26 de jun de 2012

Ouvir o povo:


(Publicado no Jornal Cidadela em 22.06.12)

São 22:18h da quarta-feira, acabo de chegar em casa depois de uma sessão da Câmara de Vereadores um tanto tensa. Debateu-se o Projeto de Lei que trata da proibição do uso de animais em circos. Faz meses que este Projeto tramita, parecia que hoje seria o ponto final no âmbito do Legislativo. Qual nada! O Vereador Mário, apesar de não compartilhar da ideia de que animais devam ser poupados desdes espetáculos absurdos, prestou um grande serviço a todos que lutam pela libertação animal: lembrou que para uma Lei Complementar se faz necessária uma Audiência Pública para ouvir o que a população tem a dizer sobre o tema. Ainda bem que houve o alerta, menos um argumento para um possível futuro veto.

Durante os debates senti que alguns vereadores me olhavam como que tentando tirar de mim um sinal ou uma careta. Na verdade eu estava entre alguns amigos dos animais que me chamavam para perguntar o que estava acontecendo. Todos esperavam uma votação, o que se via era um debate no sentido de se suspender o Projeto de Leis. Sorri, expliquei sobre o veto e com uma satisfação sem tamanho ao poder dizer “seremos ouvidos”, “nos faremos ouvir”. Até agora só tínhamos falado com uns poucos interessados. Os outros estavam se levando pelo senso comum, por ouvir falar ou por pessoas que têm interesse financeiro na manutenção dos animais nos circos.

Agora sentada diante do computador e depois de uma divertido bate-papo numa lanchonete me “caiu a ficha” - CARAMBA!!! AUDIÊNCIA PÚBLICA É A CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA!! Lembrei de pronto que em agosto de 2009 havia tratado deste tema neste mesmo espaço só que de uma forma muito amarga, lamentando a inexistência destes espaços de debates. Ou quando ocorriam não havia a participação popular. Terminava a coluna com as seguintes palavras: “Acorda Joaçaba! São nas audiências públicas que devemos ser ouvidos! É lá que conseguiremos, pelo menos, expor nossas ideias (se serão observadas, “são outros quinhentos”...). Não adianta sentar em torno das mesas, tecer maravilhosas teses para a solução dos problemas da cidade se quando somos convocados estamos em casa curando a ressaca do último debate do bar, da igreja, do clube...”

Pois bem, no caso do Projeto de Lei em comento tenho sofrido sérias críticas nas redes sociais, algumas chegando às raias da grosseria. Fico felicíssima em saber que agora os que se opõem a esta luta poderão se fazer presentes e defender suas teses. Os que estão articulando por detrás das cortinas e fornecendo dados com meias verdades como a tal Cartilha apresentada que já fora recolhida pela FUNARTE lá em 2007 (talvez o vereador nem tenha conhecimento disto..). Poderão sustentar o que fazem outro repetir feito papagaio. Eu estarei lá para o debate...

Mas como diz o meu pai, “estou mais feliz que cachorro com dois rabos” em perceber que descobriram as Audiências Públicas, e elas nem precisam acontecer por força de lei, podem ocorrer de forma menos formal, para levar à população temas que lhes são interessantes... Quem sabe uma reunião destas para tratar das obras deste ano, quanto estão custando, como estão sendo executadas e o mais importante, porque alguns bairros estão sendo negligenciados. Neste quesito faço coro com o leitor Aurélio Biazotto que sempre envia e-mails a este jornal mostrando sua indignação quanto a isso. Numa Audiência Pública as respostas poderiam ser dadas diretamente pelos responsáveis, sem notas escritas pela Assessoria de Imprensa ou por microfones alugados a peso de ouro...

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