisávamos decidir coisas importantes para a comunidade?” E a melhor que ouvi domingo: “O cara está em todas as festas, mas nem pra comprar um almoço? Decerto vai comer em casa ou em um restaurante longe dos pobres.” Eu ri.

E aqueles que, para se tornarem simpáticos e não correrem o risco de perderem algum possível voto, começam a não discordar de nada. Pior! Alguns passam a negar o que acreditam pelo simples fato de não quererem encarar o confronto. Tão mais fácil concordar com todos e arriar as bandeiras de luta durante alguns meses... Pega mal ser a favor do casamento gay, da legalização do aborto, ou qualquer outra coisa. Melhor parecer um cidadão “normal”.

Às “cabeças pensantes” o ano eleitoral serve para que um balanço seja feito. Neste ano vê-se quem vale a pena fazer parte de seu convívio e quem passará para a categoria de “conhecido”.  Não consigo descobrir se o pré-candidato está usando uma máscara ou se ele apenas deixou cair a que usa entre uma campanha e outra. Seja lá como for, aproveito a oportunidade para rever algumas relações.

Ah, Bete! Você está sendo radical! Isso se chama Marketing Político! ...na verdade faz sentido. Em 1994, em Joinville, ouvi de um candidato a vereador que uma das coisas mais nojentas da campanha é apertar mão suada e não poder limpar na hora. Todos riram, inclusive eu que naquela época vivia num mundo à parte, sem entender a gravidade daquele comentário. O tal candidato se elegeu, mas nunca mais se reelegeu.

Pior de tudo isso é ver que o povo gosta deste comportamento! Não sei dizer se gosta ou se cai nesta esparrela. Ficam todos satisfeitos, sentem-se importantes por um político lhes estender a mão, sorrir e fazer cara de quem está prestando atenção às suas demandas. Não têm a dimensão de que o importante nesta relação são eles, os eleitores. Tudo invertido. Uma subserviência que chega a dar dó! Alguns políticos chegam a serem tratados como celebridades. Aí me dá é nojo!

Enquanto o povo não atentar para este tipo de comportamento o circo sempre será montado... E os palhaços não serão eles, e sim o povo! [e eles voltam para os seus ninhos debochando e fazendo piadas daquele desdentado, daquele analfabeto, daquele aleijado...]

"Ninguém pode carregar por muito tempo uma máscara: as coisas artificiais logo retornam à sua natureza." (Sêneca)

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