30 de dez de 2014

Gaúcho, o filhote do cemitério. Um conto de Natal (atrasado):



Tenho o hábito de prestar atenção aos cemitérios antigos que existem ao longo das rodovias, via de regra contam muito da história da localidade, só que neste dia 29/12/14 a história foi outra:

No município de Condor/RS parei de longe pra fotografar uns jazigos que avistei no meio de uma plantação, então meu marido avistou um caminho e perguntou se eu queria me aproximar. Lógico! A morte é algo inexorável, e os mortos têm muito a nos contar, nem que seja pelas datas, sobrenomes ou arquitetura de suas últimas moradas!

Tinha acabado de começar a bater as fotos quando surge um cãozinho desesperado de um dos túmulos! Pelo aspecto estava com muita fome e desidratado. Veio pedindo socorro. Estava só naquele lugar afastado.

Paramos tudo, subimos na moto e fomos atrás de água e ver se achava a casa de onde podia ter saído. Rodamos por vários lugares e todos nos diziam que ali era lugar de desova de animais... Uma das casas tinha cachorro de tudo quanto é jeito. A mulher tinha um bom coração, mas não condições de abrigar mais uma boca...

Acabamos por levar ele junto como um terceiro membro da viagem. Se encontrasse alguém que se habilitasse a adotar o pequeno ele ficaria, caso contrário era ver a melhor maneira de fazê-lo chegar em Herval d’Oeste – nossa casa, onde já existem vários outros resgatados.

Paramos em alguns lugares, compramos ração, oferecemos para alguns moradores. Descobrimos que a região sofre com a superpopulação de animais de rua. Ninguém precisava de mais um “pra incomodar”. Seguimos adiante.

Rodamos cerca de 120 km e em Frederico Westphalen paramos no Posto Serrano, onde há um hotel. Nossa viagem precisava ser reorganizada, pois não havia como prosseguir com um animal debilitado por muito tempo. Aí é que começa o meu pequeno milagre de Natal [atrasado]. Tudo passou a dar muito certo.

O hotel aceitou o hóspede mesmo sujinho, decidido, iríamos pernoitar ali. Em seguida um rapaz se aproximou, ofereceu ajuda para localizar uma clínica veterinária ou pet shop para os primeiros atendimentos e a compra de uma daquelas bolsas de passeio. Já que tínhamos uns 400 km pela frente que o pequeno fosse com o mínimo de conforto sobre a moto...

O rapaz de chama Maicon Wrasse, que inicia o curso de Medicina Veterinária este ano de 2015 na cidade de Itapiranga. O primeiro anjo.

De pronto a Veterinária Vanessa Bridi Centenaro se dispôs a esperar na Clínica Quatro Patas para dar um banho e ver o que o pequeno precisava. E já passava das 19:00hs! O segundo anjo. Fomos eu, o Maicon e o pequeno imediatamente para lá.

O Gaúcho – nome que dei, o que me veio à cabeça – tomou banho, foi despulgado e desverminado. Ficou lindo! Tinha tanta pulga que foi aquela trabalheira para a Vet! Saiu de lá com um saco de ração de presente e eu eternamente grata com profissionais como ela, que se dispõem a atender um chamado, mesmo sem saber quem eu era [alias, nem o Maicon a conhecia, pois e Vet está há uma semana com a clínica na cidade..].

Voltamos para o Posto/Hotel e quando chegamos estavam curiosos para saber do Gaúcho. Que de um cão laranja, passou a bege. E foi esta coisa fofa que encantou a  Patrícia Daniel, moradora de Farroupilha que veio visitar a família em Frederico Westphalen. O terceiro anjo. Foi amor recíproco! E outra coincidência: ela é natural da cidade de Condor! Onde o Gaúcho nos encontrou [sim, foi ele, porque eu não o teria visto se não tivesse vindo ao nosso encontro].

Depois de muito conversar, e de ter a certeza de que aquela seria uma adoção responsável, sugeri mudar o nome do Gaúcho pra Conterrâneo, afinal todo mundo ali era gaúcho, mas conterrâneo da Patrícia só peludinho rsrsrs O pai e marido estavam juntos. Pelo o que vi a família toda é cachorreira!

E assim termina esta história. Um belo final não é mesmo?

Obrigada Deus por ter me dado a oportunidade de estar no local certo, na hora certa.
Obrigada Branco por “entrar na minha onda” e sair por aí em três numa moto.
Obrigada Maicon por tudo, sua ajuda será para sempre lembrada.
Obrigada Vet Vanessa pelo carinho com que tratou nosso sujinho.
Obrigada Patrícia por ter dado uma nova chance para uma vidinha que estava destinada a morrer entre aqueles túmulos...

Termino aqui, entre lágrimas que de tristeza na hora do resgate se tornaram de alegria na hora de compartilhar tudo isso com vocês...

(As fotos estão viradas, não estou conseguindo fazer o Blogger entender que não são nesta posição. O que vale é o registro.)










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