31 de mai de 2013

Santa Renda: quem diria, Colombo?

Coluna do meu amigo - professor Rogério Bilibio - Jornal Pauta de Herval d’Oeste em 24/05/2013:

Trago pra cá porque, autorizada ou não pelo autor, ela já ganhou as redes sociais de tão certeira que foi!

Amigo Leitor: nas últimas semanas, o governo do estado de Santa Catarina começou a veicular uma mídia do programa Santa Renda, que visa complementar o beneficio federal conhecido como Bolsa Família. É uma atitude de cunho social, mas que gera inúmeras reflexões:

A primeira delas é que no sul do Brasil, muita gente é contra o Bolsa Família. Existem aqueles que acham que SC é um modelo de estado, que aqui há trabalho, e que o Bolsa Família só gera preguiça e gente fazendo filho para receber dinheiro do governo.

Eu discordo um pouco desta tese, pois SC não é nenhum modelo. Há pobreza, violência, sérios desvios políticos. Quanto a gerar gente preguiçosa, isto é verdadeiro. Mas nem todos os que recebem bolsa família deixam de trabalhar. E preguiçosos existem em todas as raças, religiões, classes sociais e profissões.

Em segundo lugar, o governo de Santa Catarina aposta neste programa como estratégia eleitoral. O desgaste do governador em questões como educação (os professores só irão apoiar a reeleição de Colombo em duas hipóteses: se tiverem problemas de memória ou se estiverem defendendo cargos e partidos), saúde e segurança pública, quer se amenizar atraindo o voto dos pobres.

O mais estranho disto é a origem política do governador: Colombo era do DEM, antes de ser PSD. E sabidamente o DEM, antigo PFL, era o mais conservador partido do Brasil. Programas sociais para este tipo de ideologia significa aumentar os presídios e prender os pobres. Sinal dos tempos. Agora Colombo vai ter que admitir que o social se tornou tão importante que vale investir 14 milhões no Santa Renda, recurso previsto para 2013. E mais: ainda se comprometeu a registrar que é um complemento do Bolsa Família, atraindo também a popularidade da presidenta. Quem diria..

Mas o que vai me divertir mesmo é aqui em Joaçaba e Herval. Conheço muita gente que detesta o PT, o Bolsa Família, os programas sociais. Mas votou e apoiou o Colombo. Por coerência, agora devem se posicionar contrários ao governador. Ou então dizer que, no caso do Colombo, ele é um político preocupado com o povo, não é como esse pessoal do PT, que só engana os pobres, dando migalhas, em vez de forçar eles a trabalhar... Me engana que eu gosto.

Enfim, o mundo dá voltas. Uma por dia. E muitas vezes isto é o suficiente. Observando esta atitude do governador, fica muito claro que ela vai apoiar a reeleição da presidenta. E que isto é um indicativo claro que o quadro tende para isto mesmo. O mais interessante disto tudo é que a pobreza no Brasil assumiu um papel de protagonista no cenário político. Quem diria...

Em tempo: há dez anos atrás, a participação das classes D e E na população brasileira era cerca de 15% maior. Hoje a classe C é a mais numerosa. Não significa riqueza, mas significa que o espectro da fome foi afastado. Então?


Até a próxima semana, e que ela seja boa para todos nós.

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