16 de set de 2014

Diário da ONCOLOGIA - uma nova etapa no SUS:

Bom dia!
E não é que o Boteco da Bete voltou?!
Tenho muitos assuntos para trazer para cá, mas hoje o tema é Saúde [minha, e de modo indireto dos usuários do Sistema Único de Saúde -SUS]...
O relato é longo, desculpa, não tem como não ser.

Quem acompanha este Blog lembra dos relatos sobre os atendimentos que tive em 2013 -  Diário do ESF - do Diu à Mamografia - de maio pra cá acabei descuidando dos relatos, mas segue aí um resumão até pra você entender o título da postagem:

Passei muito bem o ano de 2013 com a DIU Myrena. Sem cólicas eu tinha qualidade de vida o mês inteiro. Continuei tendo períodos menstruais normais, diferente de algumas mulheres que têm o sangramento cessado. Mas estava feliz por fazer das dores somente lembranças.

Em janeiro de 2014, em pleno acampamento do Fórum Social Temático, tive uma hemorragia gigante, por seis dias. Na noite de 23 de janeiro o DIU saiu. Tudo bem, eu sabia que isso podia acontecer, pois na Ultrassonografia que foi feita depois da implantação dele, o médico constatou que havia um mioma interno e isso poderia interferir na manutenção do dispositivo. Alguns dias sangrando muito, mas não me apavorei.

Em março fui doar sangue - rotina pra mim, a cada quatro meses estou no HEMOSC - meu sangue foi rejeitado, motivo? Anemia... E pelo o que me informaram só de olhar o meu sangue já se percebia isso. Saí triste, cheguei a chorar. Nunca havia tido meu sangue rejeitado...

As cólicas também haviam voltado com toda força, então eu resolvi procurar o Ginecologista novamente. Novos exames. Uma anemia tão profunda que o médico disse que a cirurgia para a retirada do útero não poderia acontecer, pois se meus índices continuassem como estavam eu teria que fazer transfusão de sangue...

Receber sangue? Logo eu que doo sempre?? Nunca! Dá-lhe beterraba, couve, panela de ferro, medicamentos... Eu só não comi prego porque não os encontrei na versão comestível! Dei a volta, meses depois já estava bem, mas impossibilitada de doar sangue por conta da cirurgia que ocorreria em breve.

Na nova Ultrassonografia lá estavam os miomas, se não me engano haviam crescido um pouco. Era agendar a cirurgia para retirar o útero. Tudo bem, com 42 anos e duas filhas já em fase final dos cursos universitários, não há motivo pra drama, a maternidade é fase ultrapassada. Eu queria deixar para novembro ou dezembro, pois ia complicar a minha vida nas coreografias de Dança do Ventre. Nada feito, a ordem foi de fazer o procedimento até agosto, "o mais breve é melhor".

Corri atrás de todos os exames pré operatórios. Fiz praticamente tudo pelo SUS, só o Cardiologista que consultei pelo Consórcio - paguei R$ 150,00 a consulta com o Eletrocardiograma - e a Ultrassonografia Transvaginal que preferi pagar e fazer no consultório do mesmo médico que iria fazer minha cirurgia, me senti mais segura. Dispensei o desconto que havia conseguido para fazer na clínica até mesmo porque a primeira Ultrassonografia que havia feito na clinica não apontou o mioma interno... Se não me engano paguei R$ 120,00 por este exame.

Até aqui tudo corria bem, era só esperar para me internar no dia 26 de agosto porque minha cirurgia estava marcada para o outro dia logo cedo. A ordem era chegar às 7:00hs da manhã pra garantir leito. Estranho isso, afinal eu havia levado a AIH e feito a consulta com o Anestesista ali mesmo no HUST no dia 21 de agosto, era de se esperar que o leito estivesse reservado. Deixei os documentos e mandaram voltar 10:30hs, depois me mandaram voltar 14:00hs. Depois fiquei na emergência aguardando leito.

Lá pelas 16:00hs eu já estava pirada de raiva por dois motivos: 
1- se eu ia fazer uma cirurgia como era possível ficar ali no meio dos doentes? E o risco de pegar alguma doença infectocontagiosa e ter prejuízo no meu tratamento?
2- ouvi várias conversas sobre cancelamento de cirurgia por falta de leito, ouvi até as atendentes comentarem que se não tem leito pelo SUS havia a opção da internação particular [lógico que não falaram para mim, peguei um rabo de conversa]. Minha filha havia vindo de São Paulo pra cuidar de mim, organizei minha vida para fazer esta cirurgia, não tinha como adiar.
Dei uma pirada no Facebook... Afinal era uma falta de respeito aquilo. 17:00h estava internada no quarto 254, leito 1 do setor II.

A cirurgia correu tudo bem, assim como o resto. Tirando este estresse com a internação, não tenho nada do que reclamar do HUST. Os enfermeiros foram super simpáticos e prestativos [lembro disso até na hora que desmaiei no banheiro e vieram correndo ajudar minha filha]. Até a comida era boa! Comida de hospital boa? Nunca havia visto hehehe 

Durante minha internação de três dias o Dr. Wellington Alessi veio várias vezes no meu quarto, sempre atencioso e respondendo a todas as perguntas... Quando entrei no Centro Cirúrgico fui logo dizendo que se algum estudante quisesse ver o procedimento, tudo bem, mas que nenhum deles colocasse a mão em mim. Tive a garantia que somente ele e o Médico Anestesista, trabalhariam na histerectomia [além dos enfermeiros, lógico]. A sutura foi aquele de cirurgia plástica, com ponto interno, logo estaria quase invisível. Correu tudo bem, só não deu pra tirar o colo do útero porque o mioma estava muito aderido à bexiga, mas sua retirada seria feita somente por prevenção. Não era indicação no momento.

Eu pensava que o pós operatório seria como o de uma cesariana. Já havia passado por duas. Foi pior! Mas tudo bem, filha e mãe estavam de cuidadoras, pude ter uma recuperação. Na última semana tive a companhia da caçula, pra minimizar o tédio e ter ajuda nas tarefas da casa porque levantar peso é uma proibição que levo muito a sério; amigas enfermeiras tocaram o terror sobre o surgimento de hérnias.
Dia 10 de setembro - hora de tirar os pontos e receber o resultado da biópsia. Estava com mais medo de tirar os pontos do que no dia de fazer a cirurgia. Sim, sou cagona com coisa sem sentido, como medo da agulha da medição de glicemia e não da agulha rombuda da doação de sangue haha Os pontos foram retirados, mais uma vez a paciência do Dr Wellington foi a tônica [eu quase fiz fiasco e com a plateia de três estagiários rsrs].

Ao final da consulta veio a conversa sobre a biópsia: havia uma alteração. Dá pra imaginar que esta hora a gente já não sente muito os pés, quem dirá conseguir fazer algum tipo de pergunta... Só ouvi o médico dizendo que iria conversar com outros médicos para analisar se era benigno ou maligno. Ele se comprometeu de me telefonar para dar retorno desta conversa. Peguei minha cópia do exame e saí anestesiada da sala. Liguei para o meu marido e caí no choro. 

Mas como eu sempre digo que quem morre de véspera é peru, preferi esperar o tal retorno. Que aconteceu no outro dia de manhã. Sexta-feira, 13:30hs no Posto Central de Herval d'Oeste. Fui com meu marido, estava com medo, pela primeira vez alguém foi comigo em uma consulta desde o começo desta novela lá no início de 2013.

Novamente não ouvi metade do que foi falado, só lembro do Branco pedindo pro médico me confirmar que eu não faria nem quimioterapia e nem radioterapía, que era benigno. Lógico que ele não confirmou nada, não seria desonesto a este ponto. Nem ele sabia a resposta. Explicou que, muito provavelmente,  eu voltaria para a mesa de cirurgia para retirar ovários, trompas e colo do útero, mas que não seria ele que faria isso e sim outros médicos mais experientes (depois entendi que ele se referia a Oncologistas...). Preencheu um documento e me mandou para o HUST, Setor de Oncologia - "Encaminho a paciente acima para avaliação e conduta por apresentar provável leiomiosarcoma, evidenciado após histerectomia subtotal realizada em 27/08/14.".

 Fui imediatamente para o HUST e lá uma enfermeira de nome Márcia foi muito gentil no atendimento e me fez várias perguntas sobre eu estar com algum tipo de dor ou sintoma. Não sentia nada, tirando a pressão que estava alta, eu estava muito bem. Então ela disse que meu tratamento seguiria os trâmites e que eu deveria voltar na Secretaria de Saúde de HO para dar entrada no TFD - Tratamento Fora do Domicílio. Disse que estava ali justamente por ordem da tal Secretaria [povo do Posto Central], então ela telefonou para lá e pediu que fosse providenciada a papelada com urgência.

Voltei pro Posto Central com as cópias de documentos que pediram e o Servidor Rodrigo já estava me esperando. Foi até o Dr. Wellington que preencheu o que era de sua alçada, depois montou o kit do TFD - SUS e me informou que levaria naquele dia mesmo até a Regional de Saúde. Isso era uma sexta-feira, dia 12 de setembro... Hoje, terça-feira, 16 de setembro, estou aqui teclando este relato e esperando algum dos telefones tocar...

Vou dando notícias, pretendo manter este Blog atualizado, pois agora eu devo conhecer outro serviço prestado pelo SUS. E também porque tenho duas opções: me desesperar ou lutar. Adivinha por qual eu optei? rsrsrsrs 

Há Braços!

Bete Vieira

2 comentários:

  1. Betinhaaa, qdo esse troço se der conta de dentro de quem ele está, vai sair vazadooooooo!!!! Hahahahahahahaha
    Vai na fé que estamos aqui emanando energias para vc!!!
    Preciso do seu nome completo pra passar pros meus tios, tá?
    Que Deus te proteja, abençoe e conforte todos os seus dias!!!
    UPA bem grandão e muitos beijossssssss

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    1. Pior que escolheu um péssimo lugar mesmo ;)
      Beijo e obrigada pela força ^^

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