7 de out de 2014

A maldade está em quem fala e não em quem ouve!

Volta e meia nos deparamos com ondas de preconceitos nas redes sociais, agora mesmo estamos no meio de um verdadeiro furacão. Motivo: vitória da presidenta Dilma na Região Nordeste. Sobrou agressões contra nordestinos, mas como um preconceito nunca vem sozinho, logo outras minorias também foram arrastadas para este inferno.

Já é coisa batida esse de debater sobre o "politicamente correto". Não vou entrar nesta seara. Só quero deixar registrado que, via de regra, só reclama do policiamento quem não se enquadra nos alvos das piadas: héterx, brancx, magrx, sem deficiência física ou mental, em situação econômica estável. Ou seja, quem não é alvo.

Desde domingo venho participando de conversas sobre o que está aparecendo nas redes sociais. Tenho visto pessoas se superarem ao destilar ódio de classe em apenas 140 caracteres. Cheguei a chorar no domingo enquanto acompanhava a repercussão dos resultados das eleições. Deprimi, confesso.

No Facebook também vi coisas que nem merecem serem referenciadas, mas uma em especial eu trago para cá, pois muitas pessoas têm a falsa ilusão que usar palavras pejorativas em tom de brincadeira não ofende. Ofende sim, e muito! Olhem o print:


Não sei de onde as pessoas tiram que debochar dos outros não é ofensivo...

Há muitos anos atrás eu estava hospedada na casa de praia de uns amigos, todos negros. Sendo carnaval a casa estava lotada e brancos eram a esmagadora maioria. Eu e mais uns três. Cerveja vai, cerveja vem, samba do bom e começa a roda de piadas. O tema? "Piada de negão". Eu fiquei no meu canto ouvindo e rindo, sim. Era negro pegando no pé de negro, todos se matavam de dar risada. À certa altura uma das pessoas brancas - amicíssima de todos - resolveu contar uma piada no mesmo estilo. Resultado: um silêncio horrível e um mal estar que até hoje carrego a sensação comigo.

Não fui eu a pessoa em questão, mas tomei a lição para o resto da vida: se não sou uma igual devo me recolher "à minha insignificância". Trouxe esta lição para todos os meios onde convivo, não faço chacota e nem brincadeiras com os diferentes.

Hoje o que me incomodou pra valer foi o "amigo gay que eu chamo de veado". Doeu na minha alma de mãe, mas antes de surtar fui para junto destes "diferentes" e perguntei para elxs se havia algum problema de serem tratados desta forma. Vai que eu estivesse exagerando ou transferindo aquela sensação de anos atrás, daquele carnaval? 

Fiz a seguinte pergunta no Facebook e Twitter: "Amigxs gays, uma pergunta [preciso de respostas sinceras]: Vocês gostam de serem chamados do "viado", mesmo em tom de brincadeira?". Treze manifestações, apenas uma dizia que se fosse em tom de brincadeira não havia problema. Outrxs, além de dizer que não gostam deste tipo de coisa, trouxeram para o debate a mesma informação que registrei naquele dia de carnaval: "se for entre nós, iguais, não tem problema".

Pois bem, se você héterx, brancx, magrx, sem deficiência física ou mental, em situação econômica estável acha que está abafando fazendo este tipo de piada, saiba que você é só mais um/a babaca preconceituosx que está fazendo peso sobre a Terra! E os seus amigos que escutam sem reclamar nunca terão coragem de se manifestar, afinal engolir desaforo é o que as minorias vêm fazendo desde que o homem se acreditou "sapiens"!

Há Braços! [que às vezes tenho vontade de descer em alguns]

Bete Vieira

2 comentários:

  1. Penso que até quando feito entre iguais, pode ser prejudicial. Estava pensando sobre isso outro dia, quando uma amiga falou que seu filho estava sofrendo bullying na escola por ser gordinho... Lembrei que cresci ouvindo o Faustão fazendo piadas toda vez que aparecia uma pessoa gorda no programa ou nos vídeos que passavam. Por ser gordo, ele se achava no direito de ridicularizar os outros... daí não era preconceito. E as pessoas em casa assistindo e absorvendo. Uma criança sem uma estrutura familiar que ensinasse o respeito, aprendeu o preconceito justamente com alguém que deveria repudiá-lo.

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    1. Concordo com você, mas ali acho que é tipo A falando com B. Faustão, bem ou mal, é um formador de opinião e no caso, para o telespectador ele é uma terceira pessoa. E ser um gordo de sucesso é diferente de uma criança ou jovem que luta pra se aceitar... Veja o Morgan Freeman o desserviço que faz para a luta contra o racismo. Fácil falar quando se é um ator de sucesso, queria ver se falaria os absurdos que fala se morasse no "morro".

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