12 de jan de 2014

MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE - mais de 20 anos depois, atualíssimo!

Domingo chuvoso resolvi mexer nos meus filmes e, além de descobri que perdi uns três sem sequer tê-los vistos, encontrei a dobradinha "Cidadão Kane" e "Muito Além do Cidadão Kane". Pronto! Havia ganho a tarde!!!

Sinopse de CIDAÇÃO KANE (1941):

  "A história conta como o repórter Thompson (Joseph Cotten) reconstitui a trajetória do empresário da imprensa Charles Foster Kane (Welles), buscando decifrar o significado de sua última palavra no leito de morte: "rosebud". A morte de Kane comovera a nação e descobrir o porquê daquela palavra se torna uma obsessão para o jornalista, que acredita poder encontrar nela a chave do significado daquela vida atribulada.
  O repórter entrevista, então, as pessoas próximas ao figurão. Um emaranhado de informações vai se costurando à frente dos olhos do espectador, desde a infância pobre, revelando um Kane por vezes perturbado, mas sempre ambicioso. Essa multiplicidade de fontes usadas pelo repórter cria um conjunto de perspectivas diferentes, funcionando como peças do quebracabeças que os espectadores vão montando.
  Kane herda uma fortuna e deixa de viver com os pais para ser criado por um banqueiro, Walter Parks Thatcher (George Coulouris). Dentre todos os negócios que passam às suas mãos na maioridade, resolve dedicar se a um dos menos rentáveis: um jornal convencional e pouco influente.
  Atraindo as estrelas dos veículos concorrentes com salários maiores e praticando um jornalismo agressivo (que freqüentemente descamba para o sensacionalismo), Kane consegue sucesso como homem de mídia, criando uma reputação de campeão dos pobres e oprimidos. Tenta carreira na política, concorrendo a governador como candidato independente; quando parece ter a vitória nas mãos, um escândalo provoca sua derrota. Depois de dois casamentos fracassados, passa seus últimos dias sozinho no palácio que construiu e para o qual levou tudo que o dinheiro podia comprar desde obras de arte de valor inestimável até os animais mais exóticos do planeta.
  O filme faz uso de flashbacks, sombras, tem longas seqüênciãs sem cortes, mostra tomadas de baixo para cima, distorce imagens para aumentar a carga dramática; a iluminação é pouco convencional, o foco transita do primeiro plano para o background, os diálogos são sobrepostos e os closes usados com contenção. Revolucionário.
  O personagem central vai, aos poucos, perdendo suas virtudes e aumentando seus defeitos. Pode ser visto retrospectivamente como alguém amargo, sombrio, arrogante, manipulador, cruel e impiedoso. Sua trajetória, no entanto, encerra muito do sonho americano: idealismo, espírito de iniciativa, fama, dinheiro, poder, mulheres, imortalidade.
  O óbvio paralelo de Kane (e seu Inquirer) com Hearst (e seu Exnminer) gerou controvérsias e pressões para impedir a montagem e exibição do filme. As similaridades são muitas: Kane construiu um palácio extravagante na Flórida, Hearst tinha um em San Simeon; o personagem teve um caso com uma cantora sem talento, Susan Alexander (Dorothy Comingore), lembrando o que Hearst teve com a jovem atriz Marion Davies. Enquanto o magnata da vida real comprou o estúdio Cosmopolitan Pictures para promover o estrelato de Davies, Kane comprou para Susan um teatro. Entretanto, enquanto Hearst nasceu rico, Kane era filho de uma família humilde."

Vale muito a pena ver este filme [aliás, creio de deva estar na lista dos melhores filmes já produzidos] , mas você tem a obrigação é de assistir ao documentário MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE! Incrível como eu ainda não havia assistido! De 1993, ano do seu lançamento, à 2009 estava proibido no Brasil. A alegação era do uso indevido de imagens de propriedade da Rede Globo, mas não demora poucos minutos para descobrir que a intenção era de impedir os brasileiros de conhecer o lixo que é esta emissora e com quem ela ombreia desde seu nascimento que, diga-se de passagem, só ocorreu justamente por conta desta relação nefasta com a Ditadura e o Poder estabelecido.

Resenha de MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE (1993):

"Beyond Citizen Kane ou Muito Além do Cidadão Kane é um documentário sobre a Rede Globo de Televisão, mostrando sua origem através do seu criador, Roberto Marinho. Exibido em 1993 no canal britânico Channel 4, porém sua exibição no Brasil foi proibida por decisão judicial, pois traçava um paralelo entre o empresário e a política brasileira e por usar imagens de direitos autorais da emissora global. Produzido pela BBC de Londres, e com direção de Simon Hartog, faz referência ao personagem Charles Foster Kane, criado por Orson Welles na obra conhecida como Cidadão Kane de 1941, que capta um universo e um personagem.

Cidadão Kane é baseado na trajetória do magnata da comunicação no USA, William Randolph Hearst. O filme se baseia em manipulação de informação. O paralelo entre o filme e o documentário é a forma como seria controlado e exibido o conteúdo a ser informado, ou seja, Kane e Marinho empregariam a mesma manipulação com o objetivo de influenciar. Isso fica claro ao se mostrar os cortes efetuados em um último debate entre Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello nas eleições de 1989.

Depoimentos de celebridades e personalidades como Leonel Brizola, Chico Buarque, Washington Olivetto, jornalistas, historiadores e estudiosos da sociedade brasileira fazem da obra um marco em conteúdo, mostrando o crescimento e o poder da Rede Globo na mídia brasileira a exemplo apresenta uma cobertura do movimento das Diretas-Já, em 1984, em que a emissora noticiou uma festa de aniversário da cidade de São Paulo e não realmente o que estava acontecendo naquele momento.

O documentário na época custou cerca de US$ 260 mil dólares o que equivalem a R$ 445 mil reais à produtora independente Large Door. Foi visto mais de 800 mil vezes na internet. Muito elogiado e criticado é também chamado por alguns de a história proibida da Rede Globo.

Como um soco no estômago de quem assiste é um grande documentário que oferece uma reflexão sobre como a mídia é formadora de opinião, de como podemos ser alienados e manipulados no que é transmitido. Com um roteiro muito bem feito, o documentário televisivo apresenta os seguintes ingredientes como criticas ao capitalismo: propagandas induzidas, o problema das concessões realizadas por apadrinhamento. Só se torna cansativo ao intercalar depoimentos, imagens de arquivo e narrações. O que é apresentado exaustivamente poderia ser amenizado, pois a proposta de apresentar a Globo como detentora do desenvolvimento político e social fica claro no decorrer da obra. Muito Além do Cidadão Kane é importante, pois mostra a história política do Brasil e a influência da maior emissora de televisão brasileira, vale a pena assistir."

 

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