2 de jun de 2012

Esse tal de feminismo:


(publicado no Jornal Cidadela em 01.06.12)

Tenho certeza de que só de ler o título desta minha coluna muitos de vocês já visualizaram um mulher de perna cabeluda, recalcada e com ódio mortal dos homens! Estou certa, né? Vejo isso todo dia, o povo não conhece direito do que se trata esse tal de feminismo e logo relaciona a um comportamento agressivo e antagônico ao “masculino”. Tudo errado! Pensar em feminismo é pensar em igualdade.

O feminismo propõe que homens e mulheres são iguais em direitos e liberdade. É uma teoria elaborada por mulheres que tomaram consciência das discriminações que sofrem apenas por serem mulheres e se uniram para tentar mudar esta realidade. Em contrapartida o machismo consiste na discriminação baseada na crença de que os homens são superiores às mulheres.

Esta semana o tema ficou mais em evidência por conta das “Marchas das Vadias” que aconteceram em 15 capitais do Brasil, que foi um grito de protesto nascido no Canadá por conta de uma orientação sobre como as mulheres deveriam se vestir para não serem estupradas. Logo nasceu o lema “Não ensine e mulher a não ser estuprada, ensine o homem a não estuprar!”. E deste nasceram outros com outras bandeiras que envolvem a discussão da igualdade e respeito mútuo.

A discussão, além de válida, é muito pertinente afinal, apesar de vivermos numa sociedade de aparente igualdade entre os gêneros, de perto descobre-se que isto é apenas no discurso “politicamente correto”. Mulheres ainda são tratadas como objeto e no momento que se posicionam como protagonistas não são bem aceitas. Pior é que muitas de nós ainda não atentaram para isso e se submetem a serem vistas e tratadas como objeto ou como ente de segunda linha na sociedade. Somos a metade da humanidade e mãe da outra metade!

Veja o caso das fotos censuradas no Facebook. Todos os dias me deparo com fotos de mulheres seminuas e em posições sensuais, via de regra, acompanhadas de uma frase de duplo sentido. Agora quando as fotos das mulheres que puseram os seios à mostra para protestar vieram para esta rede social, a maioria dos perfis sofreram censura e tiveram as imagens removidas. Como assim? Mulher como “carne de açougue” pode, mas mulher que luta de “peito aberto” é obsceno? Estão vendo? Ainda está tudo errado!

Você mulher pode ser feminina e ser feminista, você homem pode ser “macho” e ser feminista. Basta saber se posicionar e entender que a discussão de gênero que não interfere em nada em você “gostar de homem” ou “gostar de mulher”, isso aí se chama opção sexual. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. E você mulher que optar por ocupar espaços pode [e deve] continuar se depilando e tendo todo o cuidado com sua aparência, mas desde que seja para que você se sinta bem e não porque a pressão social exige ou o marido “deixa - não deixa”.

Lógico que em todas as lutas e conquistas há os “ônus” e os “bônus”. A igualdade de direitos vem acompanhada da igualdade de deveres. Então não cabe a nós mulheres posarmos de feministas na hora que nos é oportuno, mas fingir que não vimos o garçom deixar a conta sobre a mesa. E nem torcer o nariz ao encontrar um homem que ganhe menos ou que tenha pretensão de ser “dono de casa” ou de se dedicar aos estudos ou aos filhos. Estamos falando de igualdade, e ela deve ser ampla, geral e irrestrita. 

Portanto, minhas amigas, tratem de abrir suas cabeças também, pois de nada adianta ser feminista até a página dois... Só conquistaremos a igualdade se realmente agirmos como iguais. Assim, quem sabe, eles aprendem o quanto é bom nos ter ao lado [ao lado mesmo, ombreando nas lutas] nesta caminhada que é a vida...

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