12 de ago de 2012

13 de agosto: dia de falar pelos pelos animais.

(publicado no Jornal Cidadela em 10.08.12)

Segunda-feira que vem haverá a audiência pública para debatermos o uso de animais em circos na nossa cidade, uma luta de todos os protetores de todos os cantos do mundo, não importando se vivem ou não aqui, pois o planeta Terra é morada de todos nós e somos todos responsáveis por torná-lo melhor...

Já participei de seminários , li artigos, livros, contudo nunca parece ser o suficiente. Talvez os que lutam pela causa devam se manifestar na audiência. Pensamos em trazer alguém de fora. Gastar um dinheiro que não temos não seria justo com todos os animais que contam com a gente para se tratarem, serem castrados, ganharem comida. Minha alegria foi a manifestação da Nina Rosa Jacob [Instituto Nina Rosa] me disponibilizando a sua palestra sobre o tema, palestra essa que tive a oportunidade de assistir na OAB/SP no tempo de um seminário sobre o tema. Uma contribuição sem tamanho e um voto de confiança maior ainda quando informa que o material foi enviado em formato editável, colocando em minhas mãos a faculdade de mexer no trabalho de um ícone da luta pela libertação animal no Brasil.

Para fundamentar minha fala, principalmente no tocante que alegar “tradição” é um argumento muito frágil tentei estudar a história do circo, quem conhece sabe que em um longo período da história deficientes físicos e/ou mentais eram entregues a circos para servirem em números no picadeiro ou para trabalhos sem nenhuma remuneração. Engraçado que nos textos sobre a história do circo não encontrei referência sobre isso. Precisei vasculhar a história da deficiência para encontrar esta mancha que parece não querer ser mostrada. Vejamos alguns excertos:

Os períodos marcados pelo fim do Império Romano (Século V, ano 476) e a Queda de Constantinopla (Século XV, em 1453), marcam o início da Idade Média. É marcada por precárias condições de vida e de saúde das pessoas. A população ignorante encarava o nascimento de pessoas com deficiência como castigo de Deus. Os supersticiosos viam nelas poderes especiais de feiticeiros ou bruxos. As crianças que sobreviviam eram separadas de suas famílias e quase sempre ridicularizadas. A literatura da época coloca os anões e os corcundas como focos de diversão dos mais abastados. (http://www.ampid.org.br/Artigos/PD_Historia.php)

cegos, surdos, deficientes mentais, deficientes físicos e outros tipos de pessoas nascidos com má formação eram também, de quando em quando, ligados a casas comerciais, tavernas e bordéis; bem como a atividades dos circos romanos, para serviços simples e às vezes humilhantes” (Silva, 1987, p. 130). Tragicamente, esta prática repetiu-se várias vezes na história, não só em Roma. (http://bengalalegal.com/pcd-mundial)

Com a ascensão do Cristianismo, na Idade Média, as pessoas com deficiência deixaram de ser eliminadas, uma vez que a Igreja Católica considerava todos os seres como criatura de Deus. Ao invés de serem mortas, passaram a ser abandonadas e ignoradas à própria sorte. Tiveram que contar com a caridade e boa vontade de outras pessoas para sobreviver. Vem dessa época a mendicância das pessoas com deficiência. Ainda nessa época, alguns deficientes passaram a ser ‘aproveitados’ com fins de entretenimento. Muitos se tornaram bobos da corte. Sempre brinco com meus amigos, quando faço muitas palhaçadas e me chamam de retardada, que estou apenas resgatando a história dos meus ‘companheiros’. Bobo da corte foi uma de nossas primeiras profissões! Brincadeiras à parte, os deficientes também eram aproveitados em circos, explorados como aberrações da natureza. Em outros casos, eram explorados sexualmente. Imagino o quanto sofreram as pessoas com deficiência nesses tempos difíceis e repugnantes. (http://www.deficiente.com.br/site/component/content/article/8-acre/988-um-breve-relato-sobre-os-anos-de-invisibilidade-social-das-pessoas-com-deficiencia)

Já pensaram se o argumento do “sempre foi assim” tivesse vencido naquela época? Se tivesse obtido êxito? Por certo muita gente que lê esta minha coluna teria um ente querido servindo de atração em algum picadeiro pelo mundo afora... Ontem eles precisaram de alguém se insurgisse contra o absurdo, hoje são nossos irmãos animais. Eu tenho a crença que o mundo está evoluindo e a prova é que as relações de subjugação do mais forte sobre o mais fraco estão sendo questionadas e derrubadas [se não pela consciência, que seja pela coerção...]. Eles saíram do picadeiro e o circo não morreu...

Os animais de hoje [os deficientes de ontem] esperam a sua presença na Câmara de Vereadores de Joaçaba no próximo dia 13 de agosto, às 19:00h para ajudá-los e se libertarem desta escravidão insana que afronta à razão do século XXI que já corre entre nossos dedos. Que tal fazermos parte da história?

"Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo. De fato, sempre foi assim que o mundo mudou." (Margaret Mead)

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