28 de set de 2012

Carta aos protetores:


(Publicado no Jornal Cidadela em 28.09.12)

Amigos, eu prometi e me comprometi com vocês no sentido de escrever sobre o comportamento de algumas pessoas diante do tema “proteção animal”. Esses últimos quatro anos serviram para mostrar quem os amam ou quem apenas sabe que eles compartilham este nosso planeta como irmãos na criação e respeitam as suas existências. Há também o que os ignoram ou até mesmo tomam decisões e atitudes que tornam suas vidas miseráveis.

Lá atrás, na última campanha eleitoral, eu sentei com o jovem candidato Rafael Laske. Ele me chamou para ouvir o que os protetores de animais tinham para falar. Lembro bem de ter perguntado da sua opinião sobre o uso de animais em circos –  ele foi enfático “sou contra”. Fiquei feliz, vinha do trauma do veto e do resultado da sessão da Câmara de Vereadores onde o veto não foi derrubado pela abstenção do Professor Ricardo Tomazi que alegou não ter opinião formada e preferiu não tomar uma posição. Omitiu-se.

2009 eram novos ares, prefeito jovem, protetor de animais. Eu estava cheia de esperança acreditando que Joaçaba seria uma referência em políticas públicas de proteção deles. Estava no Plano de Governo do “25”: INCENTIVO À PROTEÇÃO DOS ANIMAIS. Seria só aguardar as iniciativas e ser parceira. E difundir o ocorrido dando inveja às outras cidades do estado e do país. Ledo engano. Iniciava o inferno astral dos animais e dos protetores.

Circos com animais vieram como nunca para nossa cidade. O prefeito chegou a se apresentar no picadeiro, virando motivo de piada nas rodas de conversa. De nada adiantou a ONG Amigos dos Animais apresentar uma Recomendação redigida pela Promotora de Justiça Simone Schultz com o embasamento legal para a vedação do uso de animais neste tipo de espetáculo. Muito diferente do ocorrido em Luzerna onde o prefeito Norival Fiorin usou do bom senso e autorizou a instalação de um circo, mas sem o uso de animais. Em Herval d'Oeste ocorreu o mesmo, Nelson Guindani e o então secretário Davi Frozza também foram firmes em respeitar os animais, circos sim, crueldade, jamais!

Circo com animais parecia não ser o suficiente! Em 2009 a Prefeitura resolveu organizar um rodeio country. O Tuti –  então responsável pelos eventos – chegou a me dizer que era o Jorginho Mello que queria o evento. Nos mobilizamos. Houve o desmentido por parte do Deputado Federal. Em 2009 o rodeio não aconteceu. Em 2010 Tuti e Júnior de Sá colocam o evento nos festejos do aniversário da cidade. E aconteceu... Para a tristeza de quem tem coração...

Aconteceu, mas eu não me calei. Movi céus e terra, registrei denúncias e algumas ainda tramitam na Vara Criminal –  autos 037.10.003894-4. Lembro bem do Promotor de Justiça questionando quem havia pagado pela energia elétrica do evento privado. A resposta foi: “A Prefeitura”. Daí veio um arrazoado informando da ilegalidade do fato e outras observações sobre a poluição sonora e demais fatos que vieram para um único processo. Animais sofreram na arena. Nosso bolso de contribuinte também. O processo ainda tramita, tem audiência marcada para 2013.

Em 2011 houve uma vitória: a lei da castração. Nisso eu tenho que admitir que Joaçaba virou referência. Agradeço ao então presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jair Schüller, que bateu pé e provou por A+B que havia como custear os procedimentos. Pela [falta de] vontade do povo da Prefeitura nada teria saído. Aliás em 2011 dos R$ 40.000,00 previstos nem R$ 18.000,00 foram usados, o resto sumiu. Em 2012 falaram em R$ 60.000,00, mas já mandaram recado que o dinheiro acabou. Esse tipo de política pública exige continuidade, senão é só um paliativo.

Este ano a ONG Amigos dos Animais, cansada de esperar pela iniciativa do prefeito protetor de animais ou de algum vereador que se elegeu prometendo propor a lei que livra os animais do picadeiro na nossa cidade, entrou com o pedido junto às bancadas do Partido Verde e do Partido dos Trabalhadores para que algum dos vereadores apresentasse o projeto de lei. Ademir Zanchetta, Sueli Ferronato, André Dalsenter e Fabiano Piovesan foram os proponentes.

Houve audiência pública, por exigência do “Dr”  Mário [tudo bem, vai que o prefeito veta pela falta dela], 58 votos a favor do projeto de lei e dois contra: “Dr” Éber Bündchen e sua esposa. Este casal se esmerou em defender o uso de animais em circos e até tentou convencer os presentes que é possível amar animais e usá-los para a obtenção de lucro. Direito deles. E direito nosso de defender quem não tem voz e nem condições de optar por trabalhar sem salario, nem férias, nem liberdade...

Projeto de lei tramitando, povo ouvido, era só  votar numa próxima sessão. Coisa rápida o povo presente e as centenas de assinaturas já apontavam pela aprovação da Lei. Me enganei de novo! Numa estratégia espúria os vereadores Chico Lopes e “Dr”  Mário seguraram o Projeto de Lei, um em cada comissão com a alegação de discutir melhor o tema. Nem uma reuniãozinha sequer ocorreu até  agora! Ao arrepio da função de vereador se prestaram de instrumento do prefeito para empurrar a votação para depois das eleições. Isso que dá vender a alma pra Deus e para o Diabo, só articulando muito para conseguir se safar. O lobby dos circenses, por enquanto, venceu.

Mas nem tudo é notícia ruim! Naquela audiência pública pude ver quem se interessa pelo bem estar dos animais. A candidata a vice-prefeita Silvana Marcon e alguns candidatos ao cargo de vereador não se intimidaram e se fizeram presentes para defender a liberdade dos nossos irmãos animais. A eles minha gratidão e a alegria de saber que há esperança para os animais para 2013!

Fica aqui o registro de [bons] nomes para o dia 07 de outubro: Ademir Zanchetta, André Dalsenter, Diego Mauro Bairros, Jair Schüller, João Sampaio, Maria Marlene Cavanus, Tayza Cordazzo, e de Herval d'Oeste atenta aos trâmites para levar o debate para o outro lado do rio, Eva Maria Fonseca.

PS - a Juanna Figueiredo não estava na audiência, mas sei que muito antes de eu vir morar em Joaçaba ela já usava o seu jornal em defesa dos animais explorados em circos...


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