8 de dez de 2012

Reflexões sobre a ida de um amigo à Índia, ou A INVEJA É UMA MERDA!

Nesta sexta-feira,7 de dezembro, o amigo Sílvio Duarte teve a oportunidade de mostrar aos interessados como foram seus cem dias de pedalada em torno da Índia. O mais incrível daquela viagem é que ela foi focada em ver um país que a Rede Globo não mostrou naquela novela pra lá de maquiada. Ele conheceu e registrou - para compartilhar - a Índia dos dalits, ou párias, aqueles que são a poeira sob os pés de Brahma...

Uns dias antes já tinha me sentado para ouvir suas histórias, mas ouvir não bastava. Precisa ver! Era muita informação, era muita coisa inacreditável para ser verdade (uma péssima verdade, diga-se de passagem). Era certo que uma hora sentaríamos para ver o material trazido, para tentar assimilar um mínimo que fosse daquela vivência tão enriquecedora.

O dia chegou com o esforço do outro amigo Omar Dimbarre que conseguiu a cedência do clube Hervalense e o empréstimo do material - data-show e telão - do companheiro de Cultura, Vilmar Sartori. Todos convidados via redes sociais e sites de notícias. Presentes uns 17 gatos pingados. Mas ansiosos e atentos!

Vimos fotos e filmes de uma Índia bem mais complexa do que imaginávamos. Eu mesma sabia da pobreza e da beleza - contraste surreal, quase dantesco - mas nunca imaginaria nada nem perto do que me foi apresentado ontem... Saí de lá contemplativa, e entendendo melhor o sofrimento de Ghandi...

Creio que o amigo Sílvio ainda fará outras apresentações, que levará o vídeo da "UTI" neonatal [aquela imagem daquele bebê naquela "incubadora" imunda nunca mais saíra da minha cabeça], que se disporá a falar de um mundo que parece mais outro mundo. Se você ainda não foi por falta de oportunidade, aproveite!

E por que o "a inveja é uma merda" no título, Bete?

Porque sinto que ela se abateu sobre grande parte das pessoas daqui. Algumas fazem questão de fazer de conta que não temos entre nós alguém que fez algo inusitado, que foi um e voltou outro e que este outro precisa mostrar o que viu e o que fez ele mudar. Talvez assim, mesmo que de forma transversa, algum de nós mude também.

Mas não! Se fosse alguém de fora, cobrando ingresso era garantia de casa cheia, de entrevistas em jornais. Pauta para os jornalistas sem pauta da nossa região que vivem rezando para a "Nossa Senhora da Pautinha". Mas dar moral para um igual, uma pessoa que cruza conosco na rua, um que bem que poderia ser eu? Nem pensar!  Melhor fazer de conta que ele nem existe. Ignorar solenemente. 

Mais uma vez reitero minha opinião de que aqui impera um pensamento pequeno, mesquinho, voltado ao umbigo de cada um. O "eu" sempre na frente. Isso sem falar dos que fingiram ser amigos e mentiram que colaborariam com a viagem. Ninguém era obrigado a dar uma força ao Sílvio, mas quem disse que faria e não o fez é pior do que aquele que, por dor de cotovelo, finge que não vê. Esses que "furaram", que "deram o calote" são tudo um bando de canalhas [expressão minha, uma pessoa tão maravilhosa quanto nosso amigo viajante nunca a usaria].

Desculpa, Sílvio, nem pedi autorização para escrever isso, mas tive um sono conturbado esta noite. Perdi algum tempo pensando em como o ser humano precisa se melhorar... E esses aí de cima estão perdendo a oportunidade que a vida oferece... E obrigada, amigo, por ter me propiciado esses momentos em que pude ver quão maravilhosa é minha vida e o quanto ainda tenho que aprender e fazer!

2 comentários:

  1. É isto ai Bete. Foi um grande aprendizado ontem. Primeiro por causa de tudo que o Silvio nos relatou. Talvez até tenha cansado um pouco os amigos presentes com tantos questionamentos que fiz. Mas era a vontade de entender e compreeender melhor uma cultura tão diferente da nossa. Em segundo lugar, mais um aprendizado sobre como o pessoal desta terra é capaz de ignorar um feito deste. Isto ainda está sendo dificil de compreender. Confesso que acordei bastante desolado e com vontade de chutar o balde e não tentar batalhar mais por nada cultural por aqui. Conversando hoje de manhã, com nosso amigo de cineclube, Marcos, preferi esperar a cabeça esfriar para tomar alguma decisão. Sinceramente, a impressão que tenho, que as únicas coisas que interessam nesta terra, são cachaça e carnaval. Depois reclamam quando não acontece nada cultural.... Estou bastante decepcionado e revoltado, e sinceramente, não sei se vale a pena lutar por algo diferente nesta terra...

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  2. Porque ele não conseguiu postar aqui:
    Silvio S. Duarte Duarte Oxalá Bete, não sou merecedor de tantos elogios, ainda mais vindo de uma pessoa esclarecida e com um cabedal de sabedoria diferenciado.
    Estou e sempre estarei a disposição de colégios, grupos ou pessoas que queiram conhecer um pouquinho da rica cultura indiana, na qual mergulhei de cabeça e tentei compreender, entender e fazer uma análise com a nossa que vivemos, garanto, eles tem muito que aprender conosco e nós muitíssimo também com eles.
    Compartilho com teu pensamento que Mahatma Gandhi, ensinou muito mais a nós ocidentais que ao povo de seu país, porque dentro de um contexto mais complexo, nós temos um esclarecimento mais amplo do universo e a mídia que ajuda muito.
    Sobre as fotos, filmes e trocas de ideias que tivemos, tomara que todos tenham saído de lá com um pouco mais de conhecimento sobre aquele povo maravilhoso.
    Depois de passar quatro meses no país asiático, circundar toda a Índia, passar por 18 estados e conhecer mais profundamente suas necessidades, suas angústias, sua bondade, sua hospitalidade, sua honestidade e leveza do ser, chego a conclusão que nós brasileiros temos muitas coisas em comum, da colonização as correntes da escravidão, o histórico indiano assimila-se muito ao do nosso país.
    Quanto a inveja que você se refere, prefiro como disse você ignorar e é desses que temos que ter a inteligência de sabê-los perdoar.
    Minha amiga, me sinto muito honrado e extremamente emocionado, chegando às lágrimas quando li o texto referindo-se a mim e como citei no nosso encontro, para os que me chamavam de louco de estúpido, de destemperado por embrenhar-se numa jornada tão arriscada, pra esses eu entrego o troféu da minha vitória.
    E pra todos que acreditaram em mim e me incentivaram, eu ofereço o sabor da vitória, esse sim, vai ficar permanentemente em suas mentes, quando falarem de Índia, lembrar-se-ão que Eu fui e voltei graças ao apoio de voces.
    Grande abraço

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