30 de dez de 2012

Oitavo dia – começa a descida sentido Sul

Tomamos café na Aldeia de São Jorge, num bar bem simples onde a proprietária nos contou que chegou a morar em Porto Alegre por três meses enquanto esperava um transplante para a sua filha que não resistiu. Saí a gente percebe a diferença das pessoas que moram aqui de outros aldeões, eles, na sua grande maioria, têm histórias de vida bem densas. Este não foi o único relato que ouvimos, apenas o que mais me marcou, talvez.

Descobri que os cães de/na rua são todos tratados por um senhor de distribui água e ração pela Vila e que eles estão ali por conta de proprietários que vão até a Vila só para abandoná-los. Esse comportamento é geral no Brasil, se não há punição em nível terreno, podem ter certeza de que em nível espiritual haverá muitas. Doenças surgem no rebote de ações como essas...

O meu amigo do berne não apareceu. Só um irmão gêmeo dele que ficou no pé da escada me pedindo pra levá-lo embora. Um fofinho¹ Mas vendo que o quadro geral dos bichos é bom e que há quem os alimente, fiz muto carinho, mas sabia que ficaria bem.

Não vi fêmeas e nem filhotes – tenho pra mim que estes são exterminados – ou comidos por alguma fera, afinal até onça tem por lá! Gato não vi nenhum.

Pegamos a estrada rumo à Alto Paraíso e lá encontramos um feira muito legal, onde os vendedores são de várias nacionalidades. Lógico que todos optaram por uma via alternativa. Tinha uma russa que vendia roupas de sua fabricação. Um americano vendendo roupas indianas. Uma gaúcha que acabara de vir da Índia com peças maravilhosas [e lógico que mesmo sem espaço dei um jeitinho de comprar algo], e um argentino loiro com dreads e tomando seu mate.

A cidade é uma graça e, apesar de se verificar um crescimento nos últimos anos, ele não afetou em nada o seu jeito. Talvez porque quem decida ir morar lá quer mais é cuidas da natureza interna e externa. Taí um lugar que eu não hesitaria de ir morar. Está anotado, vai que a vida me dá esta opção... “Alternativa” eu sempre fui [e cada dia mais desajustada com essa coisa de cidade que não se importa com a Vida...].

Na estrada encontramos um brasileinse na beira da estrada vendendo Noni e prometendo a cura para vários males. Compramos um chá. Se não servir pra nada o dinheiro servirá para o trabalho que faz numa clínica para viciados. Pela curta conversa deu pra perceber que ele já trilhou um mal bocado. Bom sabê-lo tão engajado neste tipo de ação. E a campanha do MPSC “Crack nem pensar” ganhou o Brasil, estava na tenda do amigo vendedor de Noni.

Um frentista nos conta que mais adiante encontraríamos o Vale do Amanhecer, em Planaltina (DF) – os amigos mais ligados em coisas do “de fora” sabem bem do que estou falando – e disse que o acesso é livre. Imagina se a Bete não enfiou na cabeça que iria para lá!? Entramos e já fomos batendo fotos como bom turistas que nos transformamos. Até que um senhor, nos autorizando a bater fotos, resolve nos mostrar o Templo.

A religião/seita é toda cheia de rituais e liturgias. Um tanto coisa da Idade Média, outro tanto das religiões afrobrasileiras. Só sei que a imagem de Jesus que vi ali é exatamente o Jesus que eu aprendi a admirar: um profeta que trabalhou muito e que não teve sua vida restrita à Via Dolorosa como vemos. Tudo ali emanava harmonia e solidariedade.

Pegamos o começo dos trabalhos de atendimento [fraterno – como se usa no Kardecismo]. Uma celebração foi feita na começo com várias orações. Não dá para não ficar impactado. Fomos convidados a ficar e receber atendimento. Saímos de lá com a energia renovada! [o que nos chamou a atenção foi o fato da gente ter entrado no Templo e ter caído a maior tempestade que vi nesta região, e na saída o céu já estar limpo para nossa ida]. Saímos antes de terminarem os trabalhos porque a estrada era longa a nossa frente.

Depois de umas duas horas e meia vendo soja de um lado e milho e soja do outro paramos em Cristalino. O cansaço bateu e resolvemos entrar na cidade de Cristalino (GO). É feinha, mas a praça da Igreja Matriz tem uma iluminação bem bonita e uma casa tem Ets no lugar de duendes e Papai Noel! Imagem de ET eu venho vendo direto nesta região. Aqui é uma região com vocação para este tipo de estudo. 

A cidade é a capital mundial do Cristal - uma pena estarmos de moto e não poder levar nada...Daria para colocar no Correio - via PAC - mas amanhã é domingo. [fica a dica para os viajantes de moto}.

Já completamos 2.740 km. Tudo fotografado para depois fazermos o balanço da viagem. Agora é madrugada, sempre nessas horas que me veem as ideias. Logo cedo rumamos sentido Uberaba. Queremos pegar a virada de ano em Poços de Caldas (MG).

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